Banco de olhos e transplante: guia para pacientes com baixa visão
Descubra como funciona o Banco de Olhos no Brasil, veja como entrar na fila de transplante de córnea e entenda se baixa visão dá prioridade
O funcionamento do Banco de Olhos no Brasil ainda levanta muitas dúvidas, especialmente entre famílias que lidam com doenças da córnea. O sistema segue regras padronizadas, baseadas em legislação federal e normas médicas. Dessa forma, o processo busca transparência, segurança e critérios claros para a distribuição das córneas doadas.
Ao mesmo tempo, muitas pessoas não sabem como se inscrevem na lista de espera para transplante de córnea. Essa falta de informação pode atrasar o início do acompanhamento em serviços especializados. Por isso, entender cada etapa, desde a doação até a cirurgia, ajuda pacientes e familiares a se organizarem melhor.
Como funciona o Banco de Olhos no Brasil?
O Banco de Olhos é o serviço responsável por receber, avaliar, preparar e encaminhar córneas para transplante. Ele atua em parceria com hospitais, equipes de captação e centrais estaduais de transplantes. Assim, cada córnea doada segue um fluxo rigoroso de controle de qualidade.
Quando uma família autoriza a doação, a equipe treinada realiza a retirada dos olhos em ambiente adequado. Em seguida, o Banco de Olhos avalia o tecido com exames laboratoriais e análise em microscópio. Se a córnea apresenta boa qualidade, o serviço registra o material em sistema informatizado e informa a disponibilidade para a Central de Transplantes do estado.
As centrais utilizam um sistema único de lista de espera, integrado ao Sistema Nacional de Transplantes. Portanto, o Banco de Olhos não escolhe o receptor. Ele apenas preserva o tecido e envia a córnea para a equipe de transplante indicada pela Central, de acordo com a ordem da fila e os critérios definidos em norma.
Como alguém entra na lista de espera por transplante de córnea?
Para entrar na lista de espera, o paciente precisa passar por um oftalmologista habilitado em transplante de córnea. Geralmente, esse atendimento ocorre em hospitais universitários, serviços públicos de referência ou clínicas credenciadas. O médico avalia o quadro clínico, confirma a necessidade de transplante e explica alternativas de tratamento.
Depois da avaliação, o especialista preenche laudos específicos e registra o paciente na Central de Transplantes do estado. Esse cadastro inclui dados pessoais, exames, laudo oftalmológico e classificação da gravidade. A partir desse momento, a pessoa entra oficialmente na lista de espera, que segue ordem cronológica e critérios técnicos.
O registro não ocorre de forma automática em nenhum serviço de rotina. Por isso, o paciente precisa buscar atendimento em um centro de referência em transplante de córnea. Em muitas regiões, o acesso acontece por meio do Sistema Único de Saúde, com encaminhamento da rede básica ou do especialista que acompanha o caso.
Quem tem 20% de visão recebe prioridade na fila?
A perda visual, como enxergar apenas 20%, preocupa pacientes e familiares. Entretanto, o sistema de transplantes não define prioridade apenas com base em um percentual. Em vez disso, as equipes analisam o impacto funcional, o tipo de doença da córnea e o risco de piora rápida.
As centrais de transplante classificam os casos em graus de urgência, seguindo protocolos oficiais. Assim, o sistema considera critérios como:
- Risco imediato de perfuração da córnea, que pode levar à perda total do globo ocular.
- Infecção grave na córnea, sem resposta a tratamentos clínicos.
- Opacidades muito densas, que impedem atividades básicas do dia a dia.
- Necessidade de retransplante precoce, em situações de falha aguda do enxerto.
Portanto, uma pessoa com 20% de visão pode ou não receber prioridade, dependendo do contexto. Em alguns casos, o paciente mantém esse percentual de forma estável, sem risco imediato de agravamento. Em outros, a mesma porcentagem vem acompanhada de dor, inflamação intensa ou risco de complicações graves. Nesses cenários, a equipe pode classificar o caso como mais urgente.
Quais são as etapas até o transplante de córnea?
O caminho entre o diagnóstico e o transplante envolve várias etapas. De forma geral, o processo segue a sequência abaixo:
- Consulta com oftalmologista e confirmação da doença da córnea.
- Encaminhamento para serviço especializado em transplante.
- Avaliação detalhada e cadastro na lista de espera da Central de Transplantes.
- Acompanhamento periódico, com exames e atualização de laudos.
- Chamada para cirurgia quando surge córnea compatível na ordem da fila.
- Realização do transplante e início do acompanhamento pós-operatório.
Nesse período de espera, o paciente segue em acompanhamento regular. Dessa forma, a equipe ajusta medicamentos, registra mudanças na visão e reclassifica a prioridade, se necessário. Em algumas situações, o estado clínico melhora com óculos, lentes de contato especiais ou outros procedimentos. Em outras, a piora progressiva reforça a indicação cirúrgica.
Quais cuidados o paciente em fila de transplante deve manter?
Enquanto aguarda, o paciente precisa manter contato frequente com o serviço de transplante. Além disso, precisa atualizar telefones e endereços, porque a Central de Transplantes pode ligar a qualquer momento para convocar para a cirurgia. Se a equipe não encontra o paciente, a córnea segue para o próximo da lista.
Os cuidados diários variam conforme o tipo de doença da córnea, porém algumas orientações se repetem. O paciente deve usar corretamente os colírios prescritos, evitar automedicação e respeitar os retornos programados. Em casos de dor intensa, vermelhidão súbita ou perda brusca da visão, a pessoa precisa procurar o serviço imediatamente, sem esperar a próxima consulta.
Assim, o entendimento do funcionamento do Banco de Olhos, da lista de espera e dos critérios de prioridade ajuda a reduzir incertezas. Com informação clara, o paciente consegue acompanhar cada etapa, organizar a rotina e manter o acompanhamento necessário até o momento do transplante de córnea.