Liberdade demais também é prejudicial
É claro que a maioria dos pais não quer ser violento com os filhos. Mas o esforço para não gritar, ameaçar ou deixar de castigo pode implicar outro problema tão prejudicial quanto o da violência psicológica: a permissividade. É o outro extremo na educação em que, por ser pouco imperativo, acaba permitindo que os pequenos façam tudo o que quiserem. "Em qualquer situação, e em especial na educação dos filhos, os extremos são contraindicados", disse Maria Regina Domingues de Azevedo, professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC.
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Segundo ela, a constituição atual da família propicia que pais e mães se desobriguem da educação e orientação de seus filhos, como se não fosse de sua responsabilidade. Isso tem a ver com a transmissão das regras sociais e dos limites individuais às instituições escolares. "A família contemporânea tem escolhido a escola para lhe representar quanto à tarefa de educar seus filhos, pois muitas vezes não se consideram competentes para fazê-lo."
O resultado dessa transferência de responsabilidade que deixa os filhos muito livres é percebido só depois. "A liberdade, que poderia ser algo a se alcançar, os destrói. Eles são condenados a um destino sem qualquer orientação. Os jovens de hoje não sabem para onde ir. Estão sem referências, pois os pais que deveriam responder por isso há muito se eximiram", afirmou a profissional.
De acordo com a psicóloga, os jovens de hoje se drogam e colocam suas vidas em risco como jamais se viu ao longo da história das sociedades. "O excesso de liberdade, uma vez que absolutamente nada os limita, os abandona à própria sorte ou azar. Os pais, igualmente sem um norte, encontram-se cada dia mais impotentes para exercer o dever de orientá-los."