Estas dietas ajudam a reduzir o risco de demência; descubra quais são
Pesquisa mostra que determinados hábitos alimentares podem beneficiar o cérebro mesmo diante de alterações relacionadas ao Alzheimer
Você provavelmente já sabe que a alimentação exerce um papel fundamental tanto na saúde do corpo quanto na do cérebro. A novidade, contudo, é que determinados padrões alimentares podem ajudar a combater doenças específicas, como a demência. Esse é o apontamento de uma pesquisa conduzida por Anja Mrhar, pesquisadora visitante e doutoranda no Instituto Karolinska, e Adrián Carballo Casla, pesquisador de pós-doutorado em Epidemiologia Geriátrica na mesma instituição.
De acordo com o estudo, algumas dietas estão diretamente associadas a um menor risco de desenvolver a condição, inclusive entre pessoas que já apresentam sinais biológicos relacionados ao Alzheimer. Os resultados, comentados em um artigo publicado no 'The Conversation', reforçam a importância de manter hábitos saudáveis ao longo de toda a vida.
Demência: quais dietas apresentaram bons resultados?
Os pesquisadores acompanharam cerca de 1.900 adultos com 60 anos ou mais, na Suécia, durante até 15 anos. Nenhum deles apresentava demência no início da pesquisa. Ao longo do acompanhamento, no entanto, 240 participantes desenvolveram a doença.
Durante esse período, foi analisada a alimentação dos voluntários. Em seguida, a pesquisa comparou os hábitos com biomarcadores encontrados no sangue. Esses marcadores podem indicar alterações relacionadas ao Alzheimer, danos às células nervosas e outros processos biológicos ligados ao cérebro. Apesar disso, eles não conseguem prever com certeza quem desenvolverá demência.
Dessa forma, a análise mostrou que pessoas que mantinham padrões alimentares mais saudáveis apresentavam, de forma geral, menor risco de desenvolver a doença. Esse benefício apareceu até mesmo entre participantes que já possuíam biomarcadores considerados de maior risco.
Regime com maior destaque
Entre todos os padrões alimentares avaliados, a dieta com menor potencial inflamatório apresentou os resultados mais expressivos. Segundo o estudo, pessoas com níveis elevados de biomarcadores de risco e que seguiam esse padrão alimentar tiveram uma redução relativa de até 30% no risco de desenvolver demência. Os pesquisadores ressaltam, porém, que esse percentual representa uma comparação entre grupos e não significa que um indivíduo específico deixará de desenvolver a doença.
Esse tipo de alimentação prioriza alimentos naturais e pouco processados, como:
- Vegetais;
- Frutas;
- Grãos integrais;
- Leguminosas;
- Chá;
Ao mesmo tempo, recomenda diminuir o consumo de:
- Carnes vermelhas;
- Carnes processadas;
- Grãos refinados;
De acordo com os especialistas, esse benefício esteja relacionado à redução da inflamação crônica no organismo. Quando permanece ativa por muitos anos, essa inflamação pode favorecer o envelhecimento cerebral, comprometer os vasos sanguíneos, aumentar a resistência à insulina e afetar a saúde cardiovascular, fatores ligados ao desenvolvimento da demência.
Dieta mediterrânea e demência
Além da dieta de baixo potencial inflamatório, a pesquisa avaliou a dieta mediterrânea e uma alimentação baseada nas recomendações gerais para uma vida saudável. Os resultados mostraram que esses padrões também estiveram associados a um menor risco de demência, principalmente entre pessoas com níveis mais baixos de biomarcadores relacionados ao Alzheimer.
Segundo os autores, isso sugere que diferentes estratégias alimentares podem beneficiar pessoas com perfis biológicos distintos. Em vez de analisar alimentos isolados, a pesquisa avaliou a qualidade da alimentação como um todo, refletindo melhor os hábitos alimentares do dia a dia.
Estudo faz um alerta
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que o trabalho é observacional. Isso significa que ele identifica associações entre alimentação e risco de demência, mas não comprova uma relação direta de causa e efeito.
O estudo também apresenta limitações. A alimentação foi avaliada por meio de questionários, e todos os participantes viviam em uma mesma região urbana da Suécia, além de apresentarem, em média, boa saúde e alto nível de escolaridade. Por isso, os resultados podem não representar toda a população.
Ainda assim, os autores reforçam que o potencial da alimentação, embora idade, genética, saúde cardiovascular e outros aspectos também influenciem o risco de desenvolver demência. "Nossas descobertas sugerem que a alimentação pode continuar sendo importante para a saúde do cérebro, mesmo quando já existem sinais biológicos precoces associados a um risco maior de demência", concluíram.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.