Por que nosso cérebro 'gruda' no BBB? Especialista responde!
Neurociência explica por que o BBB ativa dopamina, cria vínculo emocional com participantes e pode virar hiperfoco quando passa a regular humor e rotina
Você jura que vai assistir "só um pouquinho". De repente, já sabe quem brigou, quem chorou, quem pode ir para o paredão e sente um incômodo real ao pensar em perder qualquer detalhe do BBB. Isso não é falta de força de vontade. É neurobiologia.
Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, acompanhar um reality show diariamente ativa no cérebro o mesmo circuito envolvido em hábitos e comportamentos de repetição. "A dopamina não é liberada apenas quando algo acontece, mas principalmente na expectativa de que algo vá acontecer. Cada paredão, conflito ou reviravolta cria pequenos picos de excitação neural. O cérebro passa a tratar o programa como um evento essencial do dia", explica.
Esse mecanismo faz com que o BBB deixe de ser apenas entretenimento e se torne uma espécie de marcador emocional da rotina. Quando a pessoa não assiste, surge uma sensação de quebra de continuidade - como se estivesse "perdendo um capítulo" da própria vida emocional.
Por que nos envolvemos em um reality tão intensamente?
O impacto emocional do reality vai além da curiosidade. De acordo com Daiana, o BBB ativa três sistemas primitivos do cérebro ao mesmo tempo: pertencimento (formação de grupos), ameaça social (rejeição, exclusão e julgamento) e empatia (espelhamento emocional).
"O cérebro não diferencia completamente viver de observar quando há forte carga emocional. Ao ver alguém ser rejeitado ou exaltado, o sistema límbico reage como se aquilo estivesse acontecendo conosco", afirma. As mesmas áreas cerebrais são ativadas - o corpo sente, mesmo sem estar na cena.
O apego a reality tem explicação científica
O fenômeno é conhecido como vínculo parassocial. "Quando vemos repetidamente uma pessoa em situações íntimas, conhecendo sua história, fragilidades e conflitos, o cérebro cria um laço emocional real. Para o sistema nervoso, aquele participante passa a ocupar um espaço semelhante ao de alguém do convívio", explica a neurocientista.
De modo geral, em meio a rotina de trabalho e estudos, o cérebro busca previsibilidade. E o reality oferece exatamente isso: começo, meio e fim, conflitos claros, julgamento público e resolução semanal. "Do ponto de vista neurobiológico, o BBB funciona como uma tentativa externa de regular emoções internas. Ele organiza simbolicamente o caos", analisa Daiana. O fenômeno revela um brasileiro emocionalmente sobrecarregado, usando o entretenimento como válvula de alívio para tensões que não conseguem ser elaboradas na vida real.
Quando o entretenimento vira hiperfoco
O sinal de alerta aparece quando o programa deixa de ser apenas diversão e passa a regular humor, sono e relações. Irritabilidade excessiva, dificuldade para dormir, discussões reais baseadas no jogo e humor dependente do que acontece na casa indicam que o cérebro entrou em hipervigilância emocional.
"Nesse estágio, o sistema límbico permanece ativado como se a pessoa ainda estivesse 'dentro da casa'. O cortisol se mantém elevado, o cérebro não consegue fechar ciclos e a autorregulação emocional fica prejudicada", alerta.
Como sair do hiperfoco do reality
É justamente nesse ponto que a aromaterapia pode ser uma aliada. "A via olfativa é a única que acessa diretamente o sistema límbico, sem passar pelo córtex racional - a mesma região ativada pelo drama e pelos conflitos do reality", explica Daiana. Para reduzir o hiperfoco e o vício no programa, a neurocientista recomenda:
- Bergamota ou laranja-doce: ajudam a sinalizar segurança emocional e prazer sem excitação excessiva. São ideais para usar durante ou logo após o programa, ajudando o cérebro a não "grudar" na narrativa;
- Lavanda ou patchouli: indicados para o período noturno. Reduzem a excitação autonômica, diminuem a ruminação mental e facilitam o desligamento emocional e a transição para o sono.
"Na prática, os óleos essenciais oferecem ao cérebro aquilo que o entretenimento tenta fornecer simbolicamente: acolhimento, pausa no estado de alerta e a sensação corporal de que está tudo bem por agora", conclui. Assistir ao BBB não é o problema. O desafio é quando o cérebro esquece de sair da casa depois que a TV desliga.
Sobre a especialista
Daiana Petry é aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
*Fontes: Mayra Barreto Cinel - MBC Comunicação