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Enxaqueca: como o cérebro reage durante uma crise?

Especialista explica como o cérebro reage durante uma crise de enxaqueca e o que causaessa dor tão intensa

26 abr 2026 - 16h09
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Muito além de uma simples dor de cabeça, a enxaqueca é uma condição neurológica complexa que afeta milhões de pessoas. Segundo dados da ANAMT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho), cerca de 34 milhões de brasileiros convivem com esse problema. A dor impacta a rotina, produtividade, sono, alimentação e até a capacidade de raciocínio. Mas afinal, o que realmente acontece dentro do cérebro quando a crise começa?

Especialista explica como o cérebro reage durante uma crise de enxaqueca e o que causaessa dor tão intensa
Especialista explica como o cérebro reage durante uma crise de enxaqueca e o que causaessa dor tão intensa
Foto: Revista Malu

Os sintomas da enxaqueca podem ser os mais variados

De acordo com Thais Villa, médica neurologista especialista em enxaqueca, a doença é um distúrbio neurológico que afeta o sistema nervoso central. Ela causa sintomas em todas as funções por ele reguladas, podendo ser eles: alterações gastrointestinais; bexiga hiperativa; tendência a oscilações de pressão; fotofobia (sensibilidade à luz muito forte); fonofobia (sensibilidade a sons, especialmente muito altos); náuseas; vômitos; distúrbios de sono; sintomas de ansiedade; sintomas de déficits cognitivos como atenção e memória, entre outros.

Os efeitos da enxaqueca não se limitam apenas à cabeça, porque o cérebro tem influência em todo esse mecanismo e comanda, via sistema nervoso autônomo, todos os órgãos que são inervados. "No caso da enxaqueca, a alteração no trânsito intestinal, batimentos cardíacos, oscilações de pressão arterial são sempre causadas pelo sistema nervoso central (cérebro) excitado demais."

Um cérebro hiperexcitado?

A médica destaca que o cérebro de uma pessoa com enxaqueca é naturalmente hiperexcitado, mas você sabe o que isso significa? Hiperexcitabilidade crônica é uma condição neurológica ou funcional em que as células nervosas (neurônios) ou músculos tornam-se "hiperexcitáveis", ou seja, mais propensos a disparar sinais de ação e reagir intensamente a estímulos, de forma persistente e prolongada. Por isso, certos estímulos (como os mencionados acima) causam a famosa enxaqueca. (box)

Durante a dor

"No momento de crise, o cérebro em extremo desbalanço neuroquímico, com uma hiperexcitabilidade crônica e neurônios em sofrimento, descarrega uma série de eventos neuroquímicos que provocam a cefaleia (termo médico para dor de cabeça)", explica Thais. "O cérebro dispara um sistema chamado trigeminovascular, o núcleo dos neurônios trigeminais, que faz com que os nervos da região da cabeça disparem a dor de cabeça, sintoma típico da doença que é a enxaqueca, entre outros sintomas que ela faz acontecer", completa.

Teorias populares

Quando o assunto é enxaqueca (e saúde, no geral), podemos contar com as redes sociais para espalhar muita desinformação. Como é o caso de que a enxaqueca tem relação com inflamação, mas Thais já repreende essa afirmação. "A enxaqueca não é uma doença de causa inflamatória, mas sim neurológica e neuroquímica cerebral, então não existe relação com inflamação do corpo ou melhora com alimentos anti-inflamatórios. Tratar a doença com anti-inflamatórios é um engano e pode cronificar a enxaqueca", pontua.

Além disso, não podemos esquecer de mencionar as veias e os vasos sanguíneos que, ao contrário do que muitos pensam, não dilatam durante a enxaqueca. "Antigamente, achava-se que a enxaqueca tinha um papel vascular importante. Hoje, sabe-se que qualquer tipo de alteração vascular é secundária à inervação do nervo trigêmeo que acontece nos vasos, tanto na face, pele, região da meninge (membrana que recobre o cérebro) e que não existia uma vasodilatação, mas sim uma maior percepção do vaso pulsando. O papel dos vasos sanguíneos na doença é meramente secundário", descreve Thais.

Um cérebro com e sem enxaqueca

Se você, assim como eu, já se perguntou se existe alguma diferença entre o cérebro de quem tem enxaqueca e o de quem não tem enxaqueca, chegou o seu momento de descobrir a resposta. "Existe diferença no sentido da sensibilidade e da funcionalidade do cérebro, não algo estrutural, que seja detectado por um exame, por exemplo", responde a especialista. Por fim, a médica alerta que, apesar de não ter cura, a doença tem tratamento e pode ser controlada.

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