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Com problema de fornecimento, vacina pentavalente está em falta na rede pública

Fornecimento será regularizado só depois do fim do ano; produto, que era importado da Índia, foi reprovado. Ministério da Saúde diz que já fez compra com outro fornecedor

10 set 2019
15h15
atualizado em 11/9/2019 às 12h23
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BRASÍLIA - A falta da vacina pentavalente (contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e hemófilo B), que já é sentida em várias postos do Sistema Único de Saúde, deverá se agravar até o fim do ano, em consequência da reprovação do produto, que era importado da Índia. Os primeiros problemas da vacina, produzida pela empresa Biologicals E. Limited, foram identificados no início do ano. Três lotes foram reprovados pelo Instituto Nacional de Qualidade em Saúde ( INCQS). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em junho, reprovou a importação. Com isso, cerca de 3 milhões de doses precisaram ser devolvidas.

Fornecimento de vacina pentavalente deve ser interrompido em postos de saúde até novembro
Fornecimento de vacina pentavalente deve ser interrompido em postos de saúde até novembro
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

Conforme o Ministério da Saúde, foi feita a compra com outros fornecedores para atender a demanda do País. A entrega dos imunizantes, contudo, será feita de forma escalonada. Os primeiros carregamentos começaram a chegar em agosto. Foram 400 mil doses, metade da demanda nacional. Se não houver imprevistos no calendário, até novembro chegarão 6,6 milhões de doses. A demora na entrega é atribuída à dificuldade na produção. O ministério afirmou que não havia no mercado internacional disponibilidade imediata para a compra da vacina. Após a chegada no País, as vacinas terão de passar por avaliação no INCQS antes de serem distribuídas para Estados e chegarem às salas de vacinação.

Todos os meses, 800 mil doses da vacina são aplicadas no País. Há, ainda, uma demanda que não foi atendida nos meses últimos meses. O ministério informou que, regularizados os estoques, equipes de saúde deverão fazer busca ativa para localizar as crianças não imunizadas. A estimativa é de que a situação seja normalizada apenas em fevereiro.

A falta da vacina ocorre às vésperas da campanha de multivacinação anunciada pelo governo. A iniciativa, prevista para outubro, tem como principal objetivo melhorar a cobertura vacinal contra o sarampo, em virtude do surto que já atinge treze Estados. A campanha, no entanto, serviria também para atualizar outras vacinas, como a pentavalente. Com a ausência do imunizante, o alcance da campanha será, em parte, comprometido. "É uma pena. Seria uma boa oportunidade de se atualizar a carteira", afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha.

Cobertura vacinal caiu nos últimos anos

A cobertura vacinal no Brasil está em queda. Nos últimos dois anos, os indicadores, considerados adequados, sofreram expressiva redução. Em 2018, por exemplo, como mostrou o Estado, 312 cidades do País tinham alto risco de retorno da poliomielite. Em nota, o ministério informou não haver dados que indiquem emergência das doenças protegidas pela pentavalente. Mesmo assim, acrescentou a pasta, há estoques suficientes para ações de bloqueio, caso surtos ocorram.

Especialistas ouvidos pelo Estado afirmam que a falta da pentavalente preocupa sobretudo por causa da difteria. Países próximos registraram surto da doença, uma infecção causada por bactéria, transmitida pela tosse, pelo espirro ou pelo contato com objetos ou roupas contaminadas. Na Venezuela, por exemplo, foram mais de mil casos suspeitos em 2018.

Outro problema identificado é a coqueluche. Nos últimos dois anos, os casos da doença subiram. Em 2017, foram 1.898 e em 2018, 2.151. O maior receio são os casos precoces, identificados em bebês com menos de seis meses. Nessa situação, a infecção geralmente é mais grave. "A recomendação é de que gestantes tomem uma vacina, justamente para proteger o bebê nos primeiros meses. A vacina usada nessa estratégia não está em falta. Mesmo assim, os indicadores vacinais são muito baixos, estão em 50%", disse o presidente da entidade.

Enquanto estoques do Sistema Único de Saúde (SUS) não forem regularizados, interessados poderão comprar a vacina em clínicas particulares. São três doses, cada uma no valor médio de R$ 250. Mas a composição da pentavalente aplicada nas clínicas privadas é diferente. Ela traz a proteção contra difteria, pólio inativado, tétano , hemófilo B e coqueluche acelular, com menos risco de reação do que a coqueluche usada na pentavalente disponível na rede pública. "São vacinas intercambiáveis. Mas é preciso ficar atento, pois a vacina pentavalente das clínicas não traz a vacina de hepatite B", explica Cunha.

O presidente da sociedade lembra, porém, não haver possibilidade de a vacina das clínicas suprir toda a demanda dos postos públicos. "Apenas uma parcela da população poderia arcar com os custos. Além disso, a produção é limitada."

A vacina pentavalente é aplicada em três doses. Aos dois, quatro e seis meses. Para atender os cerca de 3 millhões de crianças que nascem anualmente no País, portanto, seriam necessárias 9 milhões de doses por ano.

Imunizante é dado a bebês no 2º mês de vida

1. Quem deve tomar a vacina pentavalente? Bebês no 2º mês de vida. Doses de reforço devem ser aplicadas aos 4 e 6 meses

2. Onde está faltando? Desde o início do ano, praticamente todos os Estados do País se queixaram da redução das remessas

3. O imunizante protege contra quais doenças? Difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e hemófilo B

4. É possível encontrar a vacina na rede privada? Sim, mas a composição é diferente. Ela traz difteria, hemófilo B, tétano, pólio inativado e coqueluche acelular.

5. Quanto custa? Cada dose, em média, R$ 250

Estadão
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