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Açúcar disfarçado: os nomes que a indústria usa para esconder excesso de açúcar em produtos "saudáveis"

Em prateleiras de supermercados em todo o país, produtos com rótulos como "fit", "zero açúcar" e "proteico" disputam atenção. Muitos consumidores associam essas promessas a escolhas mais equilibradas. No entanto, uma leitura cuidadosa da lista de ingredientes revela outra realidade: o chamado açúcar escondido aparece com vários nomes e em diferentes formas. Órgãos de saúde, […]

26 mai 2026 - 06h30
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Em prateleiras de supermercados em todo o país, produtos com rótulos como "fit", "zero açúcar" e "proteico" disputam atenção. Muitos consumidores associam essas promessas a escolhas mais equilibradas. No entanto, uma leitura cuidadosa da lista de ingredientes revela outra realidade: o chamado açúcar escondido aparece com vários nomes e em diferentes formas.

Órgãos de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil, recomendam reduzir ao máximo o consumo de açúcares adicionados. Ainda assim, a oferta de alimentos ultraprocessados cresce ano após ano. Por isso, entender a rotulagem tornou-se um passo importante para quem busca cuidar da alimentação sem cair em armadilhas de marketing.

O iogurte “fit” pode ser mais calórico do que se pensa – depositphotos.com / IMelnyk
O iogurte “fit” pode ser mais calórico do que se pensa – depositphotos.com / IMelnyk
Foto: Giro 10

O que é açúcar escondido em produtos processados?

O termo "açúcar escondido" descreve os açúcares adicionados que não aparecem apenas como "açúcar" na embalagem. A indústria utiliza diferentes ingredientes com função adoçante ou de aumento de volume. Dessa forma, mantém o sabor doce e, ao mesmo tempo, cria uma imagem de produto mais "limpo" ou saudável. Essa estratégia afeta o índice glicêmico do alimento, mesmo quando a embalagem sugere equilíbrio.

Em produtos como barras de cereal, iogurtes saborizados, bebidas vegetais e granolas, é comum encontrar vários tipos de açúcares na mesma fórmula. Cada um aparece com uma nomenclatura própria. Assim, o rótulo não traz "açúcar" logo no início da lista, mas soma diferentes fontes, que se somam no organismo da mesma maneira: elevando a glicemia.

Quais são as principais formas de identificar o açúcar escondido?

Para identificar o açúcar oculto, o primeiro passo é entender a ordem de predominância na lista de ingredientes. A legislação brasileira exige que os componentes apareçam do maior para o menor em quantidade. Então, se aparecerem vários tipos de adoçantes calóricos entre os primeiros itens, significa que o produto concentra açúcares, mesmo com a imagem de "fit".

Algumas palavras funcionam como sinal de alerta. Além de "açúcar" e "sacarose", vale observar:

  • Maltodextrina: carboidrato derivado do amido, de rápida absorção.
  • Xarope de milho ou xarope de glicose: líquidos adoçantes feitos de amido de milho.
  • Dextrose: forma de glicose, com absorção rápida.
  • Extrato de malte ou malte de cevada: usado para adoçar e dar cor.
  • Frutose, xarope de frutose e xarope de milho de alta frutose.
  • Melaço, melado, caramelo e açúcar invertido.

Termos que terminam em "ose" (dextrose, maltose, frutose) indicam, em geral, açúcares simples. Já "xarope" e "extrato" costumam sinalizar ingredientes adoçantes com impacto glicêmico relevante. Ao aparecerem nos primeiros itens, revelam que o alimento traz mais açúcar do que a imagem saudável sugere.

Açúcar escondido em produtos "fit": onde ele costuma aparecer?

Produtos vendidos como "fit" ou "saudáveis" usam com frequência apelos de marketing nutricional. Palavras como "zero gordura", "fonte de fibras" ou "rico em proteína" ganham destaque na frente da embalagem. Entretanto, a parte mais relevante fica atrás, na tabela nutricional e na lista de ingredientes.

Alguns exemplos comuns de produtos com açúcar escondido:

  • Barras de cereal: muitas trazem maltodextrina, xarope de glicose e açúcar mascavo ao mesmo tempo.
  • Iogurtes saborizados e "gregos": geralmente incluem açúcar, xarope de milho e preparados de fruta adoçados.
  • Granolas "sem adição de açúcar refinado": podem usar mel, melaço, extrato de malte e açúcar de coco, que também elevam a glicemia.
  • Bebidas vegetais (de aveia, amêndoas, arroz): muitas versões levam maltodextrina ou xaropes para melhorar textura e sabor.
  • Snacks proteicos, cookies "fit" e brownies "low fat": frequentemente usam maltodextrina, dextrose ou açúcar invertido.

Mesmo quando um rótulo destaca "sem adição de açúcar", é importante verificar se há adoçantes de baixa caloria, como sucralose ou estévia. Eles não elevam a glicemia na mesma proporção, porém podem manter o paladar acostumado ao sabor muito doce. As diretrizes recentes de entidades de saúde sugerem atenção a esse hábito, especialmente em crianças.

Como ler a lista de ingredientes de forma prática?

Para o consumidor comum, a leitura do rótulo pode parecer complicada. No entanto, alguns passos simples tornam o processo mais direto. A ideia não é memorizar todos os termos técnicos. Em vez disso, o foco recai em padrões e repetições.

  1. Começar pela lista de ingredientes: antes de olhar calorias, verificar os três primeiros itens.
  2. Procurar múltiplas fontes de açúcar: se houver mais de um tipo de açúcar ou xarope, o produto tende a ser mais doce.
  3. Observar a porção: muitos rótulos usam porções pequenas para reduzir o número de gramas de açúcar na tabela.
  4. Checar o açúcar total na tabela nutricional: somar mentalmente quando o produto sugere mais de uma porção.
  5. Comparar marcas: colocar dois produtos similares lado a lado e ver qual traz menos açúcares adicionados.

Especialistas em nutrição e órgãos de saúde costumam sugerir preferência por alimentos com listas curtas e ingredientes reconhecíveis. Em geral, quanto menor o número de itens e quanto menos termos técnicos, menor a chance de presença de muitos açúcares adicionados. Além disso, alimentos in natura, como frutas, legumes e grãos integrais, dispensam rótulos complexos.

Marketing nutricional: quais são as principais armadilhas?

A rotulagem frontal usa frases que chamam atenção rapidamente. Assim, muitos consumidores interpretam "zero gordura trans", "integral" ou "light" como sinônimo direto de saúde. Porém, cada termo tem definição específica em normas da Anvisa e não impede a presença de açúcares.

  • "Light": indica redução de pelo menos 25% em algum componente. Pode ser gordura, mas não necessariamente açúcar.
  • "Diet": significa isenção de determinado nutriente, como açúcar, porém o produto pode ter mais gordura ou sódio.
  • "Integral": refere-se à presença de grãos integrais, mas o alimento ainda pode trazer açúcar escondido.
  • "Sem adição de açúcar refinado": permite o uso de outros adoçantes calóricos, como mel, melaço ou açúcar de coco.

Por isso, o consumidor que busca reduzir o açúcar precisa ir além dos selos e das frases chamativas. A combinação de tabela nutricional, lista de ingredientes e bom senso no consumo diário traz uma visão mais clara. Em vez de eliminar um único produto, a orientação de saúde pública aponta para o conjunto da alimentação.

Com mais familiaridade com termos como maltodextrina, xarope de milho, dextrose e extrato de malte, a leitura dos rótulos torna-se rotina. Aos poucos, o consumidor passa a identificar padrões de açúcar escondido e a selecionar versões com menos aditivos. Essa mudança gradual tende a reduzir a ingestão de açúcares adicionados e a aproximar o dia a dia das recomendações atuais de saúde.

Barra de cereal é um snack “perigoso” – depositphotos.com / Andy Dean Photography
Barra de cereal é um snack “perigoso” – depositphotos.com / Andy Dean Photography
Foto: Giro 10
Giro 10
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