Quer parar de fumar? Veja os tratamentos gratuitos oferecidos pelo SUS
Acompanhamento profissional, apoio psicológico e medicamentos gratuitos fazem parte do tratamento oferecido pela rede pública para abandonar o cigarro
Parar de fumar exige superar a dependência química e comportamental da nicotina, processo que afeta 20 milhões de brasileiros. Para auxiliar quem busca abandonar o vício e prevenir doenças graves, o SUS oferece tratamento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O atendimento inclui apoio psicológico individual ou em grupo e, quando indicado, remédios como bupropiona e repositores de nicotina (adesivos e gomas). Mudar hábitos da rotina e buscar suporte profissional aumentam as chances de sucesso.
Abandonar o cigarro pode ser uma das decisões mais importantes para a saúde, mas isso não significa que seja simples. O tabagismo envolve tanto a dependência da nicotina quanto comportamentos construídos ao longo do tempo, fazendo com que muitas pessoas precisem de acompanhamento profissional para conseguir parar de fumar
No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas ainda fumam. O tabagismo está relacionado ao desenvolvimento de diferentes doenças, entre elas câncer, enfisema pulmonar, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de estar associado a uma parcela significativa de mortes que poderiam ser evitadas.
A boa notícia é que quem deseja abandonar o cigarro não precisa enfrentar esse processo sozinho. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente acompanhamento e, quando necessário, medicamentos para auxiliar no tratamento da dependência.
Por que é tão difícil parar de fumar?
Uma das explicações está na forma como a nicotina age no cérebro. A substância interfere no sistema nervoso e estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor relacionado aos mecanismos de recompensa e à sensação de prazer. Com o tempo, o cérebro começa a "depender" do cigarro para que a substância seja liberada.
Mas a dependência não é apenas química. Fumar pode se tornar parte de diferentes momentos da rotina: depois das refeições, durante uma pausa no trabalho, ao consumir café ou bebidas alcoólicas, em encontros sociais ou diante de situações de estresse. Por isso, retirar o cigarro também significa modificar comportamentos e aprender outras maneiras de responder aos gatilhos que anteriormente levavam ao fumo.
O cigarro torna-se uma válvula de escape emocional e, ao interromper seu consumo, sintomas de abstinência podem aparecer. Dentre eles, irritação, insônia e vontade intensa de fumar.
Como é feito o tratamento para parar de fumar?
O tratamento pode reunir diferentes estratégias de acordo com o grau de dependência e as necessidades de cada pessoa. Uma das abordagens utilizadas é associar acompanhamento psicológico a medicamentos.
Entre as opções utilizadas para tratar o tabagismo estão medicamentos como bupropiona, vareniclina e citisina, além da terapia de reposição de nicotina, realizada com produtos como adesivos e gomas.
A reposição fornece nicotina de maneira controlada, sem a exposição às diversas substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro. O objetivo é diminuir gradualmente a fissura e tornar os sintomas de abstinência mais toleráveis durante o processo.
"Adesivos e gomas ajudam a reduzir a fissura e os sintomas de abstinência, podendo elevar em até 50% ou 60% as chances de parar de fumar", explica André Nathan, coordenador da pneumologia do Hospital Sírio-Libanês, ao Metrópoles.
A escolha do tratamento, entretanto, deve ser individualizada e realizada com orientação de um profissional de saúde, já que nem todos os medicamentos são adequados para todas as pessoas.
Quais tratamentos o SUS oferece para parar de fumar?
O tratamento gratuito está disponível por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). Na rede pública, o atendimento acontece principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O primeiro passo pode ser procurar uma UBS e informar que deseja parar de fumar. A partir daí, o paciente passa por uma avaliação para que a equipe entenda seu histórico, nível de dependência, hábitos e necessidades.
O acompanhamento pode envolver atendimentos individuais ou em grupo, orientação profissional e apoio para mudanças comportamentais.
Quando existe indicação clínica, o SUS também disponibiliza medicamentos previstos nos protocolos nacionais. Entre eles estão a bupropiona e a terapia de reposição de nicotina, com adesivos e gomas. Já a vareniclina, embora seja utilizada no tratamento do tabagismo e esteja presente em diretrizes internacionais, não faz parte da oferta regular do SUS.
Algumas mudanças podem facilitar o processo
Além do acompanhamento profissional, identificar quais situações despertam a vontade de fumar pode ajudar a quebrar associações construídas ao longo dos anos.
Uma estratégia é definir uma data para interromper o cigarro e observar previamente os principais gatilhos. Se fumar costuma estar associado ao café, por exemplo, mudar temporariamente essa rotina pode ajudar. O mesmo vale para pausas no trabalho, situações sociais ou momentos de estresse.
Praticar atividade física, buscar apoio de familiares e amigos e recorrer à terapia também podem contribuir para atravessar esse período.
Outro ponto importante é entender que uma recaída não significa necessariamente o fim do tratamento. Algumas pessoas precisam passar por mais de uma tentativa antes de conseguir abandonar definitivamente o cigarro. Nesses casos, é possível avaliar o que provocou o retorno ao hábito e ajustar a estratégia com a equipe de saúde.
Parar traz benefícios mesmo para quem fuma há anos
O tempo de tabagismo não elimina as vantagens de abandonar o cigarro. Depois da interrupção, o organismo começa gradualmente a se recuperar da exposição contínua às substâncias presentes na fumaça, e os benefícios se acumulam com o passar do tempo.
Por isso, quem deseja parar pode procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima para saber como o tratamento do tabagismo funciona no município. Combinar suporte profissional, mudanças de comportamento e, quando indicado, medicamentos pode tornar o processo mais viável - especialmente diante de uma dependência que não se resume simplesmente à força de vontade.
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