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Empresária diz que quase ficou cega após usar produto da marca de Virginia; especialistas fazem alertas

Mulher diz que sofreu com queimadura na região dos olhos depois de aplicação de sérum fortalecedor para cílios e sobrancelhas

28 jul 2025 - 04h59
(atualizado em 28/7/2025 às 13h33)
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Consumidora afirma que teve córneas queimadas após usar produto da Wepink
Consumidora afirma que teve córneas queimadas após usar produto da Wepink
Foto: Arquivo pessoal/Lidiane Herculano/Reprodução/Instagram/@virginia

O sérum fortalecedor para cílios e sobrancelhas da Wepink, marca da influenciadora Virgínia Fonseca, deu o que falar nas últimas semanas. Isso porque uma cliente alega que teve queimadura nas duas córneas após o uso do produto. Especialistas ouvidos pela Terra apontaram os riscos de cosméticos desse tipo serem usados próximo à área dos olhos. 

Lidiane Herculano afirma que sofreu a queimadura após o uso do Wedrop, produto “desenvolvido para fortalecer e nutrir as raízes dos fio”, segundo informa o fabricante. Ela é consumidora da marca há algum tempo, tem vários produtos, mas esse, especificamente, nunca havia usado e recebeu após a compra de um kit com vários itens.

“Como eu já havia usado um outro fortalecedor, só que de uma outra marca e nunca tinha tido nenhum problema, usei”, explicou à reportagem. 

A empresária fez a aplicação seguindo a recomendação da embalagem, apenas na parte externa dos fios. Naquele momento, sentiu uma certa ardência, mas nada que a incomodasse demais e foi dormir. 

De madrugada, acordou com os olhos embaçados, como se tudo estivesse “nublado”. “A única coisa que eu tinha passado no rosto naquela noite, nos olhos, era o Wedrop”, explica. Então, Lidiane  decidiu lavar os olhos e passar um soro fisiológico antes de voltar a dormir. 

Ao acordar cedinho, tudo ainda parecia nublado, como se a casa estivesse “incendiada”. Mesmo com o incômodo, ela foi para o trabalho, contou às amigas o que estava acontecendo e foi orientada a procurar um oftalmologista. Após a consulta, veio o diagnóstico: ela havia queimado as duas córneas. 

Produto prometia fortalecer cílios e sobrancelhas
Produto prometia fortalecer cílios e sobrancelhas
Foto: Reprodução/wepink

“Me passou quatro colírios, comecei a fazer o uso deles no trabalho mesmo, um deles tinha um protocolo de uma em uma hora. Mas durante o dia não melhorou, continuava aquela nebulosidade, mesmo forçando, mesmo com os colírios. [...] Quando eu acordei no dia seguinte, estava muito pior, com muita dor, os meus olhos saíam muita água, eu já não conseguia mais enxergar quase nada, por sorte, a última chamada tinha sido do meu esposo e liguei para ele para dizer o que estava acontecendo”, relembra. 

Achou que não ia mais enxergar 

Preocupada, Lidiane procurou um hospital especializado em tratamento para os olhos. “Ele até fez uma associação do produto que algumas mulheres usaram para fazer trança e que provocava esse tipo de queimadura”, aponta. 

Com outros remédios, ela seguiu o tratamento em casa, mas seguiu sem conseguir abrir os olhos direito por quatro dias, vendo tudo “branco”. Além do físico, a situação também a abalou psicologicamente. 

“Eu falei: 'Nossa, eu vou ficar cega, eu não vou mais conseguir enxergar’. O tempo todo passava pela minha cabeça que tinha acontecido alguma coisa e que aquilo aí não ia ser reversível”, desabafa. 

Lidiane afirma ter ficado com as córneas queimadas após uso do Wedrop
Lidiane afirma ter ficado com as córneas queimadas após uso do Wedrop
Foto: Arquivo pessoal/Lidiane Herculano

Outras reclamações

No dia 29 de junho, ela entrou em contato com a marca, mas eles só deram retorno depois de alguns dias, quando o caso repercutiu nas redes sociais, segundo Lidiane. O marido dela publicou um vídeo para alertar sobre o caso, após ver outras reclamações no site Reclame Aqui, como relatos de coceira, inchaço, irritação e queimadura nas córneas após o uso do Wedrop

A WePink, inclusive, figura entre os nomes com mais queixas no site de reclamações, uma das principais plataformas de avaliação de empresas do País. No levantamento referente aos últimos seis meses, atualizado no dia 11 de junho, a Wepink aparece na 15ª colocação, com 48.277 reclamações -- ultrapassando até mesmo bancos tradicionais.

Outros clientes denunciaram o produto no Reclame Aqui
Outros clientes denunciaram o produto no Reclame Aqui
Foto: Reprodução/Reclame Aqui

Em contato com a reportagem, o advogado Felipe dos Santos de Paula, que representa o jurídico da empresa de Virgínia Fonseca, afirmou que Wepink procurou Lidiane e seu marido e pediu a autorização para coletar e periciar o produto. 

“O Código de Defesa do Consumidor (CDC) permite que a empresa faça a análise e resolva o problema em até 30 dias. Porém, a Lidiane se negou a fornecer o produto para análise, assim como nunca nos enviou o laudo médico. Portanto, não temos como nos posicionar sobre o caso”, alegou. 

Outros clientes denunciaram o produto no Reclame Aqui
Outros clientes denunciaram o produto no Reclame Aqui
Foto: Reprodução/Reclame Aqui

O profissional também disse que a empresa tem todos os testes oftalmológico e dermatológico e está segura quanto à segurança do produto.

No entanto, Artur Roldão, que representa Lidiane no processo, afirmou que o laudo será apresentado em juízo, conforme a ação que será movida contra a empresa. O defensor alega que o sérum fortalecedor para cílios e sobrancelhas não foi entregue porque foi submetido a análise de um perito técnico imparcial. 

Outros clientes denunciaram o produto no Reclame Aqui
Outros clientes denunciaram o produto no Reclame Aqui
Foto: Reprodução/Reclame Aqui

“Eles apresentando os testes do produto, demonstrando que realmente pode ter sido só um erro de lote, alguma coisa assim, a gente estava disposto a lidar com isso extrajudicialmente”, explica. Porém, o advogado afirma que a empresa não colaborou com sua cliente. 

“A gente optou por ficar com o produto, porque se isso for para ser periciado, se isso for para ser analisado, vai ser por algum técnico imparcial, vai ser por alguém de fora, porque a gente já viu que a Wepink tem essa prática, pelo menos com outra consumidora que teve um caso idêntico, de pegar o produto, devolver o dinheiro e ficar como se isso fosse suficiente”, declarou a defesa. 

A reportagem procurou por 'fortalecedor' e 'wedrop' no site da marca, mas o produto já não aparece mais entre o catálogo, nem como indisponível. 

Wedrop, da Wepink, já não está mais disponível no site
Wedrop, da Wepink, já não está mais disponível no site
Foto: Reprodução/wepink

Alerta sobre cosméticos próximo aos olhos

A oftalmologista Luciana Pires Zambom fez uma breve análise sobre produtos cosméticos usados próximos aos olhos, e afirmou que sim, eles podem agredir a superfície ocular ocasionando pequenas lesões na córnea, conjuntiva e pálpebras.

“Os cosméticos ocasionam alterações da superfície ocular, alterando a lágrima e proporcionando irritação ocular, dor e até lesões corneanas com maior gravidade. Isso pode proporcionar sintomas como ardor, olho vermelho e, dependendo da intensidade, embaçamento visual e dor ocular”, explica. 

A especialista ainda orienta evitar o direto com o globo ocular e, em caso de irritação ocular, suspender o uso do produto imediatamente e procurar um oftalmologista.

Composição

O Terra também consultou o químico industrial, doutor em vigilância sanitária e membro do Conselho Federal de Química (CFQ), Ubiracir Fernandes Lima, para falar sobre possíveis componentes da formulação que podem apresentar algum risco. Ele salienta que todo produto pode causar alguma reação, e que isso pode variar de acordo com a pele.

Lima argumenta que há produtos notificados e registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os da primeira categoria são aqueles de grau 1, que oferecem baixo risco para a população, como cosméticos e produtos de beleza. Esse é o caso do fortalecedor da Wepink

Já os da segunda têm maior potencial, portanto, a empresa precisa encaminhar mais documentos para comprovar que são seguros e eficazes. Quanto aos componentes da fórmula do sérum, ele apontou alguns que podem dar algum tipo de reação:

  •  acrilato de etila - formado por uma reação química entre ácido acrílico e um álcool, muito comum em esmaltes, tintas e plásticos; 
  • ácido cítrico;
  • cafeína

Todos eles podem causar alguma irritação, caso sejam usados em maior concentração ou de maneira inadequada. “Se eu estiver exposto a uma concentração, numa quantidade pequena e que foi testada, não há problema nenhum. Eu monitoro, controlo esse risco”, argumenta. 

O farmacêutico-bioquímico e doutor em ciências farmacêuticas, Victor Infante, aponta ainda outros componentes que podem trazer alguma reação. 

  • Imidazolidinilureia - conservante, que se usa muito pouco em formulações como essa;
  • Pentilenoglicol - umectante e solvente, muito comum em cosméticos também e com propriedades conservantes. 

Assim como Lima, ele salienta que todo produto pode ou não dar alguma reação e que isso é muito individual. “Existem ingredientes que têm uma maior capacidade de causar algum tipo de irritação, especialmente quando a gente pensa na região ocular. Alguns ingredientes podem ser mais ativos nesse sentido, mas vai depender da concentração, vai depender da forma como ele se apresenta, vai depender do tipo de formulação”, afirma. 

Anvisa 

No site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tanto o Wedrop incolor quanto o black tinham dois cadastros, de duas fábricas diferentes e todos ativos até a última sexta-feira, 18. No entanto, segundo a Agência informou à reportagem, os produtos fabricados pela empresa Athenas Indústria e Tercerização de Cosméticos Ltda Epp tiveram suas notificações canceladas pelo órgão regulador e, portanto, desta forma, não estão regularizados. 

“Esses produtos foram cancelados porque possuem o mesmo nome que outros dois produtos anteriormente regularizados, porém com diferentes composições, descumprindo a Lei 6360/76”, declara. 

Conforme a lei, o artigo 5º da Lei diz o seguinte: 

Art. 5º Os produtos de que trata esta Lei não poderão ter nomes, designações, rótulos ou embalagens que induzam a erro. (Redação dada pela Lei nº 13.236, de 2015) (Vigência)

§ 1º - É vedada a adoção de nome igual ou assemelhado para produtos de diferente composição, ainda que do mesmo fabricante, assegurando-se a prioridade do registro com a ordem cronológica da entrada dos pedidos na repartição competente do Ministério da Saúde, quando inexistir registro anterior. 

O cancelamento foi publicado na última segunda-feira, 21, no Diário Oficial da União.

O Terra pediu novamente uma posicionamento do jurídico da empresa, que preferiu não se manifestar. 

Fonte: Redação Terra
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