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Existe horário certo para tomar suplementos? Veja o que diz especialista

Segundo profissional, a rotina, a alimentação e até outros medicamentos podem influenciar a forma como alguns nutrientes são aproveitados pelo organismo

24 ago 2026 - 14h40
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Resumo
Não existe um horário específico fixo para tomar suplementos. Segundo especialistas, a eficácia depende da interação com refeições e medicamentos — como a vitamina D consumida com gorduras —, e não do relógio. Além disso, a suplementação é indicada apenas para deficiências comprovadas, pois o uso indiscriminado por adultos saudáveis não previne doenças e o excesso pode ser tóxico. Assim, a prioridade deve ser seguir a orientação médica e manter a regularidade do tratamento.

O uso de suplementos costuma gerar dúvidas, principalmente sobre o momento ideal de consumo. Afinal, é melhor tomar pela manhã, após o almoço ou antes de dormir? Segundo Rachel Woods, professora de Educação Médica nas universidades de Nottingham e Lincoln, no Reino Unido, não existe uma regra única válida para todos os nutrientes.

A rotina, a alimentação e até outros medicamentos podem influenciar a forma como alguns suplementos são aproveitados pelo organismo
A rotina, a alimentação e até outros medicamentos podem influenciar a forma como alguns suplementos são aproveitados pelo organismo
Foto: mihailomilovanovic/Getty Images Signature / Bons Fluidos

Na prática, o momento da dose costuma depender mais da refeição que a acompanha, da presença de outras substâncias e do uso de medicamentos do que de uma determinada hora do dia. Por isso, antes de escolher quando tomar um suplemento, é importante entender a finalidade daquele produto.

Nem todo mundo precisa de suplementos

Ademais, segundo a especialista, antes de pensar no relógio, existe uma questão mais importante: há necessidade de tomar o suplemento? "Para adultos geralmente saudáveis, uma revisão de 84 estudos constatou que o uso rotineiro de suplementos de vitaminas e minerais ofereceu pouca ou nenhuma proteção contra doenças cardiovasculares, câncer ou morte precoce", apontou Woods em um artigo publicado no 'The Conversation'. 

A suplementação, contudo, pode fazer sentido quando existe uma deficiência identificada ou uma indicação específica. É o caso, por exemplo, do ácido fólico no período que antecede e inicia a gestação e da vitamina B12 para pessoas que não conseguem obter o nutriente em quantidade suficiente.

"Mas tomar um suplemento sem uma razão clara também pode causar danos. Doses elevadas de algumas vitaminas hidrossolúveis podem ser prejudiciais e o excesso de vitamina B6 tem sido associado a danos nos nervos. Algumas vitaminas lipossolúveis, particularmente a vitamina A, podem se acumular e causar toxicidade quando ingeridas em excesso", explicou a especialista.

Ferro, vitamina D e B12: o que considerar

Por outro lado, quando há indicação, o ferro é um dos suplementos cujo aproveitamento pelo organismo pode variar conforme o que é consumido junto com a dose. Café e cálcio, por exemplo, podem reduzir a quantidade de ferro absorvida, enquanto a refeição que acompanha o suplemento também pode influenciar esse processo.

Então, quem precisa fazer reposição deve seguir a orientação recebida sobre como tomar o produto. O organismo costuma absorver melhor o suplemento em jejum, mas ele pode provocar náusea, dor abdominal, constipação ou diarreia. Nesses casos, tomar o ferro com comida pode facilitar a continuidade do tratamento.

Outro ponto importante é que a pessoa não deve usar ferro apenas porque se sente cansada. O profissional precisa investigar a deficiência, já que ela pode estar relacionada à perda de sangue ou a problemas de absorção.

No caso da vitamina D, também apontada pela especialista, a composição da refeição ganha destaque. Como se trata de uma vitamina lipossolúvel, estudos indicam que o organismo pode absorvê-la melhor quando a pessoa toma o suplemento junto com uma refeição que contenha gordura.

Isso não significa que exista um período específico do dia em que ela funcione melhor. Portanto, em vez de buscar obrigatoriamente a manhã ou a noite, o mais importante é associar a dose a uma refeição adequada e seguir a recomendação recebida. A vitamina B12 também não depende necessariamente de um horário específico. Nesse caso, a razão pela qual a pessoa precisa do nutriente merece mais atenção.

Pessoas que seguem uma alimentação sem produtos de origem animal podem ter maior risco de apresentar níveis inadequados de B12 se não consumirem suplementos ou alimentos fortificados. Além disso, alguns medicamentos, como a metformina e os que diminuem a acidez do estômago, podem reduzir os níveis da vitamina ao longo do tempo.

Afinal, qual é o melhor horário?

A resposta depende do suplemento, da alimentação, dos medicamentos utilizados e da condição que levou à indicação. Por isso, não é necessário transformar a suplementação em uma rotina complicada quando não há evidência de que determinado horário faça diferença.

Rachel Woods reforça que a escolha do momento deve considerar principalmente a forma correta de uso e a possibilidade de manter o tratamento. "Em geral, 'horário' diz respeito às refeições, bebidas e outros medicamentos, e não a uma hora perfeita do relógio", afirmou.

Antes de começar, também vale conferir se o nutriente já aparece em outro produto usado no dia a dia. Multivitamínicos, bebidas energéticas e produtos vendidos como fórmulas de bem-estar podem conter os mesmos componentes.

Para Woods, a prioridade deve ser seguir uma rotina que permita usar o suplemento corretamente. "Quando nenhum efeito relacionado ao horário tiver sido demonstrado, siga a dose e as instruções recomendadas em um horário que você consiga lembrar", concluiu.

Bons Fluidos
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