Papa Leão XIV defende reforma litúrgica e avisa: 'Participação dos fiéis não pode ser passiva'
Em catequese no Vaticano, pontífice explicou por que as mudanças em celebrações, como a Missa, foram preparadas ao longo de décadas
Em audiência geral no Vaticano, o Papa Leão XIV defendeu a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, ressaltando que as mudanças representam uma continuidade histórica para aproximar a Igreja dos fiéis. O pontífice alertou que a participação da comunidade não pode ser passiva, demandando engajamento consciente e espiritual nas celebrações, facilitado pelo uso de línguas locais. Leão XIV concluiu cobrando dos sacerdotes o zelo por uma liturgia fiel às normas e de nobre simplicidade.
O Papa Leão XIV defendeu a reforma litúrgica promovida após o Concílio Vaticano II e afirmou que as mudanças ajudaram a aproximar os fiéis das celebrações. Segundo o pontífice, o processo não representou uma ruptura com o passado, mas deu continuidade a transformações que já vinham sendo discutidas dentro da Igreja.
A explicação foi apresentada durante a audiência geral desta quarta-feira (26), na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Na ocasião, Leão XIV encerrou sua série de catequeses sobre a Sacrosanctum Concilium, documento do Concílio Vaticano II dedicado à liturgia.
O que é a reforma litúrgica?
Em termos simples, a reforma litúrgica foi uma revisão da maneira como a Igreja Católica organiza suas celebrações, especialmente a Missa. O processo ganhou força com o Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. Entre as mudanças estiveram alterações nos textos, nas orações e nos ritos. Também houve maior utilização das línguas locais, em vez da predominância do latim, tornando partes da celebração mais acessíveis aos fiéis.
Para Leão XIV, porém, atualizar determinados aspectos da liturgia não significa abandonar a ://. A Igreja, segundo ele, preserva aquilo que considera essencial enquanto permite mudanças nos elementos que podem acompanhar diferentes períodos históricos.
A reforma começou antes, aponta Leão XIV
O pontífice destacou que o processo não nasceu com o Vaticano II. Ao longo do século XX, outros papas já haviam promovido transformações e discutido maneiras de aproximar a liturgia dos fiéis. Pio XI, por exemplo, incentivou uma participação mais ativa nas celebrações.
Já Pio XII promoveu alterações nos ritos da Semana Santa. Em 1960, São João XXIII também simplificou algumas normas relacionadas ao Missal e ao Breviário. Essas iniciativas ajudaram a preparar o ambiente para a revisão mais ampla que seria conduzida pelo Concílio Vaticano II.
Por que a participação dos fiéis é importante?
Ao explicar a reforma, Leão XIV chamou atenção para a diferença entre estar presente em uma igreja e participar efetivamente de uma celebração. O Papa retomou uma carta escrita em 1962 por Giovanni Battista Montini, então arcebispo de Milão e futuro São Paulo VI. Na época, Montini defendia que os fiéis não deveriam permanecer apenas como espectadores.
Leão relacionou essa reflexão aos princípios da Sacrosanctum Concilium: "Uma vez que os gestos e as palavras da sagrada liturgia são decisivos para concretizar esta experiência, a participação dos fiéis não pode ser passiva."
Nesse sentido, a participação envolve acompanhar o significado das orações, dos gestos e dos diferentes momentos da celebração. A proposta não se limita à presença física, mas considera também o envolvimento espiritual da comunidade.
Na parte final da catequese, Leão XIV destacou que a maneira como a liturgia é celebrada também depende da responsabilidade dos sacerdotes e bispos. "Cada sacerdote deve zelar e promover uma liturgia que, no respeito pelas normas litúrgicas, brilhe por sua nobre simplicidade e manifeste assim a Igreja una, santa, católica e apostólica", concluiu.
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