Ao inserir o gene de um tardígrado japonês em células humanas, os pesquisadores deram ao nosso DNA uma proteção que a evolução nunca nos concede
Estudo inovador demonstra como o mecanismo de defesa de um animal microscópico é capaz de proteger o código genético humano contra grandes doses de radiação.
Pesquisadores da Universidade de Tóquio inseriram o gene da proteína Dsup, originária do tardígrado Ramazzottius varieornatus, em células humanas de laboratório. Essa proteína, associada à extrema resiliência do animal, permitiu que as células humanas reduzissem pela metade os danos no DNA causados por raios X. Além da proteção inédita contra a radiação, as células modificadas mantiveram uma capacidade superior de divisão e regeneração, superando limitações evolutivas naturais da nossa espécie.
O tardígrado (popularmente conhecido como urso-d'água) é um animal microscópico famoso por sua incrível capacidade de sobrevivência: ele resiste a secas severas, temperaturas congelantes, vácuo espacial e altíssimas doses de radiação. Essa resistência extrema é fruto de ferramentas biológicas únicas que a evolução humana jamais desenvolveu.
Em um experimento pioneiro, pesquisadores da Universidade de Tóquio identificaram no tardígrado da espécie Ramazzottius varieornatus uma proteína protetora batizada de Dsup (abreviação para Damage suppressor, ou "supressor de danos"). Ao inserirem a instrução genética dessa proteína em células humanas cultivadas em laboratório, os cientistas conseguiram fazer com que nossas próprias células passassem a produzi-la.
O resultado foi surpreendente: quando expostas a altas doses de raios X, as células humanas modificadas apresentaram cerca de metade das quebras de DNA em comparação com células normais, mantendo também uma capacidade muito superior de divisão e regeneração celular.
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O segredo biológico dos tardígrados
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