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Doença celíaca: especialista derruba 5 mitos sobre diagnóstico e dieta

Condição autoimune ainda é cercada por desinformação e pode passar anos sem diagnóstico

13 abr 2026 - 12h50
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A doença celíaca ainda é cercada por desinformação. Isso dificulta o diagnóstico e faz com que muitos pacientes convivam com sintomas por anos sem saber a causa. Ao contrário do que muitos pensam, a condição não é apenas uma intolerância ao glúten.

Especialista alerta que a doença celíaca vai além do intestino e pode ser subdiagnosticada
Especialista alerta que a doença celíaca vai além do intestino e pode ser subdiagnosticada
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Segundo Cássio Vieira de Oliveira, gastroenterologista e endoscopista, chefe do Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, trata-se de uma doença autoimune. "Ela pode afetar diversos órgãos e nem sempre apresenta sinais evidentes", explica.

Por isso, entender os mitos mais comuns é essencial para evitar erros, especialmente na alimentação e no diagnóstico.

O que é a doença celíaca e por que há tanta confusão

A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pelo consumo de glúten. Ela pode afetar não apenas o intestino, mas também outros sistemas do corpo.

A confusão acontece porque os sintomas variam muito. Em alguns casos, eles são leves ou até inexistentes. Isso contribui para o alto número de pessoas sem diagnóstico.

"Derrubar esses mitos é fundamental para ampliar o reconhecimento da doença e evitar condutas inadequadas", alerta o especialista.

Mito 1: É apenas uma intolerância ao glúten

Segundo o médico, essa é uma das maiores confusões.

"Não, a doença celíaca é uma doença autoimune, não uma simples intolerância. É uma condição sistêmica que pode afetar qualquer órgão ou tecido humano", afirma.

Mito 2: Sempre causa sintomas digestivos

Outro erro comum é acreditar que os sintomas estão apenas no intestino.

"Não, muitas vezes a doença se apresenta sem sintomas digestivos", explica o especialista.

Ele destaca que manifestações fora do intestino são frequentes, como:

  • Problemas neurológicos, como enxaqueca e ansiedade.
  • Alterações reprodutivas, como infertilidade.
  • Doenças de pele, como dermatite herpetiforme.
  • Osteoporose e dores musculares.
  • Anemia por deficiência de ferro ou vitamina B12.

"Até 22% dos pacientes apresentam sintomas neurológicos ou psiquiátricos", acrescenta.

Mito 3: Cortar o glúten sem diagnóstico resolve

Muitas pessoas retiram o glúten por conta própria. Isso pode atrapalhar o diagnóstico.

"Remover o glúten antes dos exames reduz a sensibilidade dos testes e pode gerar resultados falso-negativos", alerta.

Ou seja, a pessoa pode ter a doença e não ser diagnosticada corretamente.

Mito 4: Pequenas quantidades não fazem mal

Esse é outro ponto importante.

"Não existe um limiar seguro de glúten para pacientes com doença celíaca", afirma o médico.

Mesmo pequenas quantidades podem ativar a resposta imunológica e causar danos ao organismo.

Mito 5: É uma doença rara

Apesar do que muitos pensam, a doença é mais comum do que parece.

"A prevalência é de cerca de 1% da população, mas muitos casos não são diagnosticados", explica.

Segundo ele, até 70% das pessoas com a condição podem não saber que têm a doença.

Quando procurar ajuda médica

Diante de sintomas persistentes ou dúvidas, o ideal é buscar avaliação médica. O diagnóstico correto depende de exames específicos.

Evitar a automedicação ou mudanças radicais na dieta é essencial. O acompanhamento profissional garante um tratamento mais seguro e eficaz.

Saúde em Dia
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