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Do café forte ao banho gelado: conheça 10 mitos sobre a cura da ressaca

Especialistas avaliam práticas usadas para tentar diminuir o impacto do álcool no organismo

1 jan 2026 - 08h11
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A ressaca é cercada de mitos no imaginário popular. São comuns "truques" para lidar com a situação e tentar diminuir desconfortos como enjoos e dor de cabeça. Mas será que isso faz sentido? Para rever algumas dessas crenças à luz da base científica, o Estadão conversou com especialistas em gastroenterologia e hepatologia.

O primeiro passo, afirmam os médicos, é entender como a ressaca se diferencia da embriaguez. "A ressaca é o termo popular para os efeitos agudos do álcool no organismo", diz Mario Kondo, gastroenterologista do Hospital Sírio-Libanês. Ele explica que, nesse cenário, os principais sintomas ocorrem devido à desidratação e à ação tóxica do álcool, que pode levar de seis a oito horas para ser metabolizado no corpo.

Já a embriaguez acontece durante ou logo após o consumo excessivo de álcool, causando desorientação, dificuldade de andar, falar ou manter o equilíbrio.

Segundo Marlone Cunha, hepatologista da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), alguns dos mitos que cercam a ressaca, como tomar café forte ou banho frio, surgem exatamente por causa da confusão entre os cenários. "Essas estratégias são aplicadas durante a embriaguez, não na ressaca, e mesmo assim não eliminam o efeito do álcool", diz.

A seguir, confira alguns dos mitos relacionados ao consumo de álcool em excesso.

1- A ressaca é igual para todos

Nem todos são afetados da mesma forma pelo excesso de bebida. "Algumas pessoas têm ressacas mais intensas", diz Kondo. O gastroenterologista explica que isso pode acontecer por diferentes fatores, como o consumo de maiores quantidades ou devido a um metabolismo mais lento.

Cunha elenca ainda outras possibilidades: "Existem princípios que são genéticos, existe a influência do sexo e da idade também, já que as enzimas que metabolizam álcool vão diminuindo com o passar do tempo".

2- Remédios curam a ressaca

Os especialistas são unânimes ao afirmar que não existe remédio capaz de curar a ressaca. Como ela resulta da intoxicação aguda por álcool, nenhum medicamento é capaz de "apagar" esse processo.

Cunha pontua que alguns remédios podem, inclusive, piorar o quadro. "O paciente pode estar com dor do corpo, mas ele não deve tomar um anti-inflamatório, por exemplo." Segundo o hepatologista, essa categoria de medicação deve ser evitada porque irrita a mucosa gástrica e sobrecarrega o fígado.

O que pode ser feito é aliviar sintomas específicos, como dor de cabeça ou náusea. Kondo explica que a maior parte dos sintomas está relacionada à desidratação e, por isso, sugere que esse seja o maior foco para aliviar a ressaca.

3- Tomar café ajuda

O café não trata casos de ressaca. O que ele pode fazer é dar uma sensação momentânea de alerta para quem bebeu e ajudar indiretamente "por contribuir para a hidratação e porque a cafeína pode atuar como adjuvante de analgésicos, especialmente para dor de cabeça", diz Kondo.

Cunha lembra, porém, que a bebida pode causar náuseas e vômitos em quem está com o estômago irritado pelo álcool.

4- O banho frio é um aliado

No imaginário popular, nada como um banho frio para "curar" a ressaca. Entretanto, Kondo cita que não há base científica para tal afirmação.

De forma prática, esse mito corresponde a um exemplo clássico da confusão entre o que fazer para lidar com a embriaguez e com a ressaca.

"As pessoas podem dar banho frio, café, no período de embriaguez", explica Cunha. A medida, segundo ele, "pode até dar uma despertada" no indivíduo, mas não é capaz de eliminar o efeito do álcool e nem de facilitar esse processo.

5- Bebidas 'melhores' não causam ressaca

Cunha diz que esse mito pode estar relacionado aos componentes extras que bebidas adulteradas podem ter. Nesse cenário, as pessoas acabam tendo a sensação de que rótulos mais caros são melhores em termos de efeitos no organismo.

"Se você tomar uma vodka adulterada, vai ter um monte de efeito colateral por causa das substâncias que foram inseridas", explica.

De modo geral, não se trata da bebida em si, mas da quantidade de álcool ingerida. "Quem causa a ressaca é o etanol, que está presente em todas as bebidas alcoólicas, independentemente da procedência ou da qualidade", diz Kondo.

6- A ordem das bebidas interfere

Segundo os especialistas, tomar cerveja antes do destilado ou vice-versa não faz diferença para o fígado: o órgão metaboliza o etanol independentemente da forma como ele foi ingerido. "Não importa se é aguardente, cerveja, licor, vinho", enfatiza o hepatologista.

Além disso, Kondo acrescenta que não há uma ordem "mais segura" para a ingestão de álcool, considerando os efeitos da ressaca. "Na prática, trata-se apenas de misturar álcool com álcool", diz.

7- Misturar bebidas pode piorar a ressaca

Esse mito defende que quem começa com um certo tipo de bebida e segue com ele até o fim pode fugir da ressaca no dia seguinte. Porém os especialistas afirmam que não é bem assim.

Cunha explica: "Quando você mistura muito, a tendência é beber mais. Então, não é porque misturou tudo, é porque bebeu muito mais álcool". Por isso, o maior problema aqui acaba sendo o excesso.

8- Há bebidas que eliminam o álcool

Há quem defenda que tomar isotônicos ou água com limão seja uma forma de driblar a ressaca, eliminando o álcool do corpo. No entanto, nenhuma dessas bebidas é capaz de acelerar a metabolização do etanol ingerido.

Os especialistas explicam que o que elas fazem, na verdade, é ajudar na hidratação.

Cunha pontua que o álcool inibe o hormônio antidiurético, fazendo com que a pessoa urine bastante e tenha níveis menores de sódio no organismo. "É daí que vem a desidratação", diz.

Por isso, nesse aspecto, Kondo recomenda o uso de isotônicos, água com limão ou qualquer bebida que ajude na hidratação. "(Elas) contribuem para a melhora dos sintomas da ressaca e devem ser consumidas em quantidades generosas."

9- Água entre os drinks previne a ressaca

A água não acelera a eliminação do álcool do organismo, mas ajuda de duas maneiras.

A primeira delas é reduzir a quantidade total de álcool ingerido. A lógica é simples: "Da mesma forma que quem misturar tudo vai beber mais álcool, quem bebe e toma água vai ingerir menos álcool", diz Cunha.

A segunda é pela hidratação do corpo. "Água entre taças de vinho, gelo no destilado ou outras formas de diluir o consumo ajudam a reduzir os sintomas no dia seguinte", afirma Kondo.

10- Exercícios físicos fazem 'suar' o álcool

Apesar da atividade física ser ótima para a saúde de modo geral, ela não é recomendada durante ou mesmo após o consumo de álcool. "O exercício físico não vai fazer com que o álcool seja 'suado' porque o álcool não é eliminado pelo suor", ressalta o hepatologista.

Insistir nessa ideia pode, inclusive, trazer problemas. Segundo Kondo, fazer atividade física durante a ressaca pode piorar os sintomas, já que leva à perda adicional de líquidos em um organismo que já está desidratado.

Cunha adiciona outros riscos, como queda devido à falta de coordenação motora, alterações da pressão arterial e até arritmia. E conclui: "Fora do consumo do álcool, exercício físico é sempre benéfico porque vai favorecer a função hepática na hora de metabolizar todas as substâncias que o paciente ingere".

Estadão
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