Jovem que enfrenta câncer raspa cabelo e é surpreendida por cabeleireiro: 'Foi acolhedor'
Ana Julia recebeu diagnóstico de linfoma de Hodgkin poucos meses após se tornar mãe; ela já começou o tratamento, que envolve quimioterapia
A analista administrativa Ana Julia Bacher, de 29 anos, emocionou as redes sociais ao compartilhar um vídeo raspando o cabelo em meio ao tratamento contra o linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que se origina no sistema linfático. Durante o momento, a jovem foi surpreendida pelo primo e cabeleireiro, Luiz Agus, 33 anos, que também passou a máquina na própria cabeça, trazendo acolhimento.
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O gesto de empatia aconteceu na noite do dia 17 de março e depois foi compartilhado na internet. Moradora de Santa Gertrudes, no interior de São Paulo, Ana Julia conta que, 15 dias após a primeira sessão de quimioterapia, o cabelo começou a cair muito. "Fui pentear, meu cabelo soltou, saiu um pedaço. Foi muito difícil, por isso eu falei: 'não quero ficar passando por isso, eu vou raspar'", recorda.
Segundo a paulista, toda sua família tinha falado que queria raspar o cabelo junto, mas ela não deixou. Foi quando, na hora do corte, seu primo a surpreendeu. "Eu não esperava, a atitude dele me surpreendeu, foi acolhedor", diz Ana Julia. Ela ainda afirma que decidiu publicar o registro para encorajar outras pessoas que estão passando pela mesma situação.
Pelas redes sociais, Luiz também deixou um carinho para a prima: "É só uma fase e já já está de volta curada. Seu cabelo não te define, sua coragem e sua força são gigantes. Confesso, foi um trabalho muito difícil de fazer. A mão tremeu o tempo todo, mas fiz o seu pedido. E estarei sempre aqui, conte sempre comigo".
O diagnóstico de câncer
A descoberta do linfoma de Hodgkin aconteceu no início deste ano, poucos meses após Ana Julia se tornar mãe. Em setembro, ela deu à luz Ana Luiza, que agora está com seis meses. Em janeiro, a jovem retornaria ao trabalho da licença-maternidade e a empresa pediu alguns exames de rotina. No de tórax apareceu uma mancha e ela começou a investigar com os médicos.
Com o apoio da empresa, a analista foi para a capital paulista realizar outros exames e descobriu o câncer que afeta os linfonodos, pequenos órgãos espalhados pelo corpo que fazem parte do sistema de defesa e drenagem de líquidos do organismo.
"Foi tudo muito rápido. No dia 5 de fevereiro, saiu o laudo da minha biópsia. Na hora que eu li no celular, eu chorei muito, meu marido me abraçou. No outro dia eu já tive consulta com o médico, ele me explicou como funciona, que estava grande, mas tem uma alta chance de cura. Aquilo já me tranquilizou", detalha.
Em pouco tempo, Ana Julia já começou o tratamento, que inicialmente envolve quatro sessões de quimioterapia. Ela está na segunda sessão. Cada uma é feita durante uma semana, de segunda a sexta-feira, depois ela espera duas semanas e passa pela próxima. "Eu estou bem, graças a Deus, não tenho muitos efeitos colaterais, mas o corpo cansa muito. Essa segunda eu já me senti bem mais cansada."
Motivação para seguir em frente
Em meio ao tratamento, Ana Julia encontra na fé e na filha incentivos para enfrentar a doença. "Deus que dá força para a gente. Não é fácil, mas é uma luta que um dia vai terminar. Se Deus quiser, vai ser vitorioso", comenta. "Minha filha é a razão da minha vida. Distrai a cabeça, não dá nem tempo de pensar coisa ruim. Ela está aqui todo tempo, dá aquela risadinha. É uma benção", completa a jovem.
Ana Julia também cita a importância do apoio da família e dos amigos nesse período desafiador. "Nessas horas, a gente vê quem está do lado da gente. A minha família, não vou nem falar nome de ninguém para não esquecer, é muita gente que está me apoiando. Eu não seria nada sem eles e os meus amigos. Quem tem pessoas têm tudo. São instrumentos de Deus", diz a paulista.
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