Canelite sempre volta? Como quebrar o ciclo da dor
Dor na canela costuma reaparecer quando a causa não é tratada; ajustes simples ajudam a evitar novas crises
Se você já teve canelite e sentiu a dor voltar meses depois, saiba que não está sozinho. A sensação de que a canelite sempre retorna é comum entre praticantes de corrida, caminhada e treinos de impacto.
Na maioria dos casos, isso acontece porque o tratamento ficou focado apenas no alívio da dor. A causa real não foi corrigida.
A boa notícia é que dá para quebrar o ciclo da canelite com ajustes práticos no treino, no fortalecimento e nos cuidados do dia a dia.
Por que a canelite insiste em voltar
A canelite, também chamada de síndrome do estresse tibial medial, surge por sobrecarga repetitiva na tíbia. O osso e os tecidos ao redor não conseguem se adaptar ao impacto constante.
Quando a pessoa volta a treinar sem mudar o que causou a lesão, a dor reaparece.
Os motivos mais comuns são:
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Aumento rápido de volume ou intensidade
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Falta de fortalecimento específico
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Impacto excessivo em superfícies duras
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Uso de calçado inadequado ou gasto
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Biomecânica não ajustada, como pisada ou postura
Aplicar gelo e reduzir o treino ajuda no curto prazo. Mas não resolve o problema.
Segundo a Mayo Clinic, a canelite está diretamente relacionada à sobrecarga repetitiva e à falta de adaptação do corpo ao impacto, especialmente em atividades como corrida e caminhada.
Descanso ajuda, mas não é suficiente
Parar de treinar reduz a inflamação. A dor costuma melhorar em poucos dias ou semanas.
O problema surge no retorno. Se a rotina for a mesma, o estresse volta junto.
O descanso deve servir para:
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Controlar a inflamação
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Preparar o corpo para ajustes
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Iniciar fortalecimento e correções
Sem essas etapas, o ciclo da canelite se repete.
Fortalecimento é a chave para quebrar o ciclo
Músculos mais fortes absorvem melhor o impacto. Isso reduz a carga direta sobre o osso da canela.
Os principais grupos que precisam de atenção são:
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Panturrilhas, incluindo gastrocnêmio e sóleo
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Tibial anterior e posterior
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Glúteos e quadril, para estabilidade
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Core, para controle do movimento
Fortalecer apenas a região dolorida não basta. O corpo funciona em cadeia.
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Ajuste a progressão do treino
A progressão errada é uma das maiores causas de recaída.
Para evitar isso:
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Aumente volume e intensidade aos poucos
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Intercale dias de impacto com dias leves
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Inclua cross-training, como bike ou elíptico
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Evite tentar "compensar" treinos perdidos
Consistência traz mais resultado do que pressa.
Tênis e superfície fazem diferença
Treinar com tênis gasto ou inadequado aumenta o estresse na tíbia.
Vale observar:
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Amortecimento compatível com seu peso e ritmo
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Estabilidade adequada ao seu tipo de pisada
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Alternância de superfícies, evitando só asfalto
Trocar o calçado no tempo certo ajuda a prevenir novas crises.
Mobilidade e técnica contam (muito)
Rigidez no tornozelo ou no quadril altera a mecânica do movimento. Isso sobrecarrega a canela.
Inclua na rotina:
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Mobilidade de tornozelo
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Alongamento dinâmico
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Ajustes de cadência e passada, se corre
Pequenas correções reduzem o impacto repetitivo.
Quando procurar ajuda
Procure avaliação profissional se a dor:
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Persistir mesmo com descanso
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Piorar durante o aquecimento
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Surgir em repouso
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Limitar atividades do dia a dia
Em casos raros, a canelite pode evoluir para fratura por estresse.
Dá para manter a dor longe
A canelite não precisa ser recorrente. Quebrar o ciclo exige tratar a causa, não apenas o sintoma.
Com fortalecimento adequado, progressão inteligente, ajustes de técnica e atenção ao calçado, é possível voltar a treinar com segurança.
E, principalmente, treinar sem dor.
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