Hepatite A, B e C: diferenças, sintomas e como se proteger
Descubra as diferenças entre hepatite A, B e C, sintomas, causas, tratamentos e prevenção, e proteja seu fígado com informação segura
A hepatite viral aparece com frequência nas estatísticas de saúde pública no Brasil. As formas A, B e C atingem o fígado, mas seguem caminhos diferentes no contágio, na evolução e na resposta ao tratamento. Por isso, entender as particularidades de cada tipo ajuda na prevenção, no diagnóstico precoce e no cuidado adequado.
Essas infecções possuem causas distintas e exigem estratégias específicas de proteção. Em alguns casos, a doença se resolve sozinha. Em outros, torna-se silenciosa e crônica, com risco de cirrose e câncer de fígado. Assim, profissionais de saúde orientam a população a reconhecer sinais, saber quando procurar atendimento e manter a vacinação em dia.
O que é hepatite A e como ocorre a transmissão?
A hepatite A resulta de um vírus que se espalha principalmente pela via fecal-oral. Dessa forma, a pessoa se infecta ao ingerir água contaminada ou alimentos mal higienizados. O contágio também ocorre pelo contato próximo com alguém infectado, sobretudo em locais com saneamento precário.
Em geral, a hepatite A causa infecção aguda. O organismo elimina o vírus após algumas semanas ou meses. Por isso, a doença não costuma evoluir para forma crônica. Crianças muitas vezes apresentam poucos sintomas, o que favorece a circulação silenciosa do vírus em comunidades.
Sintomas, gravidade e tratamento da hepatite A
Os sintomas da hepatite A variam bastante. Alguns pacientes permanecem assintomáticos. Outros relatam cansaço intenso, febre baixa, enjoo, dor abdominal e falta de apetite. Em muitos casos, a pele e os olhos ficam amarelados. A urina escurece e as fezes se tornam claras.
Na maioria das pessoas, a hepatite A apresenta evolução benigna. Casos graves aparecem com menor frequência, porém podem incluir insuficiência hepática aguda. Nessa situação, o quadro exige internação imediata em serviço de alta complexidade.
O tratamento baseia-se em medidas de suporte. Assim, profissionais indicam repouso, hidratação adequada e alimentação equilibrada. Medicamentos específicos contra o vírus não fazem parte do manejo usual. No entanto, o acompanhamento médico se mantém essencial para avaliar exames e orientar o retorno às atividades. A vacinação contra hepatite A oferece proteção eficaz e integra o calendário de imunizações em diversas faixas etárias.
Hepatite B: quais são os riscos e como ela se compara à hepatite C?
A B resulta de um vírus que se transmite principalmente pelo sangue e por fluidos corporais. A contaminação ocorre em relações sexuais desprotegidas, no compartilhamento de seringas, em acidentes ocupacionais e na transmissão da gestante para o bebê. Procedimentos com materiais não esterilizados também ampliam o risco.
Esse tipo de hepatite pode se apresentar de forma aguda ou crônica. Quando o organismo não consegue eliminar o vírus, a infecção se torna persistente. Assim, ao longo de anos, o fígado pode desenvolver cirrose e carcinoma hepatocelular. Por esse motivo, especialistas consideram a hepatite B uma das formas mais preocupantes entre as hepatites virais.
Sintomas e formas de tratamento
Na fase aguda, muitos indivíduos não percebem sintomas claros. Quando aparecem, esses sinais se assemelham aos da hepatite A. Cansaço, mal-estar, dor muscular, falta de apetite e icterícia ocorrem com frequência. Mesmo assim, a maioria se recupera sem sequelas em poucos meses.
Já na fase crônica, a doença pode permanecer silenciosa por longo período. Com o tempo, surgem manifestações de cirrose, como inchaço nas pernas, acúmulo de líquido no abdome e sangramentos em varizes de esôfago. Nessa etapa, o fígado apresenta cicatrizes extensas e perde função.
O tratamento da hepatite B crônica utiliza antivirais específicos, como entecavir e tenofovir. Esses medicamentos reduzem a replicação viral e retardam a progressão da lesão hepática. O seguimento inclui exames de sangue regulares e, muitas vezes, avaliação de imagem do fígado. A vacinação contra hepatite B compõe uma das principais estratégias de prevenção e mostra alto grau de eficácia quando aplicada em esquema completo.
Qual é a mais grave?
A hepatite C frequentemente ocupa o centro das discussões sobre gravidade. O vírus da hepatite C se transmite, em especial, pelo contato com sangue contaminado. Assim, o compartilhamento de seringas, materiais de uso intranasal de drogas e instrumentos perfurocortantes sem esterilização adequada representa importante via de contágio.
Grande parte das pessoas com hepatite C permanece sem sintomas claros por muitos anos. Esse caráter silencioso favorece o diagnóstico tardio. Com a evolução, o fígado desenvolve inflamação crônica e fibrose progressiva. Nessa trajetória, cresce o risco de cirrose e câncer hepático. Por esse conjunto de fatores, a hepatite C se destaca como uma das formas mais graves.
Causas, sinais e tratamento
Os sinais iniciais, quando presentes, lembram outras hepatites: cansaço, dores pelo corpo, enjoo e algum desconforto abdominal. A icterícia aparece com menor frequência na forma crônica. Muitos diagnósticos ocorrem durante exames de rotina ou doação de sangue.
O tratamento da hepatite C mudou de forma significativa na última década. Atualmente, esquemas com antivirais de ação direta, em geral orais, permitem altas taxas de cura. Em muitos casos, o tratamento dura entre 8 e 12 semanas. A escolha do regime leva em conta o genótipo do vírus, a presença de cirrose e o histórico de terapias anteriores.
Quando a cirrose já se instalou, o acompanhamento precisa ser mais intenso. Profissionais monitoram sinais de descompensação e o risco de câncer de fígado. Em situações avançadas, o transplante hepático entra como alternativa terapêutica. No entanto, mesmo após o transplante, o controle do vírus segue como prioridade.
Como se proteger no dia a dia?
A prevenção reúne medidas simples, porém consistentes. No caso da hepatite A, o cuidado com água tratada, higiene das mãos e manipulação correta de alimentos reduz a circulação do vírus. Em regiões com saneamento limitado, campanhas educativas ganham importância adicional.
Para a hepatite B, a vacinação assume papel central. O esquema completo protege de forma duradoura e integra programas públicos de imunização. Além disso, a prática de sexo seguro, o uso de preservativos e o não compartilhamento de objetos perfurocortantes ajudam a interromper a cadeia de transmissão.
No contexto da hepatite C, a prevenção se concentra na redução da exposição ao sangue contaminado. Serviços de saúde utilizam materiais descartáveis e seguem normas rígidas de biossegurança. Programas de redução de danos, que oferecem seringas esterilizadas para usuários de drogas injetáveis, também diminuem o risco de infecção.
Principais diferenças
As diferenças entre as três formas podem ser resumidas em alguns pontos centrais.
- Via de transmissão: hepatite A se espalha pela via fecal-oral; hepatite B e C circulam principalmente pelo sangue e fluidos corporais.
- Evolução: hepatite A quase sempre permanece aguda; hepatite B e C podem se tornar crônicas.
- Gravidade: hepatite B e C apresentam maior risco de cirrose e câncer; a hepatite C se destaca pelo caráter silencioso e pela associação frequente com doença avançada.
- Prevenção: existem vacinas eficazes para hepatite A e B; para hepatite C, a principal proteção está na redução de exposição ao sangue contaminado.
- Tratamento: hepatite A recebe cuidados de suporte; hepatite B e C contam com antivirais específicos, com alto potencial de controle ou cura.
Assim, embora compartilhem o mesmo órgão-alvo, hepatite A, B e C exigem estratégias distintas de prevenção, diagnóstico e tratamento. O acesso à informação atualizada, à vacinação e a exames periódicos contribui para reduzir complicações e melhorar o panorama da doença hepática no país.