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Quem foi Gloria Steinem, ícone do feminismo que morreu aos 92 anos?

A jornalista e ativista dedicou décadas à defesa dos direitos das mulheres e ajudou a transformar o debate sobre igualdade nos Estados Unidos

3 set 2026 - 09h43
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Resumo
A jornalista e ativista Gloria Steinem, um dos maiores ícones do feminismo nos Estados Unidos, morreu aos 92 anos em Nova York. Ao longo de cinco décadas, destacou-se na luta por direitos reprodutivos, igualdade salarial e maior representação política feminina. Cofundadora da histórica revista Ms. e homenageada com a Medalha Presidencial da Liberdade em 2013, Steinem atuou até o fim da vida na defesa da justiça social, deixando um legado essencial para os direitos civis.

A jornalista e ativista Gloria Steinem, uma das principais vozes do movimento feminista nos Estados Unidos, morreu aos 92 anos na quarta-feira (2), em Nova York. A notícia foi confirmada pela fundação que leva seu nome na manhã desta quinta-feira (3).

Gloria Steinem dedicou décadas à defesa dos direitos das mulheres e ajudou a transformar o debate sobre igualdade nos Estados Unidos
Gloria Steinem dedicou décadas à defesa dos direitos das mulheres e ajudou a transformar o debate sobre igualdade nos Estados Unidos
Foto: Barbara Alper/Getty Images / Bons Fluidos

Em uma publicação nas redes sociais, que não informou a causa da morte, a organização disse que Steinem "faleceu pacificamente", cercada por pessoas que a amavam. Além disso, o comunicado destacou que ela "continuou trabalhando pela igualdade até o fim".

"O maior presente da Glória foi a sua capacidade de ouvir os outros, de fazer com que os outros se sintam vistos e ouvidos. Suas palavras, ações e exemplo deram às pessoas permissão para serem o seu mais verdadeiro eu. Glória viveu fiel ao seu espírito independente, sempre com curiosidade e um grande senso de humor", diz a nota.

Ao longo de mais de cinco décadas, Steinem combinou jornalismo e ativismo para defender direitos das mulheres. Sua atuação, portanto, passou por temas como igualdade salarial, participação feminina na política e direitos reprodutivos.

Gloria Steinem: do jornalismo ao ativismo

Nascida em 25 de março de 1934, em Toledo, no estado de Ohio, a profissional teve uma infância marcada pelas constantes mudanças da família. Por isso, ela só passou a frequentar a escola regularmente por volta dos 12 anos.

Depois de concluir a universidade, então, no fim dos anos 1950, viveu durante dois anos na Índia com uma bolsa de pesquisa. A experiência aproximou Steinem de movimentos comunitários e despertou seu interesse pela organização política de grupos de base.

Na década seguinte, ela se mudou para Nova York e começou a trabalhar como jornalista freelancer. Um dos trabalhos que aumentaram sua notoriedade foi uma reportagem sobre as condições enfrentadas pelas mulheres que trabalhavam na Playboy. Para realizar a investigação, a ativista passou 11 dias disfarçada como uma das chamadas "coelhinhas" da revista.

A experiência no jornalismo também revelou as limitações que encontrava ao tentar publicar reportagens sobre questões femininas. Com o tempo, ela passou a atuar cada vez mais diretamente na defesa dessas pautas.

Uma das principais vozes do feminismo americano

Steinem ajudou a fundar a revista Ms. em 1972. Assim, a publicação se tornou um espaço importante para discutir assuntos relacionados às mulheres que iam muito além de temas tradicionalmente associados ao universo feminino nas revistas.

Sua atuação política também ganhou força durante a década de 1970. A jornalista participou, por exemplo, da criação do National Women's Political Caucus e de outras organizações voltadas à ampliação da presença feminina na política e à defesa de direitos.

Entre suas principais bandeiras estava o direito reprodutivo. Steinem contou publicamente que havia passado por um aborto ilegal em Londres aos 22 anos. Décadas depois, acompanhou a mudança no cenário americano e também testemunhou a derrubada, em 2022, da decisão de 1973 que havia reconhecido o direito constitucional ao aborto.

Ademais, a ativista defendeu a igualdade de direitos e salários entre homens e mulheres e se posicionou sobre outras questões sociais, incluindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a mutilação genital feminina e a pena de morte.

Reconhecimento e legado

O trabalho de Steinem, contudo, ultrapassou o ativismo político. Ela continuou escrevendo, viajando e participando de encontros sobre justiça social mesmo em idade avançada. Em 2013, recebeu de Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, maior honraria civil dos Estados Unidos. Sua trajetória também chegou ao cinema com 'The Glorias', filme de 2020 inspirado em suas memórias e estrelado por Julianne Moore.

"Ela passou os seus últimos anos a fazer as duas coisas que mais amava: estar em comunidade com os outros e escrever. Ela recebeu centenas de convidados na sua sala de estar para Talking Circles, uma tradição que ela insistiu que continuará muito depois de ela não estar mais entre nós", complementou sua organização.

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Um post compartilhado por Gloria Steinem (@gloriasteinem)

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