Doença celíaca: especialista derruba 5 mitos sobre diagnóstico e dieta
Condição autoimune ainda é cercada por desinformação e pode passar anos sem diagnóstico
A doença celíaca ainda é cercada por desinformação. Isso dificulta o diagnóstico e faz com que muitos pacientes convivam com sintomas por anos sem saber a causa. Ao contrário do que muitos pensam, a condição não é apenas uma intolerância ao glúten.
Segundo Cássio Vieira de Oliveira, gastroenterologista e endoscopista, chefe do Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, trata-se de uma doença autoimune. "Ela pode afetar diversos órgãos e nem sempre apresenta sinais evidentes", explica.
Por isso, entender os mitos mais comuns é essencial para evitar erros, especialmente na alimentação e no diagnóstico.
O que é a doença celíaca e por que há tanta confusão
A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pelo consumo de glúten. Ela pode afetar não apenas o intestino, mas também outros sistemas do corpo.
A confusão acontece porque os sintomas variam muito. Em alguns casos, eles são leves ou até inexistentes. Isso contribui para o alto número de pessoas sem diagnóstico.
"Derrubar esses mitos é fundamental para ampliar o reconhecimento da doença e evitar condutas inadequadas", alerta o especialista.
Mito 1: É apenas uma intolerância ao glúten
Segundo o médico, essa é uma das maiores confusões.
"Não, a doença celíaca é uma doença autoimune, não uma simples intolerância. É uma condição sistêmica que pode afetar qualquer órgão ou tecido humano", afirma.
Mito 2: Sempre causa sintomas digestivos
Outro erro comum é acreditar que os sintomas estão apenas no intestino.
"Não, muitas vezes a doença se apresenta sem sintomas digestivos", explica o especialista.
Ele destaca que manifestações fora do intestino são frequentes, como:
- Problemas neurológicos, como enxaqueca e ansiedade.
- Alterações reprodutivas, como infertilidade.
- Doenças de pele, como dermatite herpetiforme.
- Osteoporose e dores musculares.
- Anemia por deficiência de ferro ou vitamina B12.
"Até 22% dos pacientes apresentam sintomas neurológicos ou psiquiátricos", acrescenta.
Mito 3: Cortar o glúten sem diagnóstico resolve
Muitas pessoas retiram o glúten por conta própria. Isso pode atrapalhar o diagnóstico.
"Remover o glúten antes dos exames reduz a sensibilidade dos testes e pode gerar resultados falso-negativos", alerta.
Ou seja, a pessoa pode ter a doença e não ser diagnosticada corretamente.
Mito 4: Pequenas quantidades não fazem mal
Esse é outro ponto importante.
"Não existe um limiar seguro de glúten para pacientes com doença celíaca", afirma o médico.
Mesmo pequenas quantidades podem ativar a resposta imunológica e causar danos ao organismo.
Mito 5: É uma doença rara
Apesar do que muitos pensam, a doença é mais comum do que parece.
"A prevalência é de cerca de 1% da população, mas muitos casos não são diagnosticados", explica.
Segundo ele, até 70% das pessoas com a condição podem não saber que têm a doença.
Quando procurar ajuda médica
Diante de sintomas persistentes ou dúvidas, o ideal é buscar avaliação médica. O diagnóstico correto depende de exames específicos.
Evitar a automedicação ou mudanças radicais na dieta é essencial. O acompanhamento profissional garante um tratamento mais seguro e eficaz.
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