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Ela tinha 22 anos e achou que aquele sangramento ao evacuar não podia ser câncer

Sangramento ao evacuar pode ter causas simples, mas quando merece investigação? A história de Bia mostra por que vale pena prestar atenção.

24 ago 2026 - 07h00
(atualizado às 07h02)
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Resumo
A história de Bia Suzuki, diagnosticada com câncer de intestino aos 25 anos após ignorar sangramentos por acreditar ser jovem demais para a doença, alerta para a importância de investigar sintomas digestivos persistentes. Embora mais comum em idosos e pessoas com histórico familiar, o câncer colorretal cresce entre jovens sem histórico prévio. Sinais como sangue nas fezes, dor, fadiga e alteração do hábito intestinal exigem avaliação médica, pois a idade não garante imunidade à doença.

Durante um Congresso Brasileiro de Coloproctologia, conversei com Bia Suzuki, que hoje transforma a própria experiência com o câncer de intestino em informação para outras pessoas. Sua história me chamou a atenção.

Ela tinha 22 anos e achou que aquele sangramento ao evacuar não podia ser câncer
Ela tinha 22 anos e achou que aquele sangramento ao evacuar não podia ser câncer
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

O primeiro sintoma apareceu quando ela tinha apenas 22 anos. Um pequeno sangramento ao evacuar. Acontecia de vez em quando, principalmente quando o intestino prendia.

Ela chegou a procurar um proctologista e recebeu orientações. Mas acabou não seguindo o que havia sido recomendado.

Não foi simplesmente descuido. Faltava informação e, principalmente, sobrava uma certeza que parecia razoável: ela era jovem demais para ter câncer de intestino.

Aos 25 anos, essa certeza caiu por terra.

Hoje, aos 33, ela está livre da doença e decidiu transformar a própria experiência em uma forma de alertar outras pessoas.

Ao ouvir sua história, uma coisa me chamou especialmente a atenção: ela havia procurado ajuda quando o primeiro sintoma apareceu. O que a fez não avançar na investigação foi, em parte, a ideia de que sua idade a protegia.

E essa é uma armadilha que merece ser discutida.

Quando o corpo começa a dar outros sinais

O sangramento não foi o único sinal.

Com o passar do tempo, surgiram dor, inchaço abdominal, sensação de evacuação incompleta e fadiga. Também houve perda de peso, que ela inicialmente interpretou como resultado de seus próprios hábitos.

Quando os sintomas começaram a afetar sua qualidade de vida, decidiu investigar.

A colonoscopia fez parte dessa investigação. E veio o diagnóstico de câncer de intestino.

Sangue nas fezes, isoladamente, não significa câncer. Hemorroidas, fissuras e outras condições também podem provocar sangramento.

O problema está em transformar uma possibilidade em certeza sem investigar.

Quando um sangramento se repete ou aparece acompanhado de outras alterações intestinais, ele merece ser levado ao médico. Mudanças persistentes no hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso sem explicação e fadiga também são sinais que precisam ser avaliados.

O INCA destaca essas manifestações entre os sinais de alerta para câncer colorretal.

Isso não significa que a pessoa tenha câncer.

Significa que existe uma razão para descobrir o que está acontecendo.

Ser jovem não significa estar protegido

O câncer colorretal continua sendo muito mais frequente em pessoas mais velhas. É justamente por isso que a idade pode criar uma falsa sensação de segurança entre os mais jovens.

Mas idade não transforma um sintoma em algo irrelevante.

O aumento dos casos de câncer colorretal de início precoce tem chamado a atenção da comunidade médica, embora adultos jovens ainda representem uma parcela menor dos diagnósticos.

Por isso, não defendo que todo jovem com qualquer alteração intestinal deva sair fazendo exames por conta própria.

Defendo algo mais simples: não decidir sozinho que um sintoma não merece investigação apenas por causa da idade.

"Ninguém na minha família teve"

A história dessa jovem traz outra questão importante: ela não tinha familiares conhecidos com câncer de intestino.

Essa é uma frase que escuto com frequência: "Doutor, ninguém na minha família teve. Então não preciso me preocupar".

A história familiar realmente importa. Pessoas com determinados antecedentes podem apresentar risco maior e precisar de acompanhamento diferente.

Mas a ausência de casos na família não significa risco zero.

Existem fatores relacionados ao estilo de vida e ao ambiente que também estão associados ao risco de câncer colorretal, como sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, consumo de álcool e alimentação inadequada.

Por isso, não ter um caso na família não deve servir como justificativa para ignorar sintomas.

O que ficou daquela história

Depois do diagnóstico, ela passou por dez meses com uma bolsa de ostomia. No início, foi um choque. O apoio da família, de profissionais especializados e de outros pacientes ajudou a atravessar aquele período.

Hoje, ela fala abertamente sobre o que viveu. Quando recebeu o diagnóstico, procurou na internet alguém que tivesse passado por algo parecido e não encontrou.

Agora, decidiu ser essa pessoa para quem está do outro lado da tela, com medo, dúvidas e muitas perguntas.

Talvez seja essa a parte mais bonita de histórias como essa. Aquilo que um dia foi motivo de medo pode, com o tempo, transformar-se em informação capaz de ajudar outra pessoa.

E, no caso dela, tudo começou com um sintoma que parecia pequeno demais para merecer atenção.

Às vezes, o primeiro passo para cuidar da saúde não é saber o que temos. É simplesmente não ignorar que alguma coisa mudou.

Leitura Recomendada: Você faz cocô todos os dias? Se a resposta for não, este texto é para você

Fonte: SaúdeLAB
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