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Futuro da perfumaria? IA cria um perfume diferente e exclusivo para cada pessoa

Tecnologia usa inteligência artificial para transformar preferências e sensações em fragrâncias exclusivas e pode chegar às lojas ainda em 2026

25 ago 2026 - 21h11
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Resumo
Uma tecnologia apresentada no File Festival, em São Paulo, utiliza inteligência artificial para criar perfumes exclusivos em menos de dez minutos. O sistema interpreta sensações e preferências descritas pelo usuário em um chatbot para formular uma combinação única a partir de dezenas de acordes olfativos. A novidade reflete o avanço da hiperpersonalização na indústria da beleza, com testes previstos para chegarem ao comércio varejista a partir de 2026.

Imagine explicar para uma inteligência artificial uma lembrança, uma sensação ou até mesmo um lugar e, minutos depois, receber perfumes criados especialmente para você. A ideia pode parecer futurista, mas uma tecnologia em exposição em São Paulo mostra que a personalização extrema já começa a chegar ao universo da beleza.

Inteligência artificial já consegue criar perfumes personalizados em poucos minutos; entenda como funciona a tecnologia 
Inteligência artificial já consegue criar perfumes personalizados em poucos minutos; entenda como funciona a tecnologia
Foto: Reprodução: NastyaSensei/Pexels / Bons Fluidos

Até 11 de outubro, visitantes do File Festival, realizado no Centro Cultural Fiesp, podem experimentar gratuitamente uma máquina capaz de desenvolver fragrâncias personalizadas com auxílio de inteligência artificial. Em vez de escolher entre perfumes previamente formulados, o usuário conversa com um sistema, descreve suas preferências e recebe uma combinação individual.

A instalação, chamada "Algorithmic Perfumery by EveryHuman", é uma criação do artista Frederik Duerinck. A Scentronix, empresa responsável por uma plataforma de perfumaria personalizada pela internet, desenvolveu a tecnologia.

Como a IA consegue criar um perfume?

A experiência começa pelo celular. O visitante escaneia um QR Code, faz um cadastro e inicia uma conversa com um bot. É nessa etapa que a tecnologia tenta compreender qual fragrância aquela pessoa deseja criar.

As possibilidades vão muito além de escolher entre floral, cítrico ou amadeirado. Durante a exposição, visitantes já utilizaram conceitos como "paz", "liberdade" e até a imagem de um campo florido como inspiração.

No teste realizado pelo g1, o desafio foi transformar a atmosfera de uma sala de concertos em perfume. Durante a conversa, indicaram características como aroma amadeirado, sândalo, textura de veludo e um toque discreto de canela.

A partir dessas informações, o sistema chegou a uma combinação batizada de "Citrus Amber Wood". Depois de definir a fórmula, o visitante recebe um código para inserir no equipamento. A partir daí, começa a parte física da produção.

Perfume fica pronto em menos de 10 minutos

A máquina possui 54 recipientes com diferentes acordes olfativos, que podem ser combinados de inúmeras maneiras. Um pequeno frasco percorre uma esteira automatizada enquanto recebe os ingredientes determinados pela fórmula criada pelo sistema. No teste, todo esse processo levou menos de dez minutos.

Uma profissional treinada realiza a finalização, colocando o borrifador e a tampa e preparando a embalagem com as informações sobre a composição. Ao final, o visitante recebe um frasco de 5 ml com a fragrância que ajudou a criar.

A proposta mostra uma possível mudança na maneira como consumimos perfumes. Em vez de uma mesma fragrância ser produzida para milhares de pessoas, tecnologias desse tipo permitem imaginar um mercado no qual cada consumidor poderá participar diretamente da criação do próprio aroma.

IA e personalização podem chegar às lojas

A experiência apresentada no festival contou com apoio da Natura e da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Um dos desafios para levar equipamentos como esse ao cotidiano está na regulamentação. A manipulação de produtos químicos em espaços abertos ao público precisa seguir normas sanitárias e cuidados para evitar riscos de contaminação.

A expectativa, porém, é que a personalização comece a sair das exposições para chegar ao varejo. Segundo a empresa, tecnologias relacionadas à criação de perfumes e maquiagens personalizadas devem começar a ser testadas em lojas ainda em 2026, embora datas e endereços não tenham sido divulgados.

Se a tendência avançar, escolher um perfume ou uma base poderá deixar de significar apenas procurar a opção que mais combina com você entre aquelas disponíveis na prateleira. No futuro, o produto pode criar-se do zero para atender às características e preferências de uma única pessoa.

Bons Fluidos
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