Filho de Letícia Colin ensina reflexão sobre ansiedade infantil: "Quinze minutos eu consigo esperar"
Criança percebe o próprio limite e mostra como nomear sentimentos pode ajudar no controle da ansiedade
Um momento simples compartilhado por Leticia Colin nas redes sociais trouxe uma reflexão importante sobre ansiedade infantil, autoconsciência e educação emocional. Em um vídeo, ela contou que durante uma viagem, notou que o filho, Uri, estava com uma certa ansiedade para chegar ao destino, então se sentiu na obrigação de conversar com ele.
A atriz explicou que costumava avisar o menino sobre o tempo restante do trajeto: "quarenta e cinco minutos", "meia hora". A contagem regressiva, porém, começou a deixá-lo mais apreensivo, assim, ele propôs um acordo com a mãe: "Você pode parar de falar que eu estou começando a ficar ansioso. Vamos fazer um combinado, mãe. Quando faltar quinze minutos, você me avisa. Porque eu consigo esperar".
A fala do menino chama atenção para uma habilidade importante no desenvolvimento emocional: reconhecer o próprio sentimento, identificar um limite e buscar uma solução para lidar com uma situação desconfortável.
Quando a criança aprende a reconhecer o que sente
Embora a ansiedade seja uma reação natural do organismo, ela também pode aparecer durante a infância diante de situações novas, mudanças de rotina ou momentos de expectativa. Para a psicóloga Juliana Prado, a ansiedade infantil costuma ser multifatorial, ou seja, não possui uma única causa e pode estar relacionada ao ambiente familiar, às mudanças na rotina, pressões sociais e até ao estágio de desenvolvimento da criança.
A especialista explica que é importante diferenciar episódios de ansiedade, que fazem parte do desenvolvimento, do transtorno de ansiedade infantil. No caso relatado pela famosa, o pequeno encontrou uma estratégia própria para lidar com a espera. Quando fez o pedido, demonstrou perceber o próprio desconforto e identificar uma forma de tornar a situação mais confortável.
Para a psicóloga, esse tipo de comportamento faz parte do desenvolvimento emocional. "Quando a criança sabe o que sente, ela consegue se comunicar de maneira mais clara", explica. Ademais, honrar as próprias emoções permite que a criança verbalize o que está sentindo, peça ajuda e participe da construção de soluções para lidar com instantes difíceis.
O que os adultos podem aprender com os pequenos
Além disso, o relato também reforça a importância de ouvir as crianças. Muitas vezes, os adultos tentam resolver rapidamente os impasses, mas os próprios pequenos podem encontrar alternativas quando têm espaço para explicar o que estão sentindo.
Ao dizer que "quinze minutos eu consigo esperar", Uri demonstrou uma percepção importante sobre si . Ou seja, identificou uma dificuldade, comunicou uma necessidade e participou da construção de uma solução.
Dessa forma, a profissional ilustra que o diálogo faz diferença porque ajuda a criança a desenvolver recursos para lidar com o que sente ao longo da vida. Para isso, o papel dos adultos não é minimizar, mas acolher. "Quem é referência para a criança precisa validar o que ela está vivendo", destaca.
A construção de pensamentos complexos
Ademais, outro momento da conversa também chamou atenção: a reflexão sobre o ditado "quem não arrisca, não petisca". Mesmo após a mãe explicar a frase tradicional, o menino criou sua própria interpretação ao dizer que, às vezes, é preciso "petiscar" primeiro para descobrir se algo é gostoso antes de arriscar. A fala mostra como as crianças constroem pensamentos complexos a partir das próprias experiências e como momentos de diálogo podem revelar aprendizados importantes.
Como ajudar crianças a lidar com a ansiedade
Segundo a Fundação Abrinq, existem estratégias que podem ajudar a reduzir a ansiedade infantil, entre elas estão:
• Manter uma rotina previsível;
• Ouvir a criança com atenção, validando seus sentimentos;
• Incentivar atividades físicas e brincadeiras que favoreçam a socialização;
• Reduzir o tempo de telas e redes sociais;
• Buscar ajuda profissional com psicólogos especializados em saúde mental infantil.
Prado ainda reforça que o acolhimento também faz parte desse processo e que "o principal ponto é a paciência". Assim, frases que desqualificam o medo da criança, como "isso é bobagem", tendem a dificultar a expressão das emoções. Em vez disso, ela recomenda que os responsáveis demonstrem disponibilidade para ouvir, conversem sobre o que está acontecendo e construam estratégias para enfrentar situações que geram ansiedade.
Por fim, o episódio mostra que muitas vezes grandes aprendizados aparecem em conversas pequenas do cotidiano. Ao perceber a própria ansiedade e encontrar uma forma de lidar com ela, o filho da atriz trouxe uma reflexão que também serve para os adultos: respeitar o próprio ritmo é uma parte importante do processo de enfrentar desafios. No fim, talvez uma das maiores lições seja justamente essa: crianças não precisam apenas aprender com os adultos. Quando são ouvidas, elas também têm muito a ensinar.
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