HPV também é assunto de homem: entenda mais sobre o assunto
Urologista alerta para riscos, sintomas e importância da vacinação
HPV é uma questão do casal. Se um tem suspeita ou confirmação, o outro também precisa ser avaliado
Embora muitas vezes associado à saúde feminina, o HPV (Papilomavírus Humano) também representa um risco significativo para os homens. A infecção é uma das mais comuns Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e pode evoluir de forma silenciosa, aumentando o risco de complicações graves, como câncer de pênis, anal e de orofaringe.
De acordo com o urologista Rodrigo Trivilato, membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), é fundamental ampliar a conscientização sobre o tema, especialmente entre o público masculino. "O HPV é um grupo de vírus sexualmente transmissível, com mais de 200 tipos identificados. Alguns causam apenas verrugas genitais, mas outros têm alto potencial oncogênico, ou seja, podem levar ao desenvolvimento de câncer", explica o especialista.
Como o HPV pode afetar a saúde masculina?
O HPV é transmitido principalmente pelo contato íntimo pele a pele, durante a relação sexual. Diferentemente de outras infecções, o contato direto com a pele ou mucosas infectadas transmite o vírus, e não o sangue.
No caso dos homens, o vírus pode atingir o pênis, a bolsa escrotal, a região pubiana, o ânus e a orofaringe (boca e garganta). Existem tipos de baixo risco, geralmente associados a verrugas genitais, e tipos de alto risco, relacionados ao desenvolvimento de câncer. "Os subtipos 6 e 11 são responsáveis por cerca de 90% das verrugas genitais. Já os tipos 16 e 18 estão relacionados a aproximadamente 90% dos casos de câncer associados ao HPV", destaca Rodrigo.
Sintomas
Um dos principais desafios no combate ao HPV é que a maioria dos homens não apresenta sintomas. "Grande parte dos homens infectados é assintomática. Mesmo sem sinais visíveis, eles podem transmitir o vírus", alerta o urologista.
Quando há manifestação clínica, o sintoma mais comum é o surgimento de verrugas genitais, lesões elevadas, ásperas, com aspecto semelhante ao de uma couve-flor. Também podem surgir pequenas lesões planas, coceira, desconforto e, em casos mais avançados, sangramento.
A importância do diagnóstico
Identificar e tratar lesões iniciais é essencial para impedir a progressão para câncer. "Quando diagnosticamos precocemente, muitas vezes conseguimos remover a lesão antes que ela evolua para algo mais grave. Além disso, reduzimos o risco de transmissão", explica o médico.
Ele reforça ainda que, ao receber o diagnóstico, o paciente deve orientar seu parceiro ou parceira a procurar avaliação médica. "HPV é uma questão do casal. Se um tem suspeita ou confirmação, o outro também precisa passar por uma avaliação."
Dados expressivos do HPV
- Uma pesquisa inédita revelou que 64% dos homens brasileiros desconhecem a relação entre o HPV e o câncer.
- Estudos mostram que a taxa de HPV genital em homens no Brasil atinge 41,6%. Globalmente, um em cada três homens com mais de 15 anos está infectado por pelo menos um tipo de HPV, e um em cada cinco tem uma cepa de alto risco.
- O Brasil registra uma média superior a 600 amputações de pênis por ano, muitas vezes causadas por infecções crônicas por HPV que evoluíram para câncer de pênis devido à falta de higiene ou diagnóstico tardio.
- O SUS realiza cerca de 3,4 mil cirurgias de câncer gerado por HPV em homens por ano. O HPV está ligado não apenas ao câncer de pênis, mas também a cânceres de ânus e orofaringe (garganta).
- A vacina está disponível no SUS para meninos de 9 a 14 anos (com cobertura chegando a 67% em 2024, superando médias globais). A recomendação é ampliar a vacinação para homens de 9 a 45 anos para proteção contra verrugas genitais e cânceres.
Vacinação
A vacina é a forma mais eficaz de prevenção. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina quadrivalente para meninos de 9 a 14 anos e para homens imunossuprimidos até 45 anos. Na rede privada, a vacinação também está disponível.
A vacina protege contra quatro subtipos do vírus: 6, 11, 16 e 18, responsáveis tanto pelas verrugas genitais quanto pela maioria dos casos de câncer relacionados ao HPV. "O ideal é vacinar antes do início da vida sexual. No entanto, mesmo adultos jovens e homens que já tiveram contato com o vírus podem se beneficiar, pois dificilmente tiveram exposição a todos os subtipos cobertos pela vacina", esclarece o Rodrigo.
O uso do preservativo
O uso do preservativo reduz significativamente o risco de transmissão, mas não oferece proteção total. "Como o HPV é transmitido por contato pele a pele, áreas não cobertas pelo preservativo podem permitir a transmissão. Por isso, a melhor estratégia é combinar vacinação, uso de preservativo e acompanhamento médico", afirma.
A informação é a principal aliada no combate ao HPV. Falar sobre o tema, estimular a vacinação dos meninos e incentivar consultas regulares ao urologista são medidas fundamentais para reduzir a incidência da infecção e suas complicações