Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Ozempic natural? A verdade por trás dessa nova promessa

Psyllium, berberina, chá verde e outras plantas estão sendo apontadas como substitutos naturais do remédio que virou febre. Mas será que funcionam mesmo?

19 jun 2025 - 17h20
Compartilhar
Exibir comentários

Poucos medicamentos causaram e ainda causam tanto impacto nas discussões sobre saúde e emagrecimento natural quanto o Ozempic (nome comercial da semaglutida). Desenvolvido, inicialmente, para o tratamento do diabetes tipo 2, o remédio, rapidamente, ganhou fama por outro motivo: sua surpreendente eficácia na perda de peso.

Psyllium, berberina, chá verde e outras plantas estão sendo apontadas como substituto natural do Ozempic. Mas funcionam?
Psyllium, berberina, chá verde e outras plantas estão sendo apontadas como substituto natural do Ozempic. Mas funcionam?
Foto: depositphotos.com / AndreySt / Bons Fluidos

Com a explosão da demanda e os altos custos envolvidos, não demorou para surgirem alternativas chamadas de "Ozempic natural" — substâncias de origem vegetal ou fibras alimentares que prometem imitar, ao menos em parte, os efeitos do medicamento. Entre elas, destacam-se o psyllium, a berberina, o chá verde, a garcinia cambogia e a Gymnema sylvestre. Mas até onde vai a semelhança entre essas plantas e o famoso fármaco? E mais importante: essas substâncias naturais são realmente eficazes, seguras e substituem o tratamento convencional?

O que dizem as plantas?

A busca por alternativas naturais ao Ozempic tem levado os holofotes para plantas e fibras que atuam no apetite, no metabolismo e no controle do açúcar no sangue. Mas cada uma delas possui uma origem, um princípio ativo único e um caminho próprio no corpo. Conhecê-las é o primeiro passo para entender o que, de fato, pode funcionar — e o que é apenas marketing exagerado.

Psyllium: uma fibra do deserto que sacia sem pesar

Originário das regiões áridas da Índia, Irã e Paquistão, o psyllium é extraído da casca das sementes da Plantago ovata, planta tradicionalmente usada tanto na alimentação, quanto na medicina popular. Quando suas fibras entram em contato com a água, formam um gel espesso no trato gastrointestinal — uma ação que promove saciedade, retarda a digestão e ajuda a reduzir os níveis de glicose e colesterol no sangue.

Esse efeito ocorre graças às mucilagens, fibras solúveis não digeríveis que criam uma espécie de "rede" no intestino, dificultando a absorção de nutrientes de forma abrupta. É uma ação puramente física e fisiológica, que se diferencia do mecanismo hormonal do Ozempic, mas que pode ser muito útil no controle da fome e da compulsão alimentar.

Efeitos adversos e contraindicações:

Pode causar gases, distensão abdominal e, em casos de consumo com pouca água, até obstrução intestinal. Não deve ser usado por pessoas com estreitamentos no trato digestivo, dificuldades para engolir ou doenças inflamatórias intestinais ativas.

Berberina: o ouro amarelo da medicina oriental

Muito utilizada nas práticas tradicionais chinesa e indiana, a berberina é um composto natural presente nas raízes e cascas de plantas como a Berberis vulgaris e a Coptis chinensis, típicas de regiões da Ásia e partes da Europa. Seu tom amarelo vibrante esconde um potente alcaloide que, no organismo, atua como um verdadeiro regulador metabólico.

Ela ativa uma enzima chamada AMPK — conhecida como o "interruptor mestre do metabolismo" — que aumenta a captação de glicose pelos músculos e reduz a produção de açúcar pelo fígado. Além disso, a berberina melhora a sensibilidade à insulina, modula a microbiota intestinal e tem ação anti-inflamatória. Apesar de não atuar nos mesmos receptores que o Ozempic, seus efeitos sobre a glicemia e o metabolismo a tornam uma opção natural muito estudada.

Efeitos adversos e contraindicações: Pode causar náuseas, diarreia e cólicas intestinais. É contraindicada para gestantes, lactantes e pessoas em uso de medicamentos anticoagulantes ou hipoglicemiantes.

Chá verde: das montanhas orientais para o metabolismo moderno

Cultivado há milênios na China, Japão e Índia, o chá verde é feito a partir das folhas frescas da Camellia sinensis. Embora muito associado à longevidade, seu potencial no controle de peso tem ganhado destaque. O segredo está nas catequinas, especialmente a EGCG (epigalocatequina galato), e na presença de cafeína em pequenas doses.

Esses compostos têm ação termogênica leve, aumentando o gasto calórico, além de retardarem o esvaziamento gástrico e reduzirem a absorção de carboidratos e gorduras. O resultado pode ser um apetite mais controlado e uma queima de gordura ligeiramente acelerada. Seu impacto é discreto, mas relevante — e seguro quando bem utilizado.

Efeitos adversos e contraindicações: Pode causar insônia, irritação gástrica e palpitações em pessoas sensíveis. Contraindicado para quem tem gastrite, refluxo severo e durante a gestação em altas doses.

Garcinia cambogia: uma fruta tropical que inibe a vontade de comer doces

Originária do sudeste asiático e da Índia, a Garcinia cambogia é uma pequena fruta com casca espessa e sabor ácido, tradicionalmente usada na culinária e na medicina local. Seu ativo mais estudado é o ácido hidroxicítrico (HCA), que atua bloqueando uma enzima hepática envolvida na produção de gordura a partir dos carboidratos.

O HCA também parece aumentar a disponibilidade de serotonina no cérebro, contribuindo para um apetite emocional mais equilibrado. Embora seus resultados na perda de peso ainda gerem debates científicos, é inegável que essa planta atua em vias metabólicas relacionadas à saciedade, principalmente na vontade de comer doces e ao armazenamento de gordura.

Efeitos adversos e contraindicações: Pode causar náuseas, desconforto gástrico e dores de cabeça. Contraindicada para quem tem problemas hepáticos ou faz uso de antidepressivos.

Gymnema sylvestre: a planta que engana o paladar e regula a glicose

Encontrada em florestas tropicais da Índia e da África, a Gymnema sylvestre tem um uso milenar na medicina ayurvédica no tratamento do diabetes. O efeito mais curioso dessa planta é sua capacidade de bloquear a percepção do sabor doce na língua, o que reduz drasticamente a vontade de consumir açúcar.

Mas não é só no paladar que ela atua. Compostos chamados ácidos gimnémicos ajudam a reduzir a absorção de glicose no intestino e estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas. Estudos apontam ainda um potencial regenerativo sobre as células beta pancreáticas — justamente as responsáveis pela produção de insulina.

Efeitos adversos e contraindicações: Pode provocar hipoglicemia em combinação com outros medicamentos para diabetes. Contraindicada durante a gestação e em diabéticos medicados sem acompanhamento médico.

Acredito que tenha ficado claro que chamar qualquer dessas substâncias de "Ozempic natural" é, no mínimo, duvidoso. Embora compartilhem efeitos paralelos, como o aumento da saciedade e o controle glicêmico, os mecanismos de ação são distintos, e nenhum desses compostos substitui o efeito farmacológico da semaglutida, logo nenhuma troca ou suspensão de medicamento deve ocorrer sem supervisão profissional.

E ainda mais importante: apesar de naturais, essas plantas têm contraindicações e efeitos adversos, portanto como sempre digo, jamais inicie o uso por conta própria. O ideal é buscar orientação de um profissional de saúde — médico, nutricionista ou farmacêutico. A maioria desses fitoterápicos pode ser adquirida em farmácias de manipulação, mas sua dosagem, forma de uso e segurança dependem da indicação técnica correta.

A natureza oferece sábias alternativas, mas cabe a nós sabermos como, quando e com que apoio utilizar. Boa saúde!

Bons Fluidos
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade