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'Quando as raízes de uma árvore são profundas, ela não precisa temer o vento'; leia o provérbio africano do dia

Atravessar uma tempestade sem se perder é uma questão de saber quem você é antes do vento começar

20 mai 2026 - 15h38
(atualizado às 17h34)
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Foto: Thomas Faull/GettyImages

“Quando as raízes de uma árvore são profundas, ela não precisa temer o vento, porque sabe de onde veio antes de enfrentar a tempestade”, diz provérbio africano. 

Ele fala de estabilidade, mas não do tipo que se constrói com proteção ou isolamento. Fala da firmeza que vem de dentro, do tipo que só existe quando uma pessoa conhece profundamente o solo onde cresceu. Saber de onde veio não é nostalgia. É estrutura.

Segundo a rádio Tupi FM, na tradição oral africana, a árvore é uma imagem recorrente porque condensa algo que vai além da botânica. Ela cresce para cima, mas depende do que está embaixo. Uma pessoa sem conexão com sua história, sua origem, seus valores formadores, pode parecer firme em dias calmos. É no vento forte que a ausência de raiz aparece.

Identidade não é um conceito abstrato. É o conjunto de referências que responde à pergunta de onde viemos quando tudo ao redor muda. Quem tem essa resposta clara enfrenta instabilidade sem perder o eixo.

Conhecer a própria origem pode mudar a forma de enfrentar crises

Há uma diferença entre resistir a uma tempestade e atravessá-la sem se perder. Resistir é uma questão de força. Atravessar sem se perder é uma questão de saber quem você é antes do vento começar. Algumas situações onde essa distinção aparece com clareza:

  • Mudanças bruscas de carreira que colocam em dúvida tudo o que foi construído
  • Perdas que forçam uma revisão completa da própria narrativa de vida
  • Pressões externas para abandonar valores que definem escolhas importantes
  • Ambientes que exigem conformidade em troca de aceitação
  • Momentos de fracasso que questionam a competência e o propósito

Em todos esses casos, quem tem raízes profundas dobra, mas não quebra. E dobrar sem quebrar é exatamente o que as árvores mais antigas fazem durante temporais.

O provérbio e a filosofia Ubuntu

A filosofia Ubuntu, de origem bantu e presente em grande parte da África subsaariana, parte de uma premissa direta: “Sou porque somos.” Ela reconhece que a identidade individual não existe separada da comunidade, da história coletiva, das gerações que vieram antes. O provérbio africano ecoa esse princípio quando coloca o conhecimento da origem como condição para enfrentar o que vem pela frente.

Não se trata de depender do passado como muleta. Trata-se de usá-lo como fundação. A diferença entre as duas coisas é o que separa uma raiz profunda de uma raiz presa.

Fonte: Portal Terra
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