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Invenção espanhola busca revolucionar combate a zika e outros vírus

6 jun 2017
06h02
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Um método inovador, elaborado por um grupo de cinco cientistas espanhóis, busca revolucionar a luta contra diferentes vírus transmitidos por mosquitos, como zika, dengue e chicungunha.

Trata-se de uma máquina desenvolvida em Valência, no leste da Espanha, capaz de separar de forma automática, com ajuda de um laser, as pupas de mosquitos machos das fêmeas, um processo-chave para reduzir a população de insetos com tecnologia nuclear.

A pupa é o estado pelo qual passam alguns insetos durante a transformação de larva a adulto.

A chamada Técnica do Inseto Estéril (TIE) consiste em esterilizar com radiação ionizada os mosquitos machos. Dessa forma, apenas as fêmeas picam os humanos e transmitem doenças.

Os machos esterilizados são liberados em áreas de risco para que se acasalem com as fêmeas, que assim deixam de se reproduzir, causando uma redução da população de mosquitos perigosos.

Uma das principais dificuldades desta técnica é a separação de sexos, um complicado e custoso processo, que é realizado até agora de forma manual, com o uso massivo de água e com uma porcentagem de erro que chega a até 6%, segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A nova tecnologia, desenvolvida por uma equipe de cientistas da empresa pública espanhola Tragsa, consegue eliminar com absoluta precisão e em pouco tempo os mosquitos fêmeas, cujo tamanho é maior que o dos machos.

O biólogo Carles Tur é um dos responsáveis deste método, que está a ponto de ser concluído para a sua comercialização. "Esperamos poder conseguir com a nossa máquina um milhão de mosquitos machos por dia", explicou à Agência Efe o cientista da Tragsa.

"Na China, o país que mais gente emprega para separar mosquitos pelo seu sexo, conseguem reunir cinco milhões de machos por semana. Estamos nos saindo muito bem com nossa maquina", afirmou Tur.

Segundo a AIEA, para poder combater doenças como a zika com a TIE são necessárias dezenas de milhões de mosquitos esterilizados.

O novo método de seleção de sexos consiste em colocar os insetos sobre um prato pequeno transparente que gira como um toca-discos.

Uma câmera de vídeo registra em questão de milissegundos o tamanho de cada um dos insetos e envia a informação a um aparelho laser, que em seguida dispara contra as pupas maiores, deixando ao final apenas os machos.

"Desta forma, alcançamos uma separação muito precisa, sem ter de recorrer a funcionários e sem erros possíveis", destacou Nacho Plá, outro dos responsáveis pela nova máquina.

"Buscamos algo matemático, que fosse padrão, que trabalhasse com estatísticas e que fosse o mesmo para todos os usuários e garantisse um bom resultado", resumiu esse engenheiro agrônomo.

Este projeto tem sido desenvolvido sob os cuidados da AIEA, uma das principais impulsoras da técnica do inseto estéril, que já é aplicada em 40 países, não só contra mosquitos, mas também contra outros insetos como a mosca da fruta e a mosca tsé-tsé.

Ainda que o uso desta técnica já funcione com grande sucesso há décadas contra a mosca da fruta, a sua aplicação contra o mosquito que transmite a zika é mais recente.

A epidemia deste vírus causou pânico na América Latina em 2015 e 2016, principalmente no Brasil e na Colômbia, pela transmissão de diversas doenças aos fetos.

Com a ajuda da AIEA, o Brasil está aplicando a TIE, mas necessita de dezenas de especialistas para separar os mosquitos machos das fêmeas, o que encarece muito o processo.

O fator econômico e a precisão na hora de separar as pupas por sexos é o que destaca também Aldo Malavasi Filho, diretor-geral adjunto da AIEA para assuntos científicos.

"A separação é a parte crítica deste processo. O que fazem em Valência com o laser é grandioso, é precioso", destacou o especialista brasileiro em declarações à Efe.

"Precisamos de um processo mais eficaz, já que a separação de mosquitos constitui entre 20% e 30% da despesa total da TIE", ressaltou Malavasi, que estima que a máquina da Tragsa estará disponível "dentro de um ano".

O preço estimado deste equipamento estará "abaixo de US$ 1 milhão", segundo previu o diretor adjunto da AIEA.

Dessa forma, os países interessados poderão adquiri-lo diretamente ou a AIEA os distribuirá no marco de seu programa de cooperação técnica com Estados com poucos recursos.

EFE   

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