Influenciadora Kah Felipe morre aos 36 anos após luta contra câncer e doença rara
Cearense acumulava mais de 750 mil seguidores nas redes sociais e estava em cuidados paliativos após o diagnóstico de metástase.
A influenciadora cearense Káh Felipe morreu na tarde desta sexta-feira (24), em Fortaleza, após enfrentar complicações provocadas pelo avanço de um câncer decorrente do xeroderma pigmentoso (XP), doença genética rara com a qual convivia desde a infância. Ela tinha 36 anos, era casada e deixa quatro filhos.
A morte de Karine de Sousa foi comunicada por meio de seu perfil oficial nas redes sociais, onde reunia mais de 750 mil seguidores e compartilhava sua rotina de tratamento, além de conscientizar o público sobre a doença.
"Nossa guerreira cumpriu sua missão e deixou um legado de força, coragem e, acima de tudo, de fé. A fé era a palavra que melhor a definia. Ela acreditou até o fim e lutou com todas as suas forças, sem nunca perder a esperança", diz a publicação divulgada pela família.
Nos últimos meses, o estado de saúde da influenciadora se agravou após a confirmação de metástase. Segundo ela havia relatado aos seguidores, os médicos estimaram uma expectativa de vida entre seis meses e dois anos. Desde então, Karine passou a se apresentar como uma paciente em cuidados paliativos.
Para controlar as dores provocadas pela doença, que já havia atingido os ossos, o fígado e os pulmões, ela utilizava morfina a cada quatro horas. Quando o medicamento deixava de fazer efeito, precisava ser levada ao Instituto do Câncer do Ceará (ICC), onde recebia atendimento especializado em cuidados paliativos.
Káh Felipe estava internada havia 18 dias. Durante esse período, passou por unidades como o Hospital Geral de Fortaleza e o Hospital Universitário do Ceará, onde tratava uma pneumonia e outras complicações relacionadas aos efeitos colaterais da quimioterapia.
Mesmo diante do agravamento do quadro, a influenciadora continuou dividindo com os seguidores os desafios do tratamento e da convivência com a doença.
O marido de Karine, Edmilson, também emocionou os seguidores ao falar sobre o sofrimento da esposa durante a batalha contra o câncer.
"Eu tô vendo a mulher mais forte desse mundo desmoronar, chorar, se perguntar por quê. Eu fico revoltado. Eu não sei o que fazer. Eu não tenho o que fazer. Eu não posso fazer nada a não ser dar o meu apoio e ser o mais forte que eu conseguir no meio disso tudo", desabafou em uma publicação feita durante o tratamento.
Primeiros sintomas apareceram ainda na infância
Karine começou a apresentar os primeiros sinais da doença quando tinha apenas três anos de idade. As manchas na pele foram inicialmente confundidas com sardas, mas, com o passar do tempo, evoluíram para tumores cutâneos.
Ao longo dos anos, ela transformou sua experiência em um trabalho de conscientização nas redes sociais, onde compartilhava informações sobre o xeroderma pigmentoso, os cuidados necessários para conviver com a condição e a importância do diagnóstico precoce.
O que é o xeroderma pigmentoso?
O xeroderma pigmentoso (XP) é uma doença genética rara, hereditária e não contagiosa, caracterizada por uma sensibilidade extrema à radiação ultravioleta. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), pessoas com a condição apresentam uma alteração genética que impede o organismo de reparar adequadamente os danos causados pelos raios solares ao DNA das células.
Como consequência, pequenas exposições ao sol podem provocar queimaduras, manchas, envelhecimento precoce da pele e aumentar significativamente o risco de desenvolvimento de câncer de pele ainda na infância ou na juventude.
Embora não tenha cura, a doença pode ser controlada com medidas rigorosas de proteção contra a radiação ultravioleta, como o uso constante de protetor solar, roupas especiais, óculos com proteção UV e a redução da exposição à luz solar, além de acompanhamento médico contínuo.
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