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Bloqueio do nervo frênico: por que a técnica é usada no tratamento do soluço crônico

Bloqueio do nervo frênico contra soluço crônico: entenda como o método funciona, riscos, benefícios e relação com o caso de Jair Bolsonaro

1 jan 2026 - 12h03
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O soluço costuma ser passageiro, mas em alguns casos se torna persistente e interfere em atividades básicas, como falar, comer e dormir. Quando o quadro se prolonga por dias ou semanas, passa a ser chamado de soluço crônico e pode exigir investigação detalhada e tratamentos específicos. Entre as opções mais avançadas está o bloqueio do nervo frênico, técnica citada em casos de grande repercussão, como o do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que desperta dúvidas sobre como funciona e por que é utilizada.

Para entender o motivo de o bloqueio do nervo frênico ajudar a interromper o soluço crônico, é necessário conhecer um pouco da anatomia envolvida e dos mecanismos que disparam esse reflexo. O soluço não é apenas um "espasmo sem importância": ele resulta de uma cadeia de estímulos que começa em nervos, passa pela medula e pelo cérebro, e termina no movimento involuntário do diafragma, o principal músculo da respiração.

O que é o nervo frênico e qual sua função no soluço crônico?

O nervo frênico é um par de nervos que se origina na região cervical da medula espinhal e desce pelo tórax até alcançar o diafragma. Ele atua como a principal via de comando motor para esse músculo, que sobe e desce a cada respiração. Quando ocorre um soluço, há uma contração brusca e involuntária do diafragma, seguida pelo fechamento rápido das cordas vocais, produzindo o som característico.

No soluço comum, essa sequência é ativada de forma temporária, muitas vezes por irritação do estômago, consumo de bebidas gaseificadas ou mudanças bruscas de temperatura. No soluço persistente ou intratável, porém, a irritação pode envolver diretamente o nervo frênico ou estruturas próximas, mantendo o diafragma em uma espécie de "curto-circuito" motor. Nesse cenário, o nervo frênico se torna um alvo estratégico, pois ele é o principal condutor do impulso que provoca a contração repetitiva.

Em casos de soluço crônico, o bloqueio do nervo frênico pode interromper o ciclo de contrações involuntárias – depositphotos.com / 9nong
Em casos de soluço crônico, o bloqueio do nervo frênico pode interromper o ciclo de contrações involuntárias – depositphotos.com / 9nong
Foto: Giro 10

Por que o bloqueio do nervo frênico pode interromper o soluço?

O bloqueio do nervo frênico é um procedimento em que o médico aplica um anestésico local, e em alguns casos outras substâncias, ao redor do nervo, com o objetivo de interromper temporariamente a transmissão do impulso nervoso. Ao "desligar" essa via, o diafragma deixa de receber o sinal que desencadeia as contrações involuntárias, o que pode levar ao desaparecimento do soluço crônico.

Esse tipo de bloqueio é considerado quando:

  • o soluço dura mais de 48 horas ou semanas, caracterizando um quadro persistente;
  • medicações por via oral ou venosa não apresentam resultado satisfatório;
  • o sintoma está causando prejuízo importante ao sono, à alimentação ou à recuperação de outras doenças;
  • há suspeita ou evidência de irritação do nervo frênico ou do diafragma.

Em pacientes conhecidos publicamente, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, relatos sobre soluço prolongado chamaram atenção justamente porque demonstram como o sintoma pode ser resistente e exigir abordagens menos usuais. Nesses casos, o bloqueio do nervo frênico entra como um recurso adicional, especialmente em ambiente hospitalar e com monitorização respiratória.

Como é feito o bloqueio do nervo frênico na prática?

O procedimento costuma ser realizado por anestesiologistas, cirurgiões torácicos ou médicos com treinamento em bloqueios de nervos periféricos. Em geral, o paciente é posicionado de forma que o médico tenha acesso à região do pescoço ou do tórax, onde o nervo frênico pode ser identificado com maior precisão, muitas vezes com auxílio de ultrassom.

  1. Avaliação prévia: análise do quadro clínico, exames de imagem, histórico de medicamentos e doenças associadas.
  2. Localização do nervo:
  3. Aplicação do anestésico:
  4. Monitorização:

O efeito costuma ser temporário. Em alguns casos, um único bloqueio é suficiente para "quebrar" o ciclo do soluço crônico. Em outros, podem ser necessárias repetições ou associação com remédios específicos, ajustes na alimentação ou investigação de causas como refluxo gastroesofágico, alterações neurológicas ou problemas metabólicos.

O procedimento é indicado apenas quando o soluço persiste por dias ou semanas e não responde a tratamentos convencionais – depositphotos.com / rob3000
O procedimento é indicado apenas quando o soluço persiste por dias ou semanas e não responde a tratamentos convencionais – depositphotos.com / rob3000
Foto: Giro 10

Quais são os cuidados e limites desse tipo de tratamento?

Embora o bloqueio do nervo frênico seja usado justamente para aliviar o soluço prolongado, ele não é indicado para episódios simples e rápidos. Trata-se de um método reservado para situações em que o sintoma se torna incapacitante ou está relacionado a outras doenças graves. Por atuar diretamente em um nervo ligado à respiração, o procedimento exige ambiente controlado e equipe treinada.

Entre os pontos que costumam ser avaliados antes de optar por essa técnica estão:

  • capacidade respiratória do paciente e presença de doenças pulmonares prévias;
  • risco de reduzir demais o movimento do diafragma em um dos lados;
  • possibilidade de alternativas menos invasivas, como ajustes de medicamentos, tratamento de refluxo ou correção de distúrbios metabólicos;
  • benefício esperado em relação ao impacto do soluço crônico na qualidade de vida.

Dessa forma, o bloqueio do nervo frênico é visto na prática clínica como um recurso específico contra o soluço resistente, utilizado após avaliação médica e esgotamento de medidas mais simples. A técnica se apoia em princípios anatômicos e fisiológicos bem definidos: se o nervo que comanda o diafragma é temporariamente silenciado, o ciclo de contrações involuntárias que caracteriza o soluço crônico tende a ser interrompido, permitindo que o organismo recupere um padrão respiratório mais estável.

Giro 10
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