Estado emocional pode causar manchas vermelhas na pele; entenda
Estresse, ansiedade e emoções intensas podem desencadear reações inflamatórias visíveis na pele
A pele é o maior órgão do corpo humano. Mas sua função vai muito além da proteção física. Pouca gente sabe que a pele e o sistema nervoso central compartilham a mesma origem embrionária, o que explica por que emoções intensas costumam se refletir diretamente na aparência da pele.
Em momentos de estresse, ansiedade ou sobrecarga emocional, o organismo libera uma série de hormônios.
Entre eles, o cortisol, conhecido como hormônio do estresse, é um dos principais responsáveis pelo surgimento de manchas vermelhas, coceiras e reações alérgicas.
"O excesso de cortisol promove um processo inflamatório, compromete a função de barreira da pele e afeta a imunidade", explica Patrícia França.
Segundo ela, o sistema imunológico reage às emoções, favorecendo quadros de alergia e inflamação cutânea.
Por que emoções afetam tanto a pele?
A pele é repleta de terminações nervosas. Essas terminações se comunicam diretamente com o cérebro.
Quando o estado emocional se altera, essa comunicação também muda. O resultado pode aparecer na forma de:
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vermelhidão;
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coceira;
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descamação;
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manchas;
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urticária.
Não se trata de algo "psicológico" no sentido pejorativo. É uma resposta fisiológica real do corpo.
O papel do cortisol nas manchas vermelhas
O cortisol é essencial em situações de alerta. O problema surge quando ele permanece elevado por muito tempo.
Em excesso, o hormônio:
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aumenta processos inflamatórios;
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reduz a capacidade de defesa da pele;
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prejudica a cicatrização;
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facilita reações alérgicas.
Esse cenário torna a pele mais sensível e reativa, favorecendo o surgimento de manchas vermelhas.
Urticária colinérgica: quando o estresse vira coceira
Segundo a dermatologista Mônica Aribi, o estresse pode causar um tipo específico de reação chamada urticária colinérgica.
Esse quadro se caracteriza por:
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pequenas manchas ou placas avermelhadas;
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coceira intensa;
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surgimento súbito;
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piora em situações emocionais ou com calor.
"A urticária colinérgica costuma aparecer nos braços e nas pernas e causa muita coceira", explica a médica, que é sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Dermatites emocionais também são comuns
Além da urticária, o impacto emocional pode desencadear dermatites.
De acordo com a Dra. Mônica, quadros de:
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ansiedade;
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estresse crônico;
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depressão;
podem favorecer condições como seborreia, caspa e aumento da oleosidade da pele.
Essas alterações costumam gerar manchinhas vermelhas, especialmente:
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no centro do rosto;
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ao redor do nariz;
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na testa;
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atrás das orelhas.
Nesse caso, diferentemente da urticária, geralmente não há coceira intensa.
O que são alergias emocionais?
Segundo Patrícia França, as chamadas alergias emocionais estão ligadas a um processo conhecido como somatização.
"Podemos dizer que é uma forma não verbal de expressar sentimentos", explica. O corpo manifesta emoções que não estão sendo elaboradas conscientemente.
Essa liberação emocional acontece de forma involuntária e pode atingir diferentes partes do organismo — incluindo a pele.
Como diferenciar manchas emocionais de outros problemas?
Nem toda mancha vermelha tem origem emocional. Por isso, o diagnóstico é essencial.
Alguns sinais que sugerem relação emocional:
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surgimento em períodos de estresse;
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melhora quando o emocional se estabiliza;
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recorrência em momentos de ansiedade;
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ausência de causa infecciosa aparente.
Mesmo assim, apenas um dermatologista pode confirmar a origem do problema.
Tratamento vai além de cremes
De acordo com a Dra. Mônica, o tratamento exige controle da causa e cuidado direto com a pele.
Em geral, pode incluir:
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corticoterapia tópica;
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medicamentos orais em casos mais graves;
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antialérgicos, quando indicados.
Mas tratar apenas a pele não resolve tudo.
Estilo de vida influencia diretamente
Patrícia França reforça que um bom tratamento deve considerar a história clínica do paciente, o ambiente em que vive e os hábitos diários.
Privação de sono, alimentação inadequada e estresse constante:
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agravam inflamações;
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reduzem a imunidade;
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prolongam os sintomas na pele.
Por isso, o cuidado precisa ser global.
Manejo do estresse ajuda a prevenir crises
Uma das principais estratégias de prevenção é o controle do estresse e da ansiedade.
Segundo a farmacêutica, quando o impacto emocional diminui, o gatilho inflamatório também reduz.
Algumas medidas ajudam:
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atividade física regular;
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sono de qualidade;
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técnicas de respiração;
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pausas na rotina;
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acompanhamento psicológico, quando necessário.
Imunidade e intestino também entram na equação
Patrícia destaca ainda a importância da imunidade. Suplementos imunomoduladores podem ser indicados por profissionais.
Além disso, cuidar da microbiota intestinal faz diferença. "O intestino produz cerca de 80% dos neurotransmissores ligados ao bem-estar", explica.
Quando o intestino está em equilíbrio, o impacto emocional tende a ser menor.
Tratamento emocional também é tratamento de pele
Os tratamentos farmacológicos costumam incluir antialérgicos e corticoides. Mas, sem tratar a causa emocional, os sintomas podem persistir.
"O suporte psicológico é útil e necessário em muitos casos", finaliza Patrícia França.
Cuidar da saúde emocional é cuidar da pele. Quando mente e corpo entram em equilíbrio, a pele responde.
Manchas vermelhas não são apenas um sinal estético. Muitas vezes, são um pedido de atenção do organismo como um todo.