Ela usou economias de babá para mudar o mundo e hoje cria 93 filhos no Nepal
Conheça a jornada de Maggie Doyne, a mulher que transformou cinco mil dólares em um refúgio global contra a pobreza e o abandono infantil
Uma jovem de apenas 19 anos decidiu trocar a vaga na universidade por uma viagem de mochila pelo mundo. Isso acabou mudando o destino de uma nação. Durante sua passagem pelo Nepal, logo após o fim de uma guerra civil, Maggie Doyne ficou profundamente impactada ao ver crianças refugiadas trabalhando em pedreiras. Em vez de fechar os olhos para a situação, ela usou os 5 mil dólares que havia economizado trabalhando como babá. Assim, comprou um terreno e ergueu um lar para os órfãos.
Da cabana de bambu ao modelo global
O que começou como um gesto impulsivo de amor completou duas décadas de impacto social incalculável. A BlinkNow Foundation, criada por Maggie, deu origem ao projeto Kopila Valley. A estrutura original, que funcionava em uma humilde cabana de bambu, transformou-se em uma Vila Infantil de quatro andares e uma escola de última geração que atende mais de mil alunos. Lá, as crianças recebem alimentação saudável para combater a desnutrição, aulas de tecnologia e até capacitação profissional voltada para a universidade e o mercado de trabalho.
A ex-babá, que hoje tem 38 anos, orgulha-se de ver os frutos de sua dedicação. "Já criamos uma geração de crianças", celebrou Doyne à CNN. Ela destaca que seus primeiros acolhidos hoje estão inseridos na sociedade como arquitetos, engenheiros, assistentes sociais, professores e empreendedores. Atualmente, a fundação conta com uma equipe de 175 profissionais e mantém programas de proteção para meninas vítimas de violência, clínicas médicas e capacitação agrícola para mulheres da comunidade.
Superando a dor e o luto no topo do mundo
Apesar do sucesso estrondoso que a levou a ser eleita Heroína do Ano pela CNN, a trajetória de Maggie também foi marcada por uma tragédia devastadora. No final de 2015, seu filho Ravi morreu afogado de forma acidental, um trauma que quase a fez desistir de tudo. "Os anos seguintes foram sobre juntar os cacos e realmente nos curar como família", relembrou a fundadora sobre o longo processo de recuperação.
A reviravolta pessoal aconteceu quando ela conheceu o cineasta Jeremy Power Regimbal, que viajou ao Nepal para documentar o projeto. Os dois se apaixonaram, casaram-se e hoje criam seus filhos biológicos ao lado dos 93 irmãos adotivos nepaleses. A história de superação do casal virou o documentário 'Between the Mountain and the Sky', lançado recentemente para mostrar os bastidores reais e dolorosos do trabalho humanitário. Para Maggie, a grande lição de sua vida permanece simples: "Continue fazendo o que puder, onde estiver. Pequenos atos podem ter grandes impactos".
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