Eduardo Dussek transforma o diagnóstico de Parkinson em aula de superação: 'reclamar não ajuda'
Ícone da música brasileira reflete sobre maturidade, criação artística e a decisão de evitar lamentações após o diagnóstico da doença
Diagnosticado com Parkinson, o cantor e ator Eduardo Dussek encara a condição com resiliência, humor e arte, afirmando que reclamar não ajuda a enfrentar as limitações. Ao transformar o impacto da doença degenerativa em uma lição pública de superação, o artista mantém o otimismo, foca na continuidade de seus projetos e reforça a importância de manter a mente ativa para preservar a qualidade de vida.
Com uma trajetória marcada pela irreverência nos palcos, o cantor, compositor e pianista Eduardo Dussek encontrou nas artes plásticas uma estratégia para enfrentar o diagnóstico de Parkinson, recebido há 12 anos.
O artista, que ganhou projeção nacional na década de 1980 ao interpretar a canção "Nostradamus", decidiu canalizar a energia criativa para um novo desafio: pintar uma obra em tela para cada composição de sua autoria. Essa rotina de produção ganhou força nos últimos seis anos dentro de seu ateliê localizado no Rio de Janeiro, onde o musico desenvolveu uma rotina terapêutica. A busca pelo equilíbrio emocional e o abandono de ressentimentos do passado tornaram-se pilares dessa nova fase profissional.
A pintura e o diagnóstico na trajetória de Eduardo Dussek
Durante participação gravada no videocast "Conversa vai, conversa vem", o compositor comentou o impacto do diagnóstico e a reação inicial ao lado do médico.
"Foi um choque. Já sabia, estava tremendo muito as mãos. Perguntei: 'Quais são os sintomas?'. O médico falou: 'Rigidez e tremor nas mãos'. E eu: 'Bom, pelo menos facilita a masturbação'".
Disciplina criativa e novos rumos na carreira
O acompanhamento neurológico revelou que o processo de criação visual estimula a produção natural de dopamina, neurotransmissor associado ao controle motor e ao bem-estar. Dessa forma, em vez de se entregar ao desânimo, ele passou a adotar uma postura implacável em relação à autodisciplina e ao cuidado com o ego, mantendo a produção musical em paralelo.
Por fim, Eduardo Dussek também compartilhou a visão sobre o envelhecimento e a aceitação de sua imagem diante das mudanças corporais. "Faz anos que não me olho no espelho. Vejo uma coisa rápida e digo: 'Não sou aquilo exatamente'. Vou ser eu mesmo, com a minha cara de velho, mas jovem".
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