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Parece mas não é: este hábito está fazendo com que pais pensem que filhos tenham TDAH

Descubra como o vício digital sabota o cérebro dos jovens e aprenda a resgatar o foco e a inteligência do seu filho

21 mai 2026 - 06h21
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A dificuldade crescente de crianças e adolescentes em focar nas aulas e avaliar o próprio desempenho escolar acendeu um alerta vermelho que vai muito além do TDAH. Neurocientistas revelam que a explosão de diagnósticos desse transtorno pode estar mascarando um problema comportamental gerado pelo excesso de telas de celulares e tablets. Esse bombardeio digital constante afeta diretamente os cérebros dos jovens, que ainda estão em pleno período de desenvolvimento e formação.

Nem toda falta de foco é TDAH. Entenda como o excesso de telas imita os sintomas do transtorno e saiba como proteger a mente do seu filho
Nem toda falta de foco é TDAH. Entenda como o excesso de telas imita os sintomas do transtorno e saiba como proteger a mente do seu filho
Foto: Nadezhda1906/iStock / Getty Images Plus / Bons Fluidos

A armadilha do excesso de telas

De acordo com o neurocientista Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, existe hoje uma confusão perigosa entre o TDAH genuíno e os sintomas causados pela hiperestimulação digital. Ele explica que a exposição contínua a vídeos curtos e curtidas cria um ciclo de recompensas imediatas que fragmenta a atenção dos jovens. "O cérebro infantil e adolescente ainda está em maturação cortical. Quando há exposição contínua a vídeos curtos, recompensas imediatas e excesso de dopamina associada ao consumo digital, ocorre uma fragmentação da atenção e um prejuízo da metacognição", afirma o especialista.

O cérebro condicionado ao clique

Os algoritmos das redes sociais funcionam de forma parecida com mecanismos de jogos de azar, viciando o cérebro em novidades rápidas. Esse modelo de estímulo e resposta destrói a tolerância ao tédio e reduz drasticamente a capacidade de guardar memórias ou fazer reflexões profundas. O especialista detalha as consequências físicas dessa rotina pesada. "O cérebro passa a funcionar num modelo de estímulo-resposta. Há redução da tolerância ao tédio, diminuição da atenção linear e perda da capacidade contemplativa. Isso afeta diretamente a consolidação da memória e a capacidade de autorreflexão", explica o neurocientista.

Medicalização de mentes exaustas

O grande perigo atual está na pressa em medicar crianças que sofrem apenas de estresse digital. O TDAH verdadeiro tem causas genéticas e critérios clínicos muito rígidos para ser confirmado. "O problema é que estamos medicalizando cérebros hiperestimulados. Nem toda desatenção é TDAH. Muitas vezes existe um cérebro exausto pela sobrecarga sensorial, pela privação de silêncio cognitivo e pela incapacidade de sustentar o foco prolongado", alerta o médico. O que falta para essas mentes, na verdade, é o descanso e o silêncio.

O fim do tédio saudável por causa do excesso de telas

A tecnologia também acabou com o chamado "tédio saudável", aquele momento de vazio que estimula a imaginação e a criatividade. Hoje em dia, qualquer segundo livre é preenchido puxando o celular do bolso. "Hoje, qualquer microssegundo de vazio é preenchido pelo telemóvel. O cérebro perde a capacidade de permanecer em estado introspectivo, algo essencial para fortalecer conexões neurais ligadas à criatividade subjetiva, memória autobiográfica e reflexão crítica", pondera Fabiano de Abreu. Sem pausas, a mente perde a capacidade de criar narrativas internas.

O remédio da desintoxicação digital

Para reverter esse quadro de saturação, os especialistas defendem uma desintoxicação digital preventiva comandada pelos pais dentro de casa. Trocar o tempo de tela por livros físicos, esportes e conversas cara a cara ajuda a reorganizar as conexões neurais comprometidas. A tecnologia deve ser vista como uma aliada, não como uma babá eletrônica. Fabiano de Abreu conclui o raciocínio mostrando o impacto do excesso. "A tecnologia é uma ferramenta extraordinária. O problema é quando ela sequestra os mecanismos naturais da atenção e transforma o cérebro numa estrutura dependente de estímulo contínuo. Sem silêncio cognitivo, não existe profundidade reflexiva", finaliza o especialista.

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