Cachaça brasileira vira rum nos Estados Unidos
Até o ano de 2000, a cachaça brasileira era classificada nos Estados Unidos como "especialidade de bebida destilada". A partir de 2000, ela foi reclassificada e passou à categoria de rum, de acordo com Carlos Lima, diretor executivo do Instituto Brasileiro da Cachaça. A reclassificação da cachaça implica em taxação extra para o produto brasileiro, o que significa desvantagem competitiva no setor de destilados no mercado americano, além de colocá-la em competição direta com o rum, o que parece estranho.
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Qualquer prova das duas bebidas demonstra claramente as peculiaridades e diferenças entre elas. Além das características próprias de aroma e paladar, Lima lembra ainda que nossa cachaça possui uma forte identidade cultural, o que mais uma vez confere à nossa bebida características próprias, diferenciando o destilado brasileiro de cana-de-açúcar de outros tantos no mundo. É baseado nessas considerações que existem iniciativas de também solicitar reconhecimento de Denominação de Origem para a cachaça brasileira. Nesse caso, o que se mede são também valores culturais, que não são facilmente contabilizados em reais ou dólares. Valores que, como afirma o consultor técnico da produção de cachaças, Gustavo Hildebrand, "são a chave para entrar na vida de qualquer brasileiro".
A taxação que a cachaça sofre é um dos principais empecilhos para o aumento da exportação. Alemanha é o principal importador do produto deixando o segundo lugar para os Estados Unidos. Segundo dados do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), o Brasil produz hoje 1,2 bilhões de litros da bebida por ano. Esse número a coloca entre os destilados mais produzidos no mundo com um detalhe surpreendente: menos de 1% do total produzido é exportado. Isso significa que há uma margem enorme para o crescimento do setor que conta com cerca de 40 mil produtores e mais de quatro mil marcas diferentes de cachaça.