Entenda os cuidados necessários com as patas dos pets durante os passeios
Calor excessivo, parasitas e objetos cortantes estão entre os principais riscos enfrentados pelos pets fora de casa
Passear está entre os momentos preferidos do dia para cães e gatos. É a hora de gastar energia, sentir novos cheiros e interagir com o ambiente. No entanto, o que parece uma atividade simples pode esconder ameaças sérias à saúde dos animais, principalmente quando o contato direto com o solo não é observado com atenção.
Em entrevista ao g1, o médico-veterinário André Arruda alertou que muitos dos problemas começam justamente nas patas, área sensível e fundamental para a mobilidade dos pets. Segundo ele, a falta de cuidado durante os passeios pode resultar em lesões, infecções e dores que afetam diretamente a qualidade de vida dos animais.
Quais os cuidados tomar com os pets?
Um dos principais erros cometidos pelos tutores, de acordo com o veterinário, é não levar em conta a temperatura do chão. Em dias quentes, as calçadas e o asfalto podem atingir níveis extremos, oferecendo risco imediato às patas dos pets.
"Em horários específicos, o asfalto e as calçadas estão muito quentes. Isso pode gerar lesões e desconforto para os nossos amigos de quatro patas. [O ideal é] Sempre priorizar passeios pela manhã ou à noite, quando o clima e a temperatura do solo é mais agradável", orientou André.
Ele explica que o contato com superfícies aquecidas pode causar queimaduras de diferentes graus, que variam conforme a intensidade e o tempo de exposição. As lesões térmicas são classificadas em três níveis. No primeiro grau, a pata pode apresentar vermelhidão, inchaço e aumento da temperatura local, levando o animal a mancar.
No segundo grau, surgem bolhas e áreas úmidas, sinal de comprometimento mais profundo da pele. Já o terceiro grau é considerado o mais grave, com perda de tecido e alterações na coloração da pele, que pode ficar escura ou esbranquiçada. Nesses casos, a dor pode ser menos perceptível inicialmente devido à destruição das terminações nervosas.
Ameaças que não podem ser vistas
Além do calor, os passeios expõem os pets a riscos que não são percebidos a olho nu. Parasitas, fungos e bactérias presentes em grama, areia e locais úmidos podem penetrar na pele e causar infecções. Entre os problemas mais comuns está o bicho-de-pé, que costuma se alojar entre os dedos ou em regiões mais macias das patas, provocando dor e inchaço.
Outro risco frequente é a larva migrans, conhecida como 'bicho-geográfico'. "Ela penetra na pele e provoca coceira intensa, vermelhidão em forma de linhas ou trilhas, além de desconforto. O animal costuma lamber ou morder excessivamente a região", contou o veterinário.
Infecções causadas por fungos e bactérias também são comuns, especialmente em ambientes úmidos. Os sinais incluem mau cheiro, secreção, descamação e escurecimento da pele entre os dedos. "Irritações simples costumam melhorar em um ou dois dias, após a limpeza e o descanso. Quando há coceira intensa, dor progressiva, secreção, mau cheiro ou piora com o passar do tempo, é forte indicativo de infecção ou parasita", alertou André Arruda.
Outro risco recorrente acontece quando o animal pisa em cacos de vidro, pregos ou espinhos. Mesmo que o ferimento pareça pequeno, tentar remover o objeto em casa pode piorar o quadro. A lambedura excessiva das patas após os passeios também merece atenção. Apesar de parecer um comportamento natural, pode evoluir para dermatite por lambedura, agravando lesões já existentes. A recomendação do veterinário é direta: "Se o 'pet' machucou a patinha, leve imediatamente ao veterinário."
Pata saudável é sinônimo de mobilidade
Segundo André Arruda, cuidar das patas não se resume a evitar ferimentos. A saúde dessa região está diretamente ligada à mobilidade, principalmente em animais idosos.
"As patas são a base de sustentação do corpo e qualquer dor, ferida ou inflamação faz com que o 'pet' mude a forma de andar, para aliviar o desconforto. Com o tempo, essa compensação altera a postura, sobrecarrega outras patas e gera desgaste precoce das articulações. Em animais idosos, isso pode acelerar quadros de artrose, rigidez, dificuldade para levantar, subir degraus ou caminhar por longos períodos", explicou o veterinário.
Ele acrescenta que unhas grandes, rachaduras, calos e infecções crônicas interferem na pisada correta, aumentando o risco de quedas. "Cuidar das patas é uma forma de prevenção de dores crônicas e perda de mobilidade, especialmente na terceira idade", disse.
Queimadura ou reação alérgica?
Muitos tutores têm dificuldade em diferenciar queimaduras térmicas de reações alérgicas causadas por produtos químicos usados na limpeza de ruas e condomínios. De acordo com André, as queimaduras provocadas pelo calor surgem logo após o contato com o chão quente. "Geralmente, a lesão é mais intensa nas áreas que tocam diretamente o solo, como os coxins".
Já as reações alérgicas ou químicas podem aparecer horas depois do passeio, após contato com desinfetantes ou solventes. Em caso de dúvida, a orientação é lavar as patas com água corrente, impedir que o animal lamba a região e procurar um veterinário.
Se o pet se machucar fora de casa, o tutor deve manter a calma. A recomendação é limpar o local com água ou soro fisiológico, proteger com um pano limpo e evitar que o animal apoie a pata. O veterinário alerta que não se deve aplicar pomadas caseiras, pó de café, açúcar, talco, álcool, água oxigenada ou iodo. "É muito importante o tutor se conscientizar que sempre a primeira opção é levar o 'pet' ao médico veterinário, antes de tomar qualquer medida em casos de emergência, e não medicar o pet por conta própria", alertou.