Durante décadas, estivemos obcecados com o Japão para entender as pessoas que vivem mais de 100 anos. A chave estava no Brasil
Estudo aponta que a diversidade genética brasileira abriga mecanismos de proteção ligados à longevidade extrema
Durante décadas, quando a ciência buscava os segredos do envelhecimento, o olhar se voltava quase sempre para os mesmos lugares: as chamadas "Zonas Azuis" do Japão, da Sardenha ou para as populações frias e relativamente homogêneas do norte da Europa. Agora, porém, pesquisadores apontam que, durante todo esse tempo, uma verdadeira mina de ouro biológica vinha sendo ignorada: o Brasil.
O que diz o estudo?
Compreender por que algumas pessoas ultrapassam a marca dos 100 anos é um dos grandes objetivos da ciência, já que esse conhecimento pode abrir caminho para terapias capazes de prolongar a vida no futuro. Não por acaso, regiões como o Japão, onde a população envelhece muito além da média global, despertam há décadas a curiosidade dos pesquisadores — um fenômeno que, embora ainda não totalmente explicado, começa a ter suas razões desvendadas.
A pesquisa mais recente sobre o tema, publicada em 6 de janeiro na revista Genomic Psychiatry, identificou no Brasil um padrão de miscigenação genética que pode abrigar variantes protetoras praticamente invisíveis em populações mais uniformes.
Liderado pelos geneticistas Mayana Zatz e Mateus Vidigal de Castro, o estudo analisou mais de 160 pessoas centenárias e pelo menos 20 supercentenários — indivíduos que ultrapassam os 110 anos de idade.
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