Exame de próstata: a partir de qual idade é recomendado?
O exame de próstata costuma gerar muitas dúvidas entre homens adultos, principalmente em relação à idade ideal para começar o acompanhamento. Por envolver temas como câncer de próstata, prevenção e saúde sexual, o assunto ainda carrega muitos mitos e receios. Dessa forma, muitos homens adiam a consulta e atrasam o diagnóstico de doenças que apresentam […]
O exame de próstata costuma gerar muitas dúvidas entre homens adultos, principalmente em relação à idade ideal para começar o acompanhamento. Por envolver temas como câncer de próstata, prevenção e saúde sexual, o assunto ainda carrega muitos mitos e receios. Dessa forma, muitos homens adiam a consulta e atrasam o diagnóstico de doenças que apresentam maior chance de controle quando o médico identifica o problema cedo.
Na rotina médica, o exame prostático funciona como ferramenta de rastreio e monitoramento da saúde masculina, assim como a mamografia atua para as mulheres. Em 2025, o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população ampliam a preocupação com o rastreamento do câncer de próstata. Por isso, a conversa sobre idade de início, tipos de exame e preparo ganha cada vez mais espaço em consultórios e campanhas de saúde.
A partir de qual faixa etária o exame de próstata é necessário?
A recomendação de idade para iniciar o exame de próstata varia conforme o risco individual de cada homem. Em geral, para homens com risco intermediário, sem histórico familiar e sem fatores adicionais relevantes, os especialistas indicam o rastreamento por volta dos 50 anos. A partir dessa fase, a incidência de alterações prostáticas aumenta de forma significativa. Assim, a avaliação periódica passa a fazer ainda mais sentido.
Homens classificados como de alto risco podem precisar iniciar o exame de próstata mais cedo, por volta dos 40 a 45 anos. Nesse grupo, entram indivíduos com parentes de primeiro grau (pai, irmão ou filho) que tiveram câncer de próstata, principalmente quando o diagnóstico ocorreu antes dos 60 anos. Além disso, homens negros apresentam maior incidência e mortalidade pela doença. Nessas situações, o médico ajusta a idade e a frequência dos exames de forma personalizada, sempre considerando o contexto de cada paciente.
Já homens sem sintomas urinários e sem fatores de risco importantes, antes dos 40 anos, raramente realizam rastreio de rotina, exceto em condições muito específicas. Portanto, o homem deve decidir, junto com o urologista ou clínico, o momento ideal para iniciar o acompanhamento da próstata. Essa decisão leva em conta o histórico familiar, as condições de saúde, o uso de medicamentos e a expectativa de vida.
Como é feito o exame de próstata na prática?
O exame de próstata utiliza uma combinação de métodos, e não apenas um procedimento isolado. Os dois principais são o toque retal e a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) no sangue. Em muitos casos, o médico solicita esses exames em conjunto, pois eles se complementam na avaliação da glândula.
O toque retal corresponde a um exame físico rápido, realizado no consultório. O médico coloca luva, aplica lubrificante e introduz o dedo no reto para palpar a próstata. Em poucos segundos, ele avalia o tamanho, a consistência e a presença de áreas endurecidas ou nódulos suspeitos. Apesar do desconforto e da vergonha que muitos homens relatam, o procedimento não costuma provocar dor intensa. Além disso, o toque retal oferece um recurso importante para detectar alterações iniciais e orientar os próximos passos.
O PSA corresponde a um exame de sangue simples, coletado em laboratório. A substância dosada é uma proteína que a próstata produz e que normalmente permanece em níveis baixos no sangue. Quando surgem inflamações, aumento benigno da próstata ou câncer, o valor pode subir. No entanto, um PSA alto não indica necessariamente um tumor maligno. Do mesmo modo, um PSA dentro da faixa de referência não exclui totalmente a doença. Por esse motivo, a análise conjunta com o toque retal, o histórico clínico e, quando necessário, exames de imagem se torna fundamental.
Quais outros exames podem ser solicitados pelo médico?
Quando o exame de próstata inicial levanta alguma suspeita, o especialista pode solicitar métodos complementares para esclarecer o quadro. Entre eles, a ultrassonografia da próstata, realizada pela via abdominal ou transretal, auxilia na medição mais precisa do volume da glândula e na identificação de áreas alteradas. Além disso, esse exame ajuda no planejamento de outros procedimentos, quando o médico considera necessário.
Em situações em que os achados clínicos e laboratoriais permanecem duvidosos, a ressonância magnética da próstata surge como alternativa cada vez mais frequente. Esse exame de imagem oferece detalhes anatômicos mais refinados e permite localizar regiões suspeitas que merecem investigação mais aprofundada. A partir dessas informações, o urologista decide se existe necessidade de biópsia prostática, procedimento que retira pequenos fragmentos da glândula para análise em laboratório.
O médico costuma indicar a biópsia da próstata quando observa PSA persistentemente elevado, alteração importante ao toque retal ou achados suspeitos em exames de imagem. Esse procedimento utiliza anestesia local ou sedação e ocorre em ambiente hospitalar ou em clínica especializada. O resultado anatomopatológico confirma ou afasta o diagnóstico de câncer de próstata. A partir desse laudo, o especialista define o tipo de tratamento mais adequado em cada caso, que pode incluir apenas vigilância ativa, cirurgia, radioterapia ou outras abordagens.
Quais sinais exigem atenção e acompanhamento regular?
Mesmo com recomendações de idade para o exame de próstata, alguns sinais clínicos exigem avaliação médica independentemente da faixa etária. Entre os sintomas mais associados a problemas prostáticos, destacam-se:
- Dificuldade para iniciar ou interromper o jato de urina;
- Vontade de urinar muitas vezes ao dia ou à noite;
- Jato urinário fraco ou intermitente;
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
- Dor ou ardência ao urinar;
- Presença de sangue na urina ou no sêmen.
Esses sintomas podem se relacionar ao crescimento benigno da próstata, conhecido como hiperplasia prostática benigna. Em outros casos, indicam infecções urinárias ou inflamações da glândula. No entanto, essas queixas também podem sinalizar alterações mais graves. Por isso, o homem não deve adiar a investigação. Mesmo quem já iniciou o rastreio na idade recomendada precisa manter o acompanhamento periódico, sempre com intervalos definidos caso a caso.
Como se preparar para o exame de próstata e manter o cuidado em dia?
Na maioria das vezes, o exame de próstata não exige preparo complexo. Para o PSA, alguns médicos orientam o paciente a evitar atividades que possam irritar a glândula, como andar de bicicleta por longos períodos. Além disso, muitos profissionais sugerem evitar relações sexuais nas 48 horas anteriores à coleta, para reduzir a chance de alterações transitórias nos resultados. No toque retal, o preparo costuma ser mínimo, e o profissional explica o passo a passo antes do procedimento. Essa explicação clara costuma diminuir a tensão e facilita a colaboração do paciente.
Para manter o cuidado com a próstata em dia, muitos especialistas sugerem uma rotina básica:
- Realizar consulta periódica com clínico ou urologista a partir da idade indicada para o seu perfil de risco;
- Conversar de forma aberta sobre histórico familiar de câncer de próstata e outras doenças;
- Realizar exames de PSA e toque retal com a frequência recomendada pelo médico;
- Adotar hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle do peso;
- Evitar automedicação para problemas urinários e buscar sempre avaliação profissional.
Ao entender a partir de que idade o exame de próstata se torna recomendado e como o médico realiza cada etapa, o homem ganha mais elementos para participar ativamente das decisões sobre o próprio cuidado. Assim, a informação clara e a conversa direta com o profissional de saúde reduzem barreiras emocionais e culturais. Como resultado, o rastreamento ocorre de forma adequada, sempre com respeito às particularidades de cada indivíduo.