O que é fibromialgia? Entenda a condição de Elisa na novela 'Quem Ama Cuida'
A história da personagem Elisa chama atenção para uma condição crônica que afeta milhões de brasileiros e ainda é cercada por dúvidas
A luta de Elisa, personagem de Isabela Garcia em 'Quem Ama Cuida', reflete a realidade de milhares de pessoas que convivem com dores constantes sem entender a causa. Na novela, a personagem passa por diversas consultas até finalmente descobrir que tem fibromialgia, condição crônica que costuma levar anos para ser diagnosticada.
O que é a fibromialgia?
A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dor difusa em diferentes regiões do corpo. Ela afeta músculos, tendões e ligamentos e altera a forma como o cérebro processa os estímulos dolorosos, tornando o organismo mais sensível à dor.
De acordo com informações do neurocirurgião Carlos Eduardo Romeu, publicadas em seu site, acredita-se que essa hipersensibilidade esteja relacionada a um fenômeno chamado sensibilização central, no qual o sistema nervoso passa a interpretar estímulos comuns como mais dolorosos do que realmente são.
Embora possa atingir qualquer pessoa, a condição é mais frequente em mulheres entre 30 e 55 anos. Estima-se que cerca de 3% da população brasileira conviva com o problema.
Quais são os principais sintomas?
A dor generalizada é o sintoma mais conhecido, mas está longe de ser o único. Muitas pessoas também enfrentam limitações que comprometem a rotina e a qualidade de vida.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Dores musculares persistentes em diferentes partes do corpo;
- Fadiga intensa;
- Sono não reparador;
- Dores de cabeça frequentes;
- Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
- Aansiedade e sintomas depressivos.
Além disso, o estresse, noites mal dormidas, exposição ao frio e esforços físicos intensos podem agravar o quadro.
O que causa a doença?
Segundo Romeu, "a causa exata da fibromialgia é desconhecida". No entanto, diferentes fatores físicos e emocionais podem funcionar como gatilhos para o surgimento dos sintomas, entre eles estresse intenso, traumas físicos ou emocionais, infecções e predisposição individual. Por isso, cada paciente pode apresentar uma trajetória diferente até receber o diagnóstico, o que também explica por que a identificação da doença costuma ser um desafio.
Como é feito o diagnóstico?
Um dos maiores desafios é justamente identificar a doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a doença não pode ser confirmada por exames de sangue, de imagem ou outros testes laboratoriais. O diagnóstico depende da avaliação dos sintomas e do histórico do paciente.
Portanto, como não existe um exame específico para confirmar a fibromialgia, o médico avalia o conjunto dos sintomas e descarta outras condições que provocam dores semelhantes. Os critérios atuais levam em consideração a intensidade da dor, sua distribuição pelo corpo, a fadiga, alterações no sono e outros sintomas que persistem por, pelo menos, três meses.
Tratamento além dos medicamentos
Embora alguns medicamentos possam ajudar a aliviar a dor e melhorar o sono, os especialistas destacam que o tratamento mais eficaz combina diferentes estratégias. Em seu site, Romeu reforça que "os tratamentos estão disponíveis", mas ressalta que "não há 'curas rápidas'" para a fibromialgia. Segundo ele, a participação ativa do paciente faz toda a diferença no controle dos sintomas.
Entre as abordagens mais recomendadas estão:
- Prática regular de exercícios físicos, com aumento gradual da intensidade;
- fisioterapia;
- Terapia cognitivo-comportamental;
- Técnicas de relaxamento e redução do estresse;
- Atividades como ioga, tai chi e, em alguns casos, acupuntura;
- Acompanhamento multidisciplinar com reumatologista, fisioterapeuta, psicólogo e outros profissionais.
Ademais, manter uma rotina ativa costuma trazer benefícios importantes. Exercícios adaptados, acompanhamento especializado e o entendimento sobre a própria condição ajudam a reduzir a dor e melhorar o bem-estar ao longo do tempo.
Fibromialgia tem controle?
Apesar de ser uma condição crônica, a fibromialgia não é considerada uma doença degenerativa nem coloca a vida em risco. Com diagnóstico adequado, tratamento contínuo e mudanças no estilo de vida, a maioria dos pacientes consegue reduzir os sintomas e manter uma rotina ativa.
Segundo Carlos Eduardo Romeu, compreender a doença e manter expectativas realistas também faz parte do tratamento. "A maioria das pessoas com fibromialgia melhora e a maioria das pessoas leva uma vida plena e ativa", afirma o especialista.
A trajetória de Elisa na novela ajuda justamente a dar visibilidade a uma condição muitas vezes invisível. Ao mostrar as dificuldades até o diagnóstico, a trama também reforça a importância de procurar avaliação médica diante de dores persistentes e incapacitantes.
Ver essa foto no Instagram
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.