Entenda o que é uma 'doula da morte' e se a prática estudada por Nicole Kidman pode ser adotada no Brasil
Função ainda pouco conhecida traz cuidados paliativos e apoio no fim da vida e ganha visibilidade após interesse da atriz
A decisão da atriz Nicole Kidman de estudar para se tornar uma "doula da morte" chama atenção para uma prática ainda pouco conhecida, mas em crescimento, especialmente nos Estados Unidos. A revelação da artista foi feita no começo de abril durante entrevistas e palestras, nas quais ela explica que busca se aprofundar no tema após experiências pessoais com a perda dos pais.
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Segundo Nicole, ela sentiu necessidade de oferecer mais apoio emocional e humano a pessoas em fase terminal. A ideia de estudar o assunto surgiu ao perceber as limitações do cuidado familiar diante do fim da vida de sua mãe, que morreu em 2024. Mesmo com o apoio da família, ela relatou que faltava uma presença dedicada exclusivamente ao acolhimento emocional e ao conforto.
A experiência levou Kidman a buscar formação nessa área, que envolve acompanhar pacientes e familiares durante o processo de morte e luto. O papel das chamadas doulas do fim da vida (ou "end of life doulas, em inglês") tem ganhado espaço internacionalmente, conforme explica a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). A função é inspirada no conceito tradicional de doulas que auxiliam no parto, mas ampliada para oferecer suporte na morte.
No Brasil, porém, a atuação ainda não é regulamentada nem amplamente difundida. Para a ANCP, o conceito pode ser incorporado de forma gradual, principalmente dentro do contexto dos cuidados paliativos, que já priorizam qualidade de vida, conforto e dignidade para pacientes com doenças graves.
No País, uma lei de abril deste ano passou a regulamentar a profissão de doula no momento do parto. Com a nova Lei 15.381/26, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, facilita o acesso da gestante a informações sobre gestação, parto e pós-parto baseadas em evidências científicas atualizadas; incentiva a grávida a buscar uma unidade de saúde para realizar o acompanhamento pré-natal; orienta e apoia a gestante em relação à escolha das posições mais confortáveis a serem adotadas durante o parto, auxiliando também com técnicas de respiração, massagens, banhos e compressas para obter maior tranquilidade.
De acordo com a ANCP, assim como as doulas tradicionais, as doulas da morte não substituiriam médicos ou equipes de cuidados paliativos, mas atuariam de forma complementar, oferecendo suporte emocional, espiritual e social. Entre as atividades estão conversas sobre o significado da vida, realização de rituais de despedida, leitura, música e presença constante ao lado do paciente — um cuidado contínuo que também se estende aos familiares.
Ainda segundo a entidade, um dos principais papéis da doula da morte é ajudar a família a compreender os sinais do processo de fim de vida, reduzindo a ansiedade e preparando todos para o que está por vir. O trabalho também inclui apoio no luto, criando um ambiente mais acolhedor em um momento de vulnerabilidade.
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