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Instituto Alimentando o Bem: Emar Batalha transforma história de superação em projeto social

À frente da organização, empresária promove geração de renda, inclusão produtiva e ações voltadas a mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade

15 set 2026 - 15h39
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Resumo
Após superar uma infância vulnerável e construir carreira de sucesso no setor de joias, a empresária Emar Batalha transformou sua trajetória no Instituto Alimentando o Bem. Criada na pandemia, a iniciativa começou com a doação de marmitas e evoluiu para o apoio comunitário, oferecendo contraturno escolar e projetos de inclusão produtiva. O objetivo central é promover a autonomia financeira de mulheres vulneráveis, ajudando-as a romper ciclos de violência e a transformar seus futuros.

Antes de construir uma carreira de mais de três décadas no universo das joias, Emar Batalha conheceu de perto a falta de oportunidades. A empresária cresceu em uma família marcada pela vulnerabilidade e enfrentou ainda criança a morte da mãe, assassinada pelo próprio pai. Anos depois, contudo, parte dessa história se tornaria combustível para uma escolha: ajudar outras mulheres a enxergar possibilidades para o futuro.

Emar Batalha promove geração de renda, inclusão produtiva e ações voltadas a mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade
Emar Batalha promove geração de renda, inclusão produtiva e ações voltadas a mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade
Foto: Reprodução/Youtube / Bons Fluidos

Essa missão ganhou forma no Instituto Alimentando o Bem, projeto que nasceu durante a pandemia e hoje atua no desenvolvimento territorial, na geração de renda, na inclusão produtiva e no apoio a mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade. Em entrevista à 'CARAS Business', Emar contou que o trabalho também a levou a revisitar experiências que havia deixado de lado para conseguir seguir em frente.

"O instituto para mim acabou sendo uma terapia, né? Porque, para eu poder chegar onde eu cheguei, eu meio que coloquei tudo que eu vivi num quadradinho e fui levar minha vida e correr atrás", contou.

Emar Batalha descobre nova vida

A empresária tinha 10 anos quando perdeu a mãe. Depois da tragédia, a situação financeira da família voltou a se tornar instável. Houve períodos em que faltavam itens básicos em casa e as refeições oferecidas pela escola se tornaram importantes em sua rotina.

Antes da perda, contudo, uma experiência havia mostrado à empresária que outras realidades eram possíveis. Durante um período em que viveu com a primeira esposa de seu pai, conheceu um cotidiano diferente daquele ao qual estava acostumada.

"Ela morava na capital, no melhor prédio de Vitória, com piscina. E eu conheci a existência de um mundo do qual não tinha a menor noção. Nunca tive acesso, não sabia nem que existia. [...] Hoje, as pessoas sabem que esse mundo existe porque têm Instagram, têm as redes sociais. Na minha época, não tinha nada disso. Tinha a TV, mas não sabia o que era verdade e o que era mentira", detalhou.

A experiência mudou sua percepção sobre o que poderia buscar para o próprio futuro. A partir daquele contato com uma realidade diferente, Emar começou a imaginar outras possibilidades para a própria vida. "Dentro de mim, eu criei uma projeção de que queria buscar um mundo diferente, que queria ser algo diferente da minha família, conquistar outras coisas. Muitas pessoas me perguntam: 'Como você chegou até aqui?'. Eu não sabia o que eu queria, mas sabia o que não queria. Eu não queria estar naquele lugar de vulnerabilidade", afirmou.

Educação abre portas

Nesse cenário, os estudos ganharam prioridade. Aos 14 anos, Emar Batalha começou a trabalhar como babá. Mais tarde, já na faculdade, chegou a percorrer longas distâncias de carona para conseguir estudar. Na época, acreditava que não poderia desperdiçar as oportunidades que aparecessem pelo caminho. "Eu sabia que eu não ia ter a segunda chance", relembrou.

Já a aproximação com as joias aconteceu durante a juventude. Primeiro, começou a vender peças de prata como fonte de renda. Em seguida, passou a trabalhar também com ouro e a viajar de ônibus para São Paulo em busca de mercadorias. Assim começou uma trajetória profissional que atravessaria décadas.

Pandemia deu novo rumo ao trabalho social

Embora já participasse de ações voluntárias e fizesse doações, foi durante a pandemia de Covid-19 que Emar assumiu uma atuação mais direta. Diante das dificuldades enfrentadas por moradores de uma comunidade vulnerável, ela se juntou a outras pessoas para preparar refeições. A mobilização chegou a 20,7 mil marmitas.

Quando o período mais crítico passou, surgiu uma questão: como encerrar aquela mobilização depois de conhecer de perto as famílias atendidas? "Eu entrei na vida dessas pessoas, conhecia elas e suas dores. Não tem como falar: 'Tchau, gente, obrigada, acabou a pandemia, voltamos aqui para minha vida maravilhosa, e se virem aí'. Eu falei: 'Não posso fazer isso'", relatou.

A atuação, então, deixou de se limitar à distribuição de alimentos. Conforme novas necessidades surgiam, foram criadas frentes de trabalho e iniciativas voltadas às crianças. Entre elas, um contraturno escolar que atualmente atende 70 crianças.

Outro eixo passou a ser a autonomia financeira das mulheres. Projetos de inclusão produtiva, como as atividades com cerâmica, abrem possibilidades de renda para moradoras da região. Para Emar Batalha, essa independência ganha importância principalmente quando a falta de recursos dificulta o rompimento de relações violentas.

'O que me move é saber que somos finitos'

Depois de transformar a própria realidade, Emar passou a olhar para suas conquistas a partir de outra perspectiva. Hoje, uma das questões que orientam suas escolhas é o legado que pretende deixar para as próximas gerações. "O que me move é saber a finitude. É isso que me move. É saber: nós somos finitos. E o que a gente está fazendo aqui com essa informação?", refletiu.

Além disso, para a empresária, esse propósito passa por devolver parte das oportunidades que recebeu ao longo da vida: "Eu vim do nada e hoje eu tenho muito mais do que eu mereço, muito mais do que eu sonhei. E eu acho que eu tenho oportunidade de devolver. Então, por que não dar a outras meninas a oportunidade de serem a próxima Batalha?"

Entre as pessoas que ajudaram Emar a enxergar o próprio potencial está Preta Gil. Ao recordar a amiga, ela destacou a capacidade da cantora de reconhecer talentos e abrir caminhos para quem estava ao seu redor. "Ela que abriu o caminho para eu estar aqui. Foi ela que falou: 'Você é uma potência e você pode ir longe'", contou.

Agora, a experiência também influencia a maneira como a empresária procura incentivar outras mulheres. "Às vezes não, a maioria das vezes a gente precisa que alguém fale isso para a gente: você é uma potência", concluiu.

Bons Fluidos
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