Aneurisma da aorta: a doença silenciosa que pode ser fatal
Condição costuma não dar sinais, mas novos critérios ajudam a indicar o momento certo de tratar
O aneurisma da aorta é uma dilatação anormal do maior vaso sanguíneo do corpo. Na maioria dos casos, ele não provoca sintomas.
Mesmo assim, pode evoluir de forma grave e levar à ruptura da aorta, situação com alto risco de morte.
Por ser silenciosa, a doença costuma ser descoberta apenas em exames de rotina. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações.
O que acontece quando a aorta dilata
A aorta leva o sangue do coração para todo o corpo. Com o envelhecimento, é normal que ela se dilate levemente. O problema surge quando essa dilatação ultrapassa limites considerados seguros.
Segundo o cardiologista Renato Kalil, o acompanhamento médico é fundamental para diferenciar uma dilatação esperada de um aneurisma perigoso.
Sem controle, a parede da aorta pode enfraquecer e se romper.
Por que o aneurisma é tão perigoso
O maior risco do aneurisma da aorta é a ruptura ou a dissecção. Nessas situações, ocorre uma hemorragia interna grave, que pode ser fatal em poucos minutos.
Como não há sinais claros no início, muitas pessoas convivem com a doença sem saber. Quando os sintomas aparecem, o quadro costuma estar avançado.
Novos critérios para indicar cirurgia
Durante muitos anos, a cirurgia era indicada apenas quando a aorta atingia cerca de 55 milímetros de diâmetro. Estudos mais recentes mudaram essa referência.
Hoje, diretrizes médicas recomendam avaliar a cirurgia a partir de 45 milímetros, considerando também o tamanho e a altura do paciente. Em alguns casos, a intervenção pode ser indicada ainda antes.
Genética pode antecipar o risco
Pessoas com doenças genéticas, como a Síndrome de Marfan, apresentam maior fragilidade da parede da aorta. Nesses casos, o risco de ruptura ocorre mais cedo.
Essas mutações estão associadas a mortes súbitas em jovens e até atletas. Estudos mostram que parte desses óbitos está ligada à dissecção da aorta.
Decisão precisa ser individual
O diâmetro da aorta não é o único fator analisado. Idade, histórico familiar de morte súbita, crescimento rápido do aneurisma e planos de gravidez também entram na avaliação.
"O risco da cirurgia, quando feita por equipes experientes, costuma ser inferior a 2%", explica o Dr. Renato Kalil. Esse dado deve ser comparado ao risco de não tratar.
Diagnóstico precoce muda o desfecho
Exames como ecocardiograma, tomografia e ressonância ajudam a acompanhar a evolução da aorta. Com monitoramento regular, é possível intervir no momento certo.
Tratamento permite vida normal
Quando tratado adequadamente, o aneurisma da aorta deixa de representar ameaça constante. Muitos pacientes retomam uma vida normal após a intervenção.
A principal mensagem é clara: a ausência de sintomas não significa ausência de risco. No aneurisma da aorta, descobrir cedo é o que salva vidas.