Psicóloga alerta para "colapso da maternidade" diante da sobrecarga das mulheres
Em entrevista ao Saia Justa, Vera Iaconelli discutiu as condições que levam mulheres, especialmente as negras e periféricas, a acumularem o cuidado dos filhos e o sustento da família
A psicóloga Vera Iaconelli alerta para o colapso da maternidade decorrente da sobrecarga feminina ao acumular os papéis de cuidadora e provedora, realidade que atinge com mais força mulheres negras e periféricas. Sem redes de apoio adequadas, mães enfrentam conflitos entre trabalho e criação dos filhos. Para a especialista, evitar essa crise exige que a responsabilidade do cuidado seja compartilhada estruturalmente entre homens, empresas, Estado e toda a sociedade.
A maternidade pode entrar em colapso quando as mulheres precisam assumir, ao mesmo tempo, o papel de cuidadoras e provedoras da família. Em entrevista ao programa Saia Justa, a psicóloga Vera Iaconelli falou sobre essa realidade e destacou como a falta de apoio amplia a sobrecarga feminina. Segundo ela, mulheres negras e periféricas enfrentam essa situação de maneira ainda mais intensa. Além de cuidarem dos filhos, muitas também são responsáveis pelo sustento da casa, o que cria uma rotina difícil de conciliar.
O cuidado também pesa sobre as mulheres
Vera explicou que existe uma ideia tradicional de divisão dos papéis familiares: o homem seria responsável pelo sustento financeiro, enquanto a mulher ficaria encarregada dos cuidados. No entanto, para a psicóloga, esse modelo nunca funcionou de forma igual para todas as famílias. Além disso, muitas mulheres precisam trabalhar para sustentar os próprios filhos enquanto continuam responsáveis pelos cuidados dentro de casa.
Quando trabalho e maternidade entram em conflito
Durante a entrevista, Vera citou situações em que mulheres trabalham como cuidadoras na casa de outras pessoas, enquanto enfrentam dificuldades para cuidar dos próprios filhos. Ela também mencionou casos de crianças que ficam sozinhas ou sob os cuidados de irmãos mais velhos enquanto as mães trabalham. Dessa maneira, a falta de uma rede de apoio acaba afetando tanto as mulheres quanto os filhos.
A ausência de uma rede de apoio
Para Vera, o problema não pode ser colocado apenas sobre as mães. Segundo ela, o Estado, os homens, as empresas e a própria sociedade precisam participar da construção de uma estrutura que permita dividir as responsabilidades.
"Então, esse é o colapso da maternidade, são as condições que não são dignas da tarefa", afirmou. Assim, a discussão passa pela necessidade de criar condições mais adequadas para que a maternidade não dependa exclusivamente do esforço das mulheres.
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