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Por que tantas mulheres repetem padrões que já sabem que fazem mal

Relações semelhantes, decisões parecidas e comportamentos recorrentes não são coincidência; segundo a psicóloga Laura Zambotto, esses padrões têm raízes emocionais profundas e muitas vezes começam na infância

13 mai 2026 - 01h15
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Mudar parece simples quando o problema está claro. A pessoa reconhece padrões, entende o que não funciona, promete agir diferente. Ainda assim, semanas ou meses depois, se vê novamente no mesmo lugar. Mesmas escolhas, mesmas reações, mesmas consequências.

Entenda por que algumas pessoas repetem os mesmos padrões emocionais mesmo sabendo que eles fazem mal, segundo a psicologia
Entenda por que algumas pessoas repetem os mesmos padrões emocionais mesmo sabendo que eles fazem mal, segundo a psicologia
Foto: Reprodução: Zoro/zorotoo's Images / Bons Fluidos

Essa repetição não é rara. Na prática clínica, ela aparece em diferentes formas: relações afetivas com dinâmicas semelhantes, dificuldade em impor limites, ciclos de autossabotagem profissional, autocrítica muito elevada, medo de se posicionar ou de sustentar decisões. O mais desafiador é que, na maioria dos casos, a pessoa já sabe que aquilo não faz bem.

O que diz a psicologia?

Do ponto de vista psicológico, essa repetição não está ligada somente à falta de consciência. Está também ligada à memória emocional. O cérebro humano não responde apenas ao que é racionalmente melhor. Ele responde ao que é familiar. E, muitas vezes, o que é familiar não é necessariamente saudável.

Pesquisas em neurociência mostram que o cérebro tende a repetir padrões conhecidos porque eles exigem menos esforço cognitivo. Caminhos já utilizados são mais rápidos e automáticos. Além disso, experiências emocionais marcantes, especialmente na infância, deixam registros profundos que influenciam decisões futuras, mesmo quando a pessoa não percebe.

Repetição de padrões é comum

Para a psicóloga integrativa Laura Zambotto, a repetição de padrões é um dos temas mais recorrentes na clínica. "Muitas mulheres chegam dizendo 'eu sei que isso não é bom pra mim, mas eu não consigo fazer diferente'. E isso não é falta de força de vontade. É um funcionamento emocional que já está estruturado há muito tempo", explica.

Segundo ela, sob uma perspectiva psicológica e sistêmica, essas repetições podem estar ligadas à forma como a pessoa aprendeu a se relacionar com amor, pertencimento, validação e segurança, principalmente dentro do ambiente familiar.

"A forma como alguém se posiciona hoje nas relações muitas vezes tem relação com o lugar que ocupou na própria história. Com o que aprendeu sobre dar e receber, sobre agradar, sobre ser aceita e sobre evitar conflitos."

Na visão sistêmica, muitas pessoas repetem padrões como uma forma inconsciente de manter o sentimento de pertencimento. Por isso, fazer diferente pode gerar afastamento e potencializar a sensação de não pertencimento, especialmente quando não há consciência desse processo de mudança.

Quando o padrão se repete nas relações 

Maria, 48 anos, advogada, percebeu que todos os seus relacionamentos seguiam um padrão parecido. "No começo era sempre intenso. Depois eu começava a me anular para evitar conflitos ou não desagradar. No final, me via sobrecarregada, sustentando emocional e até financeiramente a relação. Cheguei a aceitar traições e, ainda assim, não conseguia encerrar o relacionamento."

Mesmo entendendo esse ciclo, ela não conseguia agir de forma diferente. Durante o processo terapêutico, identificou que, desde a infância, havia aprendido a evitar confrontos para preservar vínculos importantes e agradar os pais. Esse comportamento também era observado em sua mãe, que costumava se calar diante das atitudes do marido para manter o relacionamento.

A mãe incentivava ela e as irmãs a estudarem para terem um futuro diferente do que ela teve. Apesar de conquistar independência financeira e uma carreira sólida, Maria percebeu que reproduzia emocionalmente padrões semelhantes aos da mãe.

Ao longo do processo terapêutico, conseguiu reconhecer esses comportamentos, fortalecer sua forma de se posicionar e compreender o que realmente desejava para a própria vida. Aos poucos, passou a construir relações mais equilibradas, mesmo que sua mãe não tenha conseguido fazer o mesmo.

"A repetição muitas vezes nos mantém presos a padrões herdados de gerações anteriores. Mas, com consciência, acolhimento emocional e mudança de comportamento, é possível construir caminhos diferentes e relações mais saudáveis", finaliza Laura. 

Por que mudar é tão difícil

Romper um padrão exige mais do que decisão. Exige atravessar o desconforto de fazer diferente. Isso inclui lidar com medo de rejeição, culpa, insegurança e, muitas vezes, a sensação de estar "errando" ao sair do conhecido. O cérebro interpreta o novo como risco, mesmo quando o antigo já não funciona. "Mudar um padrão não é só escolher outra atitude. É sustentar emocionalmente essa nova escolha. E isso nem sempre é fácil sem apoio", afirma Laura.

Quando procurar ajuda

Segundo a especialista, quando a repetição começa a gerar sofrimento, frustração ou impacto na vida emocional e profissional, é importante buscar acompanhamento. "Nem todo padrão se rompe sozinho. Muitas vezes, ele está ligado a camadas emocionais mais profundas, que precisam ser compreendidas e cuidadas."

Na terapia, o processo não se resume a mudar comportamento, mas a entender a origem desse funcionamento e construir novas formas de agir com mais consciência. "A repetição muitas vezes nos mantém presos a padrões herdados de gerações anteriores. Mas, com consciência, acolhimento emocional e mudança de comportamento, é possível construir caminhos diferentes e relações mais saudáveis", finaliza Laura. 

*Fonte: Baronesa Comunicação Corporativa

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