O nódulo pulmonar do Papa Leão 14 pode ser um câncer?
O Papa Leão 14 será internado para remover cirurgicamente um nódulo pulmonar detectado em estágio inicial e bem localizado, sem indícios de metástase. Embora a maioria desses nódulos seja benigna e assintomática, a biópsia prévia é complexa, tornando a extração preventiva um dilema médico frequente. O pontífice suspendeu sua agenda até o dia 20 para o procedimento e recuperação, visando manter sua viagem à América Latina em novembro, enquanto o risco de malignidade segue sob avaliação.
Pontífice será submetido a cirurgia para retirada de nódulo no pulmão. Caroços costumam ser detectados em exames de rotina, e médicos tendem a recomendar tratamento rápido para evitar riscos à saúde.Muitas vezes, é necessário um raio-X ou uma tomografia computadorizada do tórax para detectar pequenos nódulos pulmonares, especialmente quando o paciente é assintomático.
Com menos de três centímetros, é menos provável que os nódulos pulmonares pressionem as vias aéreas ou causem dor no peito, falta de ar ou chiado na respiração.
No caso do Papa Leão 14 - que informou a um grupo reunido no Vaticano neste domingo (11/10) que os médicos haviam encontrado um nódulo em seu pulmão —, não está claro qual é exatamente o tamanho do nódulo.
O que se sabe até agora é que ele foi "detectado em um estágio muito inicial" e estava "bem localizado". Isso sugere que não houve disseminação ou metástase. Os médicos recomendaram ao pontífice a remoção do nódulo pulmonar.
Ele será internado nesta terça-feira (13/10), mas a data da cirurgia ainda não foi anunciada. O papa manteve todos os compromissos agendados para esta segunda-feira, liderando um total de sete reuniões que já estavam marcadas, mas cancelou todos os demais compromissos até o próximo dia 20, informou o Vaticano.
Não se sabe se o nódulo dele foi descoberto por acaso, em exames de rotina, ou se ele foi examinado justamente porque apresentava sintomas.
Remoção de nódulo é dilema clínico bastante comum
Um estudo publicado em 2019 aponta que a "detecção incidental de nódulos pulmonares em indivíduos assintomáticos" é considerada um "dilema clínico cada vez mais comum".
Esse "dilema" reside, em parte, no fato de que é difícil fazer biópsias - a remoção de uma pequena amostra de tecido do local ou do nódulo para determinar se é maligno (ou cancerígeno) - em nódulos pequenos.
Ao mesmo tempo, os riscos envolvidos em um diagnóstico cirúrgico são considerados "excessivos em comparação com a prevalência relativamente baixa de malignidade em nódulos pequenos", como apontou um artigo de 2017 publicado na revista científica European Respiratory Review. Esse pode ser exatamente o dilema enfrentado pelos médicos do papa Leão.
Felizmente, porém, muitos - se não a maioria - dos nódulos pulmonares em estágio inicial são benignos. Também é possível ter mais de um nódulo ao mesmo tempo, e todos eles podem ser benignos.
Foi dito que o papa precisará de uma semana para se recuperar após a cirurgia de remoção do nódulo pulmonar.
Ele tem programada sua primeira viagem para a América Latina desde que foi eleito para liderar a Igreja Católica, com passagens pelo Uruguai, Argentina e Peru entre os dias 6 e 17 de novembro.
O que são nódulos pulmonares?
Os nódulos pulmonares são geralmente definidos como uma mancha ou lesão branca no pulmão. Eles apresentam formato arredondado ou irregular.
Os radiologistas referem-se à sua "opacidade" porque, em comparação com o tecido pulmonar circundante preenchido por ar, os nódulos pulmonares aparecem como manchas brancas ou cinzentas na tomografia computadorizada, ou seja, possuem uma certa densidade.
Os nódulos pulmonares podem ser causados por infecções antigas, partículas estranhas inaladas que se alojam no pulmão, inflamação, tecido cicatricial , ou pelo início de um câncer.
Quando maior do que três centímetros, o nódulo é classificado como uma massa. Quanto mais ele cresce, maior a probabilidade de obstruir as vias aéreas e comprometer a função pulmonar.
Os sintomas podem começar com dor no peito, falta de ar e chiado. Podem evoluir para tosse crônica ou expectoração com sangue, fadiga, rouquidão, perda de apetite, perda de peso inexplicada e infecções respiratórias recorrentes, como bronquite ou pneumonia.
O que torna os nódulos pulmonares cancerígenos?
É difícil determinar quando os nódulos pulmonares se transformam em um câncer potencialmente mortal.
Um indicador de malignidade é o tamanho do nódulo pulmonar. Com 2 milímetros ou menos, o risco de câncer é muito baixo, permanecendo assim até que o nódulo atinja em torno de 6 a 7 milímetros. Entre 8 e 10 milímetros, o risco de câncer é de 9% a 10%. Acima de 1 centímetro, o risco aumenta para cerca de 15%.
A densidade de um nódulo pulmonar também é um indicador fundamental de malignidade. Existem duas categorias principais de densidade: nódulos sólidos e subsólidos, estes últimos divididos entre nódulos em vidro fosco (ou não sólidos) e nódulos parcialmente sólidos.
Segundo um estudo publicado no New England Journal of Medicine, os nódulos subsólidos são menos prevalentes do que os nódulos sólidos, mas apresentam "uma maior probabilidade de serem malignos".
Nódulos pulmonares e câncer de pulmão são comuns
Estima-se que radiologistas identifiquem nódulos pulmonares em cerca de 30% das tomografias computadorizadas de tórax. No entanto, esse número pode estar aumentando. Um estudo holandês publicado em 2023 apontou um aumento na detecção de nódulos pulmonares, passando de 38% dos exames de imagem em 2008 para 50% em 2019. O mesmo estudo indicou que "a proporção de pacientes nos quais foram relatados novos nódulos significativos (≥ 5 mm) aumentou de 9% em 2010 para 17% em 2017".
Isso, porém, também pode ser resultado do desenvolvimento de tecnologias de imagem mais avançadas nos últimos anos e do uso de inteligência artificial para identificar tumores.
Embora a maioria dos nódulos pulmonares seja benigna, o câncer de pulmão tende a começar com uma lesão ou nódulo. Além disso, esse continua sendo o tipo de câncer mais comum e a principal causa de morte por câncer no mundo.
A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, da Organização Mundial da Saúde (OMS), informa que, em 2024, quase 2,65 milhões de pessoas foram diagnosticadas com câncer de pulmão e mais de 1,8 milhão morreram em decorrência da doença.
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