Fibromialgia no inverno: os sintomas causados pelo frio que quase ninguém associa à doença
Entenda a explicação neurobiológica por trás das dores intensas, falhas de memória e mal-estar que surgem com a chegada das estações frias
Basta o primeiro vento frio de outono chegar para aquela velha queixa reaparecer entre os pacientes: a sensação de que tudo dói muito mais. Mas se você tem fibromialgia, sabe que a queda na temperatura traz muito mais do que apenas dor nas articulações ou rigidez muscular. Muitas vezes, surgem manifestações clínicas estranhas que parecem não fazer sentido à primeira vista.
A ciência demonstra que a fibromialgia envolve uma sensibilização central e uma disfunção do Sistema Nervoso Autônomo, conhecida como disautonomia. O frio funciona como um estressor físico real no seu corpo e, quando a temperatura cai, receptores nervosos específicos e hiperativos passam a disparar sinais de dor aberrantes. Ao mesmo tempo, o controle do seu fluxo sanguíneo falha, gerando pequenas áreas de falta de oxigenação nos tecidos periféricos, o que afeta desde a mucosa do seu nariz e músculos do peito até o funcionamento da sua bexiga e do seu intestino.
A ilusão do nariz inchado e o aperto no peito
Uma das queixas mais comuns e curiosas nesse período é a sensação de nariz pesado, obstruído e a dificuldade para respirar profundamente. Isso acontece porque o ar frio ativa a hipersensibilidade do nervo trigêmio, gerando um inchaço real na mucosa nasal, mesmo sem que haja um quadro de rinite alérgica. Além disso, as baixas temperaturas provocam uma contração reflexa nos músculos do tórax. Essa reação física é a grande responsável por gerar aquela incômoda sensação de aperto e falta de ar.
Bexiga hiperativa e urgência para ir ao banheiro
A necessidade de ir ao banheiro também aumenta drasticamente no inverno, muitas vezes acompanhada de uma forte dor pélvica. A explicação médica para isso reside no estresse térmico, que provoca uma superativação do sistema nervoso simpático. Em quem tem fibromialgia, esse estímulo dispara contrações involuntárias no músculo da bexiga. Somado a isso, o próprio frio gera um aumento natural no volume urinário, enquanto o sistema nervoso central amplifica esse sinal e faz o cérebro interpretar o estímulo de forma dolorosa e urgente.
Dedos roxos e dores em forma de agulhada na fibromialgia
Muitos pacientes reparam que suas mãos e pés ficam extremamente gelados, mudam de cor para uma tonalidade pálida ou arroxeada e doem intensamente. Esse fenômeno ocorre devido a uma falha na microcirculação sanguínea induzida pelo frio. O sangue é desviado das extremidades de forma brusca para proteger os órgãos vitais, gerando uma falta de oxigenação temporária nos tecidos periféricos. O resultado prático desse processo são dores agudas, choques e formigamentos neuropáticos incômodos.
Crise de névoa mental e exaustão crônica
Os lapsos de memória, a perda de concentração e o cansaço extremo também pioram consideravelmente nos meses mais frios do ano. A menor luminosidade típica dos dias frios desregula a produção de melatonina e serotonina, que são hormônios já naturalmente deficientes em quem tem a síndrome. Essa alteração química fragmenta a arquitetura do sono. Sem conseguir atingir as fases profundas do descanso, o cérebro não se recupera adequadamente, o que acaba agravando a névoa mental, conhecida como fibrofog, e a fadiga.
Distensão abdominal e aumento das cólicas
Até mesmo o sistema digestivo sofre, com o surgimento de estômago alto, excesso de gases e espasmos intestinais durante o inverno. O sistema nervoso entérico, conhecido como o cérebro do intestino, sofre diretamente com a disfunção autonômica da síndrome. O frio altera a motilidade intestinal e induz o que os médicos chamam de hiperalgesia visceral. Por causa disso, variações comuns de gases que antes seriam completamente imperceptíveis passam a gerar uma distensão abdominal visível e dores agudas. Você não está imaginando coisas, pois a fibromialgia não afeta apenas os músculos, mas representa uma verdadeira pane nos sistemas de adaptação do corpo. O tratamento da fibromialgia precisa ser estratégico e preditivo, antecipando-se a essas quedas de temperatura para tentar proteger o seu sistema nervoso.
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