Arcebispo da Cidade do Cabo pede para pararem de "cuspir na cara de Mandela"
O arcebispo emérito da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, pediu nesta quinta-feira para que as pessoas deixem de "cuspir na cara" do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, que, aos 94 anos, passou hoje seu 12º dia internado em estado "crítico mas estável".
"Por favor, podemos não pensar somente em nós mesmos. Isto é como estar cuspindo na cara de Madiba" - como o ex-presidente é carinhosamente conhecido em seu país -, afirmou Tutu em um comunicado divulgado por sua fundação.
Na nota, Tutu pediu aos membros da família Mandela que "busquem profundamente em seu interior para encontrar a graça que seu patriarca e a nação merecem neste momento triste".
"Não podemos imaginar o quanto deve ter sido difícil para uma família suportar a separação física durante os 27 anos em que o senhor Mandela passou na prisão, para ter de compartilhá-lo com o mundo quando o mesmo alcançou a liberdade", completou o arcebispo na nota.
"Vossa angústia, agora, é a angústia da nação e do mundo. Queremos abraçar-vos, apoiar-vos e mostrar todo nosso amor por Madiba através de vós. Por favor, não manchem seu nome", acrescentou Tutu.
As duras palavras de Tutu chegam no dia em que a família Mandela voltou a sepultar os restos mortais dos três filhos do ex-presidente na cidade de Qunu, no sudeste da África do Sul, onde o ex-presidente cresceu e pediu para ser enterrado.
As ossadas foram exumadas ontem do pátio da casa do neto mais velho de Mandela, Mandla Mandela, na próxima à vila de Mvezo, onde o ex-presidente sul-africano nasceu.
Nesta semana, um juiz tinha ordenado o retorno dos restos mortais dos filhos de Mandela a um cemitério familiar em Qunu, o mesmo local do onde Mandla retirou as ossadas em 2011 para levá-las a Mvezo sem permissão do resto da família.
Desta forma, o juiz acabou acatando um pedido de 16 membros da família Mandela, incluindo as três filhas do ex-presidentes e sua mulher, Graça Machel, para obter o retorno dos ossos ao lugar no qual Nelson Mandela quer ser sepultado.
Em sua declaração perante o juiz, a filha mais velha do ícone sul-africano, Makaziwe Mandela, reconheceu que esta reivindicação está relacionada com o delicado estado de saúde de seu pai.
No entanto, a polêmica criada dentro da família Mandela provocou duras críticas a alguns de seus integrantes na África do Sul.