Os 5 sintomas de gordura no fígado que costumam não ser notados
Doença é considerada silenciosa porque muitos pacientes não demonstram queixas exuberantes em relação aos sintomas
A esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado, é considerada uma doença silenciosa porque seus principais sintomas costumam não ser notados. Muitas vezes, ela é descoberta quando um paciente realiza uma ultrassonografia para investigar outras doenças e acaba acidentalmente a descobrindo.
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A médica Louise Deluiz Verdolin Di Palma, gastroenterologista do Hospital Samaritano Barra, explica ao Terra que a maior parte dos pacientes é assintomática. Embora muito inespecíficos, os 5 sintomas mais relacionados ao quadro são fadiga, mal-estar geral, desconforto ou dor vaga no lado superior direito do abdome, sensação de plenitude abdominal e coceira.
"Os sintomas são muito inespecíficos e podem ser atribuídos a outras causas. O sintoma mais comumente relatado, por exemplo, é a fadiga. Hoje em dia, quem não se sente cansado por situações de stress e sedentarismo? Além disso, muitas vezes os pacientes podem apresentar exames laboratoriais normais", afirma.
A esteatose costuma ocorrer quando há acúmulo excessivo de gordura nas células hépaticas (mais de 5%) e pode estar associada a obesidade, diabetes, colesterol alto ou consumo de álcool, por exemplo.
A especialista destaca que dois terços dos pacientes com a doença apresentam enzimas hepáticas normais. Quando a doença ainda está em estágio inicial, não há indícios de alteração na cor da urina ou das fezes.
"Quando há um problema no fígado, muitos pensam em icterícia (cor de pele e olhos mais alaranjados), que vem acompanhada de urina escura (colúria) e fezes claras (acolia fecal). Esses sinais só acontecem em estágios muito avançados da doença, quando o paciente já evoluiu para cirrose hepática descompensada", acrescenta.
Segundo a médica, isso acontece porque a esteatose hepática gera um dano hepatocelular, ou seja, é uma doença das células do fígado, diferentemente de uma doença que bloqueia o fluxo da bile, como a coledocolitíase (pedras na vesícula). Nesse último caso, a icterícia surge precocemente, sem o paciente ter uma doença estrutural hepática avançada.
"Como os sinais clássicos da doença do fígado (icterícia, colúria, acolia fecal) aparecem apenas em fases muito tardias e avançadas, a identificação precoce da esteatose depende de uma busca ativa. Um paciente que já chega com essas alterações perdeu tempo de ser tratado precocemente e adequadamente", alerta.
Entre as alterações que mostram que o paciente evoluiu com cirrose hepática descompensada estão a icterícia, ascite (barriga inchada por líquido), encefalopatia hepática (confusão mental) ou sangramento gastrointestinal (por varizes).
Esses sintomas, de acordo com a médica, mostram que o fígado já tem um dano estrutural tão grave que não consegue mais realizar suas funções. A sobrevida mediana de um paciente com cirrose cai para menos de 1,5 anos após a primeira descompensação.
A gordura no fígado tem tratamento e pode ser completamente revertida, especialmente se estiver nos estágios iniciais. Para isso, é importante ter o diagnóstico precoce e o acompanhamento nutricional em dia.
"A perda de peso maior ou igual a 10% pode trazer resolução, ou seja, cura da esteatohepatite em até 90% dos pacientes e regressão da fibrose (cicatrizes que acontecem no fígado com a progressão da doença) em 45%. O tratamento de primeira linha são as modificações dietéticas e relacionadas a atividade física, sendo recomendado 150-300 min por semana de exercício aeróbico de intensidade moderada ou 75-150 minutos de atividade vigorosa", orienta.
Já em relação a terapia com medicamentos, há algumas classes de drogas que ajudam no tratamento e que devem ser escolhidas de forma individual e baseada na gravidade da fibrose do paciente. A classificação desses pacientes em diferentes graus de fibrose se divide em F0-F1, F2, F3 e F4 (cirrose hepática).
"Atualmente, existem dois medicamentos aprovados pelo FDA para tratamento da esteatohepatite com fibrose moderada a avançada (F2-F3): o resmetirom (ainda não disponível no Brasil) e a semaglutida. Existem outros medicamentos, como a vitamina E e a pioglitazona, que podem ser usados em alguns perfis de pacientes", complementa.
A gastroenterologista ressalta, ainda, que o acompanhamento médico e diagnóstico precoce são fundamentais para que o paciente tenha um tratamento adequado e não evolua para forma grave e tardia da doença, a cirrose hepática.
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