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Fezolinetanto: nova esperança para mulheres pós-câncer de mama

O desafio que milhões de mulheres com histórico de câncer de mama enfrentam em silêncio agora tem uma nova opção de tratamento

30 jun 2026 - 12h40
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Resumo
Mulheres sobreviventes do câncer de mama enfrentam desafios após o tratamento, como a menopausa induzida. A aprovação do fezolinetanto pela Anvisa representa um marco, oferecendo alívio aos sintomas desse período sem o uso de hormônios. O medicamento amplia opções terapêuticas e reforça a necessidade de cuidar da qualidade de vida das pacientes. 💊✨

O desafio que milhões de mulheres com histórico de câncer de mama enfrentam em silêncio agora tem uma nova opção de tratamento

Quando uma mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama, toda a atenção se concentra em uma única meta: curar a doença.

Foto: Revista Malu

Cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, cada etapa do tratamento representa um passo para aumentar as chances de sobrevida. Felizmente, graças aos avanços da medicina, essa estratégia tem dado resultado. Mas, existe uma fase do tratamento que raramente recebe a mesma atenção. Ela começa quando a paciente toca o sino do fim da quimioterapia, recebe a notícia de que está livre da doença e tenta retomar sua rotina.

Uma junção difícil

É nesse momento que muitas descobrem uma nova batalha: a menopausa induzida ou agravada pelo tratamento oncológico. "É nesse contexto que a aprovação do fezolinetanto pela Anvisa representa um avanço importante. Pela primeira vez, mulheres passam a contar com um medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para tratar os fogachos (ondas de calor e sudorese) da menopausa. Ao bloquear os receptores da neurocinina B no hipotálamo, o fezolinetanto reduz as ondas de calor sem utilizar estrogênio ou progesterona. Isso faz dele uma alternativa particularmente relevante para mulheres com contraindicação à terapia hormonal, incluindo muitas sobreviventes do câncer de mama", recomenda o médico mastologista e MD e PhD em Oncologia, Dr. Wesley Pereira Andrade.

Segundo ele, embora não substitua a reposição hormonal nas pacientes que podem utilizá-la, o medicamento amplia significativamente as opções terapêuticas para um grupo que, durante décadas, permaneceu praticamente sem alternativas específicas. "Como mastologista, acompanho diariamente mulheres que venceram o câncer, mas continuam enfrentando sintomas que comprometem profundamente sua qualidade de vida. Elas descrevem noites interrompidas por ondas intensas de calor, roupas encharcadas de suor, fadiga persistente, alterações de humor, dificuldade de concentração e perda do desejo sexual. Embora esses sintomas sejam comuns durante a menopausa natural, nas pacientes com câncer de mama eles costumam ser mais intensos, surgem de forma abrupta e podem persistir durante anos", comenta.

Durante muito tempo, a medicina concentrou seus esforços em aumentar a sobrevida das pacientes com câncer de mama.

"Hoje sabemos que sobreviver é apenas parte da história. Também precisamos garantir que essas mulheres durmam bem, mantenham sua vida profissional, preservem seus relacionamentos, pratiquem atividade física e tenham bem-estar físico e emocional. Essa mudança de perspectiva deu origem ao conceito de sobrevivência ao câncer (cancer survivorship), uma área que cresce rapidamente na oncologia e que busca tratar não apenas a doença, mas também as consequências deixadas por ela", frisa o especialista.

O futuro do cuidado em câncer de mama

O sucesso do tratamento oncológico não pode mais ser medido apenas pelo número de anos vividos. Ele também deve ser avaliado pela qualidade desses anos. A mulher que vence um câncer de mama deseja voltar a dormir uma noite inteira. Quer trabalhar sem fadiga, viajar sem medo de uma crise de calor, viver sua sexualidade sem dor e recuperar sua autoestima. Esses objetivos não são secundários. Eles fazem parte do tratamento.

Nos próximos anos, veremos uma transformação importante na forma como cuidamos das sobreviventes do câncer de mama. Não bastará eliminar o tumor. Será necessário tratar os efeitos físicos, emocionais e hormonais deixados pela doença e por suas terapias. "A boa notícia é que essa mudança já começou. Cada novo avanço terapêutico reforça uma ideia simples, mas poderosa: curar o câncer é fundamental. Devolver qualidade de vida às mulheres que o venceram é igualmente indispensável", conclui o médico.

Revista Malu Revista Malu
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