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Lombrigas em crianças: por que acontecem e como evitar

Lombrigas em crianças: entenda como ocorre a infecção, principais vermes intestinais, sintomas, riscos ao desenvolvimento e prevenção eficaz

23 fev 2026 - 07h33
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Em muitas casas brasileiras, a presença de lombrigas em crianças ainda é um tema cercado de dúvidas e constrangimento. Apesar de comum, a infecção por vermes intestinais não é um detalhe sem importância: especialistas apontam que, quando não tratada, pode prejudicar o crescimento, a aprendizagem e a qualidade de vida dos pequenos. Entender por que algumas crianças têm lombrigas e como esse problema se instala é um passo central para proteger a saúde infantil.

Médicos e pesquisadores em parasitologia lembram que a maior parte dessas infestações está ligada a condições ambientais e de higiene, e não a "culpa" de pais ou responsáveis. Fatores como saneamento inadequado, água contaminada, manipulação incorreta de alimentos e hábitos de higiene ainda em formação tornam as crianças mais expostas. A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser prevenida com cuidados simples, desde que adotados de forma consistente.

O que são lombrigas e quais são os vermes mais comuns em crianças?

O termo lombriga é usado popularmente para se referir a diferentes tipos de vermes intestinais, que vivem no sistema digestivo e se alimentam dos nutrientes ingeridos pela criança. No Brasil, três grupos se destacam: os nematódeos (vermes alongados, como a Ascaris lumbricoides, a "lombriga" clássica), os cestódeos (vermes achatados, como a tênia) e os protozoários, que não são vermes propriamente ditos, mas causam infecções intestinais semelhantes, como a giardíase.

De acordo com dados de vigilância epidemiológica compilados por universidades e secretarias de saúde até 2025, a Ascaris lumbricoides continua entre os parasitas intestinais mais frequentes em crianças em idade escolar, especialmente em regiões com menor cobertura de esgoto. Outros parasitas comuns incluem oxiúros (Enterobius vermicularis), famosos por causar coceira intensa na região anal, e o ancilostomídeo, associado a anemia. Em muitos casos, a criança pode estar infectada por mais de um tipo de parasito ao mesmo tempo.

Água tratada e alimentos bem lavados ajudam a prevenir verminoses infantis – depositphotos.com / HayDmitriy
Água tratada e alimentos bem lavados ajudam a prevenir verminoses infantis – depositphotos.com / HayDmitriy
Foto: Giro 10

Por que algumas crianças têm lombrigas com mais frequência?

A principal forma de infecção por lombrigas é a chamada transmissão fecal-oral. Isso significa que ovos microscópicos dos vermes presentes nas fezes de uma pessoa contaminada acabam indo parar na boca de outra pessoa, geralmente por meio das mãos, da água ou dos alimentos. Em crianças, esse caminho é facilitado pelo hábito de levar as mãos e objetos à boca, além da convivência próxima em escolas, creches e parquinhos.

Entre os fatores que aumentam a chance de uma criança desenvolver verminoses, especialistas em parasitologia destacam:

  • Água não tratada: consumo de água de poços, nascentes ou torneiras sem filtragem ou fervura prévia.
  • Alimentos crus ou mal lavados: especialmente folhas, frutas e legumes, que podem estar contaminados com partículas de solo ou água suja.
  • Solo contaminado: andar descalço em quintais, terrenos e ruas onde animais ou pessoas evacuam aumenta o risco, principalmente para ancilostomídeos.
  • Higiene das mãos inadequada: ausência do hábito de lavar as mãos após ir ao banheiro e antes das refeições.
  • Condições de saneamento: ausência de rede de esgoto ou fossas adequadas facilita a contaminação do ambiente.

Um infectologista pediátrico ouvido por serviços de saúde pública explica que as crianças pequenas formam um grupo mais vulnerável porque ainda estão aprendendo hábitos de higiene e têm o sistema imunológico em desenvolvimento, o que facilita o estabelecimento e a multiplicação dos parasitas.

Como ocorre a transmissão de lombrigas no dia a dia?

Em termos práticos, a infecção por vermes intestinais em crianças costuma seguir alguns caminhos típicos. No caso da Ascaris, ovos presentes no solo, em superfícies ou na água chegam ao organismo quando a criança leva as mãos sujas à boca ou ingere alimentos mal lavados. Esses ovos se transformam em larvas, migram pelo corpo e depois se estabelecem no intestino.

Já os oxiúros têm um ciclo adaptado ao ambiente doméstico: as fêmeas depositam ovos na região anal, principalmente à noite, o que gera coceira. Ao coçar, a criança leva ovos para as unhas, a roupa de cama e objetos próximos. Se colocar as mãos na boca, se reinfecta; se tocar em brinquedos e superfícies compartilhadas, pode favorecer a contaminação de irmãos e colegas.

Alimentos manipulados sem higiene, água sem tratamento e uso de banheiros compartilhados com limpeza inadequada completam esse cenário. Em áreas rurais ou periferias urbanas, o uso de fossas improvisadas e a presença de fezes no ambiente aumentam o risco de os ovos dos vermes se espalharem pelo solo e pela água, favorecendo a entrada no organismo de crianças que brincam e circulam nesses espaços.

Quais são os sintomas e os riscos para o crescimento infantil?

Os sinais de lombriga em criança variam bastante. Em infecções leves, pode não haver sintomas claros. Em quadros mais intensos, pediatras observam com frequência:

  • Dor ou desconforto abdominal recorrente;
  • Diarréia ou alteração do hábito intestinal, às vezes intercalada com períodos de prisão de ventre;
  • Enjoo, vômitos e perda de apetite;
  • Coceira anal, especialmente à noite (mais típica de oxiúros);
  • Cansaço, palidez e sinais de anemia em infecções prolongadas;
  • Irritabilidade e dificuldades de concentração em crianças em idade escolar.

Estudos de saúde pública apontam que, em infestações intensas e repetidas, os parasitas podem competir com a criança pelos nutrientes, contribuindo para baixo ganho de peso, déficit de crescimento e maior risco de deficiências nutricionais, como falta de ferro e vitaminas. Pesquisas de campo coordenadas por universidades brasileiras mostram associação entre verminoses não tratadas e desempenho escolar inferior, resultado de um conjunto de fatores como sono ruim, fadiga e faltas frequentes às aulas por episódios de dor ou mal-estar.

Coceira, dor abdominal e anemia podem indicar infecção por vermes intestinais em crianças – depositphotos.com / AndrewLozovyi
Coceira, dor abdominal e anemia podem indicar infecção por vermes intestinais em crianças – depositphotos.com / AndrewLozovyi
Foto: Giro 10

Como prevenir lombrigas em crianças no dia a dia?

Profissionais de saúde reforçam que a prevenção de vermes intestinais depende de um conjunto de medidas simples, que podem ser incorporadas à rotina familiar e escolar. Entre as estratégias recomendadas por pediatras e parasitologistas estão:

  1. Higiene das mãos

    Ensinar e supervisionar o hábito de lavar as mãos com água e sabão:

    • Antes de comer ou preparar alimentos;
    • Após usar o banheiro;
    • Depois de brincar ao ar livre ou com animais.
  2. Cuidado com a água

    Priorizar água filtrada, fervida ou tratada. Em locais sem abastecimento seguro, ferver a água por alguns minutos antes do consumo reduz o risco de ingestão de ovos de parasitas.

  3. Alimentos bem lavados e cozidos

    Lavar frutas, verduras e legumes em água potável, retirando resíduos de terra. Quando possível, optar por alimentos cozidos, que tendem a ser mais seguros do ponto de vista parasitológico.

  4. Uso de calçados

    Evitar que a criança ande descalça em quintais, terrenos e áreas de risco. O uso de sandálias ou sapatos diminui a chance de penetração de larvas pela pele.

  5. Limpeza do ambiente

    Manter banheiros, pias e áreas de preparo de alimentos limpos, além de trocar e lavar regularmente roupas de cama e toalhas, especialmente em casas onde já houve casos de oxiúros.

  6. Vermifugação orientada

    Médicos costumam indicar vermífugos de amplo espectro em esquemas periódicos para crianças que vivem em áreas de maior risco. A indicação, o tipo de medicamento e a frequência devem ser avaliados caso a caso por profissional de saúde.

Campanhas de saneamento básico, acesso à água tratada e educação em saúde têm mostrado impacto na redução das verminoses infantis ao longo dos últimos anos no país. Ainda assim, especialistas reforçam que a atenção diária aos hábitos de higiene continua sendo a principal linha de defesa para que menos crianças convivam com lombrigas e para que o desenvolvimento físico e escolar ocorra da forma mais saudável possível.

Giro 10
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