O choque térmico como gatilho: entenda como as mudanças bruscas de tempo afetam a enxaqueca
As alterações na temperatura e a transição entre ambientes não criam a doença, mas funcionam como um gatilho frequente para quem já tem predisposição
Mudanças bruscas de temperatura e a alta amplitude térmica diária funcionam como gatilhos para crises de enxaqueca em pessoas predispostas, embora o clima não cause a doença em indivíduos saudáveis. Temperaturas extremas, tanto o frio quanto o calor excessivo, também favorecem a dor. Para prevenir crises diante dessas oscilações, especialistas recomendam manter hidratação constante, vestir-se em camadas para suavizar choques térmicos e usar ar-condicionado ou aquecedores com moderação.
Dias frios seguidos por calor, manhãs geladas que dão lugar a tardes quentes e novas quedas de temperatura à noite. As oscilações térmicas têm marcado o clima em diferentes regiões brasileiras, quadro que tende a se intensificar com a chegada do veranico após períodos amenos. Para quem convive com enxaqueca, essa gangorra nos termômetros representa um incômodo frequente.
Contudo, é preciso esclarecer que o clima em si não causa a doença em pessoas saudáveis. Quem detalha essa questão é o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia e membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC): "a mudança brusca entre temperaturas diferentes pode ser um gatilho para as crises"
O que é delta de temperatura e amplitude térmica?
Para compreender esse impacto no organismo, é necessário analisar dois conceitos centrais no estudo das dores de cabeça:
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Delta de temperatura: refere-se à variação repentina entre níveis térmicos distintos. Ocorre tanto em mudanças climáticas rápidas quanto na transição física entre espaços, como sair de um ambiente com ar condicionado para o calor externo.
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Amplitude térmica: é a diferença acumulada entre a temperatura máxima e a mínima registradas dentro do mesmo dia.
Conforme explica o profissional: "É um choque de temperatura que também pode atuar como gatilho". Além disso, o especialista alerta que os extremos — seja o frio intenso ou o calor excessivo — também favorecem o aparecimento da dor em pacientes vulneráveis.
Dicas práticas de prevenção da enxaqueca no dia a dia
Embora não seja possível controlar o clima, adotar certos hábitos rotineiros ajuda a minimizar a exposição a esses gatilhos. Entre as principais recomendações médicas, destacam-se:
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Hidratação constante: no frio, a tendência é beber menos água por falta de sede; no calor, a perda de líquidos é acelerada. Como a desidratação desencadeia dores de cabeça com facilidade, manter o consumo de água é essencial. Para facilitar o transporte do líquido em temperaturas adequadas, uma garrafa térmica pode ser uma aliada prática.
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Uso consciente do ar condicionado e aquecedores: esses aparelhos ressecam as vias aéreas e aumentam a diferença de temperatura entre ambientes internos e externos.
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Agasalhos adequados: vestir-se em camadas em dias de frio reduz o choque térmico ao transitar entre espaços abertos e fechados.
Em suma, o neurologista ressalta que o objetivo do paciente não deve ser a tentativa exaustiva de controlar todos os fatores ambientais, mas sim buscar acompanhamento médico adequado: "O tratamento é fundamental para que o paciente tenha menos crises e não precise viver tão preocupado com cada gatilho do dia a dia, como o clima. Quanto melhor tratada está a enxaqueca, menos esses gatilhos tendem a influenciar".
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