Estudo aponta relação entre dieta mediterrânea e maior bem-estar psicológico
Pesquisa com mais de 3 mil idosos identificou associação entre maior adesão à dieta mediterrânea e melhores indicadores de saúde mental, reforçando a importância da alimentação para o equilíbrio emocional
A alimentação pode influenciar muito mais do que a saúde física. Um novo estudo publicado na revista científica Nutrition and Healthy Aging sugere que a dieta mediterrânea também está associada a um maior bem-estar psicológico, especialmente entre idosos. A pesquisa, divulgada pela revista Veja, analisou dados de 3.296 adultos com 60 anos ou mais, participantes do estudo inglês English Longitudinal Study of Ageing (ELSA). Os pesquisadores observaram que aqueles com maior adesão ao padrão alimentar mediterrâneo apresentaram melhores índices de satisfação com a vida, propósito e qualidade de vida. No entanto, os autores destacam que o trabalho identificou apenas uma associação, sem comprovar uma relação direta de causa e efeito.
O que é a dieta mediterrânea?
Considerada um dos padrões alimentares mais estudados do mundo, a dieta mediterrânea prioriza alimentos frescos e minimamente processados. Entre eles estão:
- frutas e verduras;
- legumes e grãos integrais;
- azeite de oliva como principal fonte de gordura;
- oleaginosas;
- consumo moderado de laticínios;
- baixo consumo de carnes vermelhas e alimentos ultraprocessados.
Além disso, esse modelo alimentar costuma estar associado a hábitos de vida saudáveis, como refeições compartilhadas, prática regular de atividade física e convivência social.
O que os pesquisadores descobriram?
Segundo a análise, participantes que seguiam mais de perto a dieta mediterrânea apresentavam melhores indicadores de bem-estar psicológico quando comparados aos que tinham menor adesão ao padrão alimentar. Além disso, os resultados permaneceram consistentes mesmo após o ajuste para fatores como idade, sexo, escolaridade, renda, tabagismo e prática de exercícios físicos. Dessa forma, os pesquisadores reforçam que a alimentação pode desempenhar um papel importante na saúde emocional durante o envelhecimento. Ainda assim, o estudo ressalta que não é possível afirmar que a dieta, sozinha, seja responsável pela melhora do bem-estar. Isso porque pessoas que adotam esse padrão alimentar também costumam manter outros hábitos saudáveis, que igualmente influenciam a qualidade de vida.
Alimentação e saúde mental caminham juntas
Nos últimos anos, diferentes pesquisas têm mostrado que existe uma relação cada vez mais evidente entre alimentação e saúde mental. Nutrientes presentes em alimentos naturais contribuem para o funcionamento do cérebro, ajudam na regulação de processos inflamatórios e influenciam a produção de neurotransmissores ligados ao humor. Por outro lado, dietas ricas em alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras saturadas têm sido associadas, em diversos estudos, a um maior risco de sintomas de ansiedade e depressão.
Pesquisa reforça importância de hábitos saudáveis
Embora o estudo não comprove uma relação de causa e efeito, os resultados fortalecem o conjunto de evidências que relaciona a dieta mediterrânea a benefícios para a saúde. Além da proteção cardiovascular e da redução do risco de doenças crônicas, o padrão alimentar agora ganha mais um possível aliado: o bem-estar psicológico. Por isso, especialistas reforçam que investir em uma alimentação equilibrada faz parte de um estilo de vida saudável e pode trazer benefícios que vão além do corpo.
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