Sentiu desejo de comer tijolo? Veja os sinais perigosos da Síndrome de Pica
A vontade de ingerir substâncias não alimentares pode indicar deficiências nutricionais graves e transtornos psicológicos
Você já ouviu falar de alguém com um desejo incontrolável de comer gelo, terra ou até tijolo?
Embora pareça apenas uma curiosidade bizarra, esse comportamento tem nome científico: Síndrome de Pica (ou Alotriofagia).
O nome "Pica" vem do latim e faz referência ao pássaro pega, conhecido por comer quase tudo o que encontra pela frente.
No ser humano, esse transtorno é caracterizado pela ingestão persistente de substâncias que não possuem valor nutricional.
O portal Saúde em Dia explica os perigos ocultos por trás desse desejo e como tratar a condição.
O que causa a Síndrome de Pica?
A síndrome não surge do nada. Geralmente, ela é um sinal de alerta do corpo para algo que está faltando. As causas mais comuns incluem:
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Deficiências nutricionais: A falta de ferro (anemia) e zinco é a causa principal. O cérebro "traduz" a carência mineral em desejos por substâncias estranhas.
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Fatores psicológicos: Estresse, ansiedade e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) podem gatilhar o comportamento.
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Gestação: Muitas grávidas desenvolvem a síndrome devido à alta demanda do corpo por nutrientes.
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Condições mentais: É comum em pessoas dentro do espectro autista ou com deficiência intelectual.
Sinais e sintomas perigosos
O principal sintoma é o consumo de itens como barro, pedras, sabonete, cinzas de cigarro, papel ou fósforos. No entanto, os sinais físicos decorrentes dessa prática são os mais alarmantes:
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Dores abdominais: Substâncias não digeríveis podem causar obstrução intestinal grave.
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Infecções parasitárias: Comer terra ou barro expõe o organismo a vermes e bactérias.
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Problemas dentários: Mastigar pedras ou gelo pode quebrar ou desgastar o esmalte dos dentes.
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Intoxicação por chumbo: Ingerir lascas de tinta ou gesso pode levar a danos cerebrais e renais.
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Constipação ou diarreia: O sistema digestivo luta para processar o que não é alimento.
Como é feito o diagnóstico?
Não existe um exame de sangue específico para "Pica". O diagnóstico é clínico. O médico avalia o histórico do paciente e solicita exames laboratoriais.
O foco é checar os níveis de hemoglobina, ferro e zinco. Em casos de ingestão de objetos sólidos, radiografias podem ser necessárias para verificar obstruções no trato digestivo.
Tratamento: Como parar com o desejo?
O tratamento é multidisciplinar e foca na causa raiz do problema. Confira os passos principais:
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Suplementação alimentar: Se houver deficiência de ferro ou zinco, a reposição mineral costuma cessar o desejo em poucas semanas.
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Acompanhamento psicológico: A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ajuda a reverter o hábito e tratar questões emocionais.
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Monitoramento médico: O gastroenterologista deve acompanhar possíveis danos aos órgãos internos.
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Educação alimentar: O auxílio de um nutricionista é essencial para restabelecer uma dieta equilibrada e segura.
Quando buscar ajuda?
Se você ou alguém próximo apresenta esse comportamento por mais de um mês, procure um médico clínico ou psicólogo.
A Síndrome de Pica não é uma "frescura" ou apenas um hábito estranho. É uma condição médica que, se ignorada, pode levar a complicações fatais, como perfurações intestinais e envenenamento.
Lembre-se: o corpo sempre dá sinais quando algo não vai bem. Sentir vontade de comer o que não é comida é um pedido de socorro do seu organismo.
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